terça-feira, julho 12, 2011

A montanha mágica

Há muitos e muitos anos, um forasteiro sem passado, muito buscando conforto, saiu de um pântano e mudou-se para uma montanha que ele havia descoberto com sua coragem e sua despretensão. Ao descobrir a montanha, não se surpreendeu o viajante, mas com o passar do tempo, o viajante havia percebido quão calma era esta montanha, quão dóceis e meigos eram os pássaros que ali habitavam. Além das aves, abençoados eram todos os mamíferos e plantas que regozijavam-se em humilde equilíbrio entre si e as forças tremendas que os circundavam.

E as luas em que o viajante viveu sob a sombra das árvores, e sob a força sutil e constante da montanha, o viajante desfrutou de paz, de consolo e conforto. Todos os carinhos e generosidades da montanha se desenrolavam sob o viajante que se perdia em tamanho aconchego - dos pássaros lhe vinha a beleza e o canto, das árvores e das pequenas bestas, o alimento, da montanha, a proximidade com a lua e o sol, e das águas mornas que dali jorravam, a limpeza e o bem-estar. Tudo era calmo, e tão quieto como fosse um paraíso tão almejado pelo viajante. Havia ali o caminhante encontrado o paraíso.

Mas algo estava errado. O viajante vivia em clausura na bela montanha... Via de longe os pequenos seres vivendo em sua perambulação pelo mundo, via as outras pessoas e as outras formações naturais em seu constante estado de vissicitude, via o caos, tão divino e violento, acontecer nas entranhas do mundo. E então o viajante sofreu.

Mas como poderia, com tanto frescor e conforto o viajante sofrer?

As águas mornas o mimavam, a relva macia o enfraqueceu, e a abundância de tudo que era necessario e primario o deixou preguiçoso. E então o viajante começou a culpar a montanha por si mesmo. Por tudo que ele poderia ter conhecido e não conheceu. Poderia ter conhecido o mistério e a dor do deserto, a profundeza e o terror do fundo do mar, ou mesmo as tão honestas e simples planícies... A vida era uma montanha escura, de mata fechada, e tantos odores comestíveis... Tudo era fácil, tudo era perto, a montanha era um ciclo fechado dos mesmos dias e noites. O sol passava a incomodar, a lua era uma lâmpada cinza e sarcastica. Quando mesmo num dia de lua, o viajante fugiu, sem que a montanha soubesse, ou os pássaros que ali habitavam percebessem.

Na manhã seguinte, o viajante não sabia onde estava. Estava em qualquer lugar. Triste, sujo, mal alimentado e sedento. E então o viajante chorou, e se arrependeu, e quis olhar para a montanha, que agora era pequena, e de onde ele estava não se ouviu, pois, o triste canto dos pássaros, ou o mudo clamor das folhas escuras que caiam no chão, como que esperassem ser pisadas pelos pés macios do viajante que agora era de novo o viajante.

O viajante ainda está caminhando... hora pela beira-mar, hora pelas profundezas de outros pântanos. E não há maior mistério que o do deslocamento. Não se sabe para onde vai, mas a bênção e a maldição do viajante é a sede pela privação, a constância da dor e da experiência que faz com que tudo seja maior.

O amor ainda existe, mas se a viagem para, o viajante não existe mais.
O amor, e a dor, e todos os tipos de sentimentos que nos lembramos no final, antes de não existirmos mais...

domingo, junho 26, 2011

Dá pra não ficar triste? A gente desprende tempo, sonha... pra perceber o que não queria. Que não adianta imaginar, e tentar... só respondemos pelos nossos atos e sonhos, e nada mais. Aí o que era rotina se torna passado, o que era certo, se torna uma memória, e a memória se torna tristeza. Mas tudo se romantiza... mesmo o que não era bom passa a ser um delírio do que poderia ter sido, e nunca vai ser. Repito - de quem é a culpa? Nascemos a quê? A solidão? Ao medo? Nascemos ao nada?

segunda-feira, junho 20, 2011

Justo... Certo, bom.

São os adjetivos, mas a realidade não é esta. Voltei pra casa seguindo a lua, cortando o frio e pensando sem conseguir pensar. Enquanto sentia a efeméride da vida sobre meus ombros, pondero, como o viajante sobre o mar de névoa, temeroso, mas com uma imagem de imponência e respeito ao vazio.

Onde eu estou? O que estou fazendo? Eu olho para a névoa mas nada faço... ela é muito maior que eu. A luz cega, a escuridão esconde... Somos tão pequenos em nossa maravilha...

domingo, junho 19, 2011

Pra viver a gente tem que ter coragem!

Esse fim-de-semana tive essa coragem... E vivi! Recomendo gente. Tire a preguiça e a acomodação da sua vida. Deixe o vento te levar, o mundo tem muita energia boa lá fora!!!
Gente, olha só... eu não to fazendo "campanha contra religião" nenhuma não. Eu respeito e acho honestamente, e de coração que toda pessoa que quiser, tem o direito de ter a sua busca espiritual. Mas estamos em um pais livre, então eu defendo as minhas causas. Se alguma religião não concorda, infelizmente tenho que continuar na minha posição. Por mais que isto me custe, eu sou um cara honesto... Com muito respeito, com muito amor a busca por Deus, mas eu discordo do que eu discordo, não tem jeito.

Cada um na sua, e a Constituição por todos.
Gente, agora é assim. Comentário aqui só mostrando a cara =D
Casa da Mãe Joana mode off

terça-feira, maio 31, 2011

terça-feira, maio 17, 2011

Crises

Continuo com a crise do cantor e a crise do estudante.

Me dá a impressão que não faz diferença nenhuma... =(

Abaixo ao mal

O blog é meu lugar semi-secreto de falar...

Melhor que o facebook! Hehehe!

É... Hmmm... Pensei que ia conseguir falar um mooonte de coisa, mas não tenho idéias. Só que estou muito puto com os evangélicos malucos querendo vetar a PL 122. Eu até corri atrás da lei pra saber que ela só adiciona incisos a lei pré existente de preconceito (adiciona "opção sexual" e "identidade de gênero" aos grupos pré existentes).

Não faz sentido eles dizerem que isso cerca a liberdade de expressão deles...

A situação é: Alguém precisa de liberdade de expressão pra ser racista? Pra ser anti-semita? Pra não gostar de macumbeiro... isso me leva a pensar no mal.

Eles gostam de dizer que combatem um mal sobrenatural que perdurará pela eternidade... E o que me preocupa é que estamos vivendo um pedaço da eternidade, e... as pessoas estão sofrendo agora. Sofrendo com culpa, com medo, com nojo... de si mesmas!

E eu conheci uma pessoa que morreu. Morreu por que era gay, e a família tratou ele muito mal. Mas MUITO mal MESMO. Essa coisa de velho testamento e romanos... foi pior que dar veneno. Ele morreu. Ele se jogou do terceiro piso de um shopping... E sempre que eu me lembro da lei de preconceito, me vem a memória desta pessoa. Que esta morta.

Isto pra mim é o mal.

Os evangélicos, às vezes, são pessoas muito ruins. Eles tinham que aprender a olhar menos pros próprios medos, e tentar transcender o muro da bíblia. A bíblia foi escrita pelos homens... Os homens inventam deus pra tentar se ajudar... e se atrapalham. A bíblia mata. Uma pessoa morreu =(

Eu não falo dos católicos porque eles simplesmente não fazem campanha e não se metem com política... pelo menos aqui no Brasil. E toda essa história de militar pela PL 122 tem me magoado muito. As pessoas que não se sentem inseguras quando saem na rua, não se incomodam com essa lei. Brasileiro não gosta de problema. E mandam você calar a boca e não ser inconveniente.

Sendo honesto: Eu não vou calar a boca. Estou ferido, incomodado e magoado. Meu pavio acabou... E eu não quero ver mais ninguém morrendo.

Soltem a bíblia e ouçam a misericórdia. Socorram os "pecadores" e relevem o "pecado", se é esse o grande problema.

Ah!

E ostentar boas intenções, boas relações, bons casamentos, bons carros e casa... é como rir de tudo. É desespero. Viver de exibir e tentar provar uma bênção é SEMPRE duvidar da certeza dela. Pra mim, o avanço de cultos e seitas pseudo-cristãs é o fim do mundo... Cada pastor de galpão é um auto-intitulado messias, que prega a violência social, a intolerância e a vontade de varrer do mundo as pessoas que não lhe dão fortuna e abundância material.

Eles sempre falam em um mal eterno e imaterial... mas convergem todos seus esforços pra se cercarem do aqui e agora.... Só eu vejo isso? Só eu vejo como isto é monstruoso? Alguém está me lendo em algum lugar do mundo e vendo a máfia por trás disso? Edir Macedo, Bispa Sonia, o mercado da música? Gente RICA enquanto a grande maioria dos evangélicos vivem em cidades pobres, ou bairros pobres de cidades ricas? (Enquanto os pastores ostentam carros bem caros, e saem com travestis, garotas de programa, e tem casos com os irmãos das esposas?) NINGUÉM VÊ ISSO?

O mundo enlouqueceu?

ISSO ESTÁ ERRADO!

Por favor, pessoas ruins e ambiciosas: PAREM DE FAZER MAU AOS OUTROS SERES HUMANOS! PAREM DE SE ALIMENTAR DA IGNORÂNCIA, DA INGENUIDADE, E DA AGRESSIVIDADE DOS MENOS ABASTADOS EMOCIONALMENTE. CHEGA!

Uma pessoa da minha familia ficou vinte anos na igreja universal... Abandonou a Igreja Universal porque os obreiros iam todo ano na casa dela no dia dela receber a parcela do 13o salario. Um dia ela estava muito apertada, e disseram que a falta do dízimo (o décimo terceiro salario TODO, pelo décimo ano seguido) seria uma maldição na vida dela.

ISSO NÃO É DEUS! DEUS NÃO GASTA DINHEIRO!

PAREM COM ISSO! POR FAVOR!

DEIXEM AS PESSOAS EM PAZ! SE VOCÊS NÃO CONSEGUEM FAZER DINHEIRO DE OUTRO JEITO, ASSUMAM QUE SÃO PESSOAS MÁS! QUE QUEREM FICAR RICAS, E ESTÃO CAGANDO PARA DEUS E O PARAÍSO!

QUEM PRECISA DO PARAÍSO? VOCÊ PRECISA É DE SABEDORIA.

PROCURE A DEUS DENTRO DE VOCÊ... NAS PESSOAS, NA NATUREZA E NA VIDA... NINGUÉM PRECISA DE PERFEIÇÃO, APENAS DE UM CORAÇÃO. E VONTADE DE SER BOM, E DE FAZER O BEM.

ABAIXO ÀS IGREJAS DE GALPÃO!

ABAIXO ÀS AUTORIDADES ESPIRITUAIS AUTO PROCLAMADAS!

ABAIXO AOS EX-GAYS!

ABAIXO AOS ASSASSINOS E MARGINAIS DE TERNO E BÍBLIA!

ABAIXO AO MAL!

quinta-feira, março 10, 2011

Só peixe, só nada...

É, realmente. Não tenho mais postado nada, mas uma hora volto a escrever meus tratadinhos...

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Descobertas de 2010

Jonas Kaufmann não é tão diferente do Villazon.
The older, the better.
Eu me accostumei a ficar só.

2010

Como é de costume, eu sempre tento falar alguma coisa no final do ano. Blog empoeirado! Tudo agora é twitter, facebook e o caralho a quatro...

Esse foi o ano mais corrido que eu já tive. Essa é uma tendência crescente do meu tempo: Cada vez mais corrido, cada vez mais tenso. Isso é bom, estou pegando o jeito de "dar conta" da minha vida. Isso tem um custo elevado na saúde, mas a gente vai apredendo - aprendendo principalmente a desacelerar, e se julgar menos.

Infelizmente eu não termino esse ano muito bem, estou cansado, desorientado, sem óculos, e insatisfeito. Estou me sentindo só. Mas não só como um transeunte, e sim só como um esquizofrênico - todos estão ao redor, e parecem estar a quilômetros de distância, como se eu falasse muito alto e ninguém ouvisse. É muito frustrante.

Mas estou sempre assim "não tenho tempo pra essas coisas". "Viel Geld, keine Zeit..."
=/
Onde eu vim parar?

segunda-feira, junho 14, 2010

As vozes e as vozes, e as confusões

Em se falando de música clássica, vivemos um drama muito engraçado. Não sei em quantos lugares essa piada sem graça se repete, mas venho olhando essas coisas de perto mais e mais, depois de ter me enfurnado mais neste meio de pessoas que cantam, e pessoas que ensinam a cantar.
O problema da "voz dramática", da "voz grande" e da "voz pesada".

Nós sabemos que a primeira preocupação constante de qualquer preparador vocal mais ou menos sensato e não muito frustrado (psicótico) é de fazer com que o aspirante a cantor se sinta bem, sinta facilidade e liberdade ao cantar. Só que tem um tipo, ou tipos, de voz que é difícil, é dura, ou soprada e escura, que não sobe nem desce, não é peixe nem sapo, e quando faz algum som, parece um assassinato no tapa. Desde que comecei a me envolver com canto, tenho visto as mais diferentes formas de voz, e sempre aparecem esses tipos, que infelizmente terminei por me enquadrar.

Passei por alguns professores, e a maioria não sabia o que fazer, não sabia o que dizer, se era tenor isso, barítono aquilo, ou contratenor, sei lá. E depois do ambiente acadêmico (onde as coisas não são, mas tem que ser) a coisa ficou pior ainda - o jacaré-cobra-d'água tinha que cacarejar, voar, nadar, soltar fogo. Eu e todos as outras "vozes-grilo" que estavam por perto.

O grande problema em se lidar com cantores e vozes difíceis, é querer ou precisar de resultados imediatos. Existem pessoas lentas, existem casos lentos. E existem as pessoas rápidas e que melhoram sob pressão. E tem aquelas que quase desmaiam se tomam uma dura. Mas isso no mundo de buscar o resultado a todo custo, isso não funciona, não cola.

É triste, triste, mas isso de fato exclui algumas pessoas do possível, e chega o campo de mercado e de palco apenas pros ágeis de pensamento e super seguros de emoção. Esta com certeza é a grande lição que temos que aprender em todo mercado, mas isto é mais difícil para algumas pessoas que outras - e outros atributos interessantes são simplesmente descartados do foco desses preparadores. Tacam-lhe um rótulo e a maldição da ineficácia.

No final das contas, vivemos uma triste situação do "mais do mesmo". Um preparador (entende-se pessoa versada em pedagogia, a arte de ensinar) deve saber contornar armadilhas psicológicas e situar o aluno em uma direção que esteja de acordo com suas capacidades. Digo sem dúvida ou culpa que estamos cercados de incompetentes professores na área de música clássica, tanto no Rio de Janeiro, como no Ceará, de onde vim, e em vários outros lugares que tenho ouvido falar.

São poucas as exceções de mestres que sabem ver uma pedra bruta e extrair o melhor dali sem destroçar o conteúdo. São poucos os capazes de não carimbar e protocolar. São poucos os capazes de pagar pra ver. Porém, não é pra menos - em um país que é hábito incentivar a mediocridade e adorar tudo que é gringo até não aguentar mais. Tudo que vem de fora é melhor, tudo que os gringos dizem é melhor que o que nós dizemos...

É assim em qualquer coisa: De ginástica olímpica até alpinismo - e no canto não é diferente. O engraçado é ver como os gringos se comportam - um típico estudante de canto clássico americano estuda diariamente, e repete pra si todo dia "yes, I can", como já o incentiva o próprio presidente negão dos USA. E aqui no Brasil, o nosso chavão é "brasileiro não desiste nunca". Não desiste de quê? De fazer a boa merda, e terminar tudo em pizza. É só o que acontece aqui, bater a cabeça na parede e depois se convencer de que se é só mais um - afinal aprendemos isso facilmente em qualquer buraco e com qualquer professor - que somos muito piores que achamos, e que deveríamos nos colocar em nosso lugar: Na lanterninha.

O que eu digo aos colegas "dramáticos" (sejam de voz ou de cabeça) é: Confiem no seu taco, procurem seus terapeutas e amaldiçoem seus inimigos e dificuldades a vontade. A vida para os super emocionais e pioneiros é foda. Mas dá pra conseguir, só não contem com mãozinha na cabeça. Vai ser sempre tapa na cara mesmo...

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Descobertas de 2009

Jonas Kaufmann: Um novo e legal tenor, diferente das vozinhas de rato que brotam por aí.
Comida Chinesa: Bem mais legal do que eu pensava
Bicicleta: Um must-have para pseudo sedentários como eu.
Álcool gel: Nem um pouco aflito com a gripe suína, mas lavar as mãos com aquilo é um luxo.
Laringe baixa: Não dá pra cantar sem abrir o gogó. (Não é bem uma novidade).
All-Star de couro: Porque é chique pra caralho.
Aspirador de pó: Melhor amigo dos alergicos a pequenas partículas.
Fim da economia porca: Não resolve nada, e você gasta do mesmo jeito por causa do stress.
Falar!: Ir lá e mandar a real. Normalmente soluciona os causos. Fantástico.

Esse foi um ano e tanto!!!

segunda-feira, dezembro 28, 2009

2009

Foi o ano do milagre.

Tudo que era no mínimo improvável de acontecer, aconteceu e se repetiu. Me estabilizei, a faculdade começou a fazer algum sentido, comecei a trabalhar, e tantas outras coisas. Foi um ano cruel, teve aquela operação e tudo...

Além disso, passou rápido, como uma batalha: Uma pancadaria, uma confusão, e de repente estamos no dia 28 de dezembro! Ah que ano estranho... Aprendi que cantar pode ser bem diferente de fazer música, aprendi que fazer música é bem diferente de ser acadêmico, e aprendi que ser acadêmico e bem pior do que ser cantor. Preciso escolher um de cada vez!

Sinceramente foi o primeiro ano que eu GOSTEI. Sofri que nem o cão, mas o saldo foi positivíssimo.
"Feels like I'm in Heaven..."

domingo, dezembro 27, 2009

Nunca mais vim aqui!

Mas a vida é boa - estou com computador em casa e tudo voltou ao normal!

sexta-feira, maio 15, 2009

É, né...

O ano começou bem. Sarcasmos à parte - passei por praticamente tudo: Picaretas, emergências, gente surtada (eu surtando)... A parte boa éque estou ficando radical. É, isso é bom. O excesso de vasilinise, que me era tão comum, foi-se acabando... Estou mau humorado e meio exagerado. É que parece que, de alguma forma, meus dias estão acabando. Não sei o que isso quer dizer. Mas algo vai acontecer.

Deserto

Deserto é o que é vazio.
Dserto é o que não tem, é o que não vive... é um vazio que limita, e se expande como no infinito, por menor que ele seja. Deserto é o limbo, é o passado que não acaba. Deserto é o que vem depois. 

Os pés caminham descalços na areia fina e quente, que à noite se torna um vidro gelado... O deserto é extremo.... Mas, apesar da trilha acabar, não se pode ceder, não se pode cansr por mais que se caminhe, e mais se precise caminhar.

A sede, a fome, a solidão... Todas são banalidades diante da incerteza. O deserto vai um dia se acabar? Ou até lá já estarei acabado? Serei eu o deserto?

quarta-feira, outubro 08, 2008

Plantas

De repente eu voltei a fazer uma coisa que sempre gostei: Cuidar de plantas. Estou com quatro plantas no meu quarto, inclusive três delas são do carrefour (e fiz com que elas sobrevivessem!) Três roseiras bem pequenas... Daquelas miúdas mesmo. E também um cacto. Adoro cactos. Acho que sou viciado neles. Os cactos gordinhos sem espinhos, ou aquelas plantas bizarras e genéricas de clima árido. Adoro isso. E também as de flores bizarras e resistentes. Na realidade tudo aquilo é lindo...

Vou encher meu quarto de cactos daqueles dos vasinhos pequenos, hauhaua.

domingo, outubro 05, 2008

A Crise Estudantil

Depois de conviver algum tempo no ambiente universitário, percebi que os estudantes de música não são imunes a preguiça - e há um fenômeno não-exclusivo da Escola de Música que poderia chamar de "alergia musical".

Até as primeiras semanas do primeiro semestre, tudo são rosas. Mas depois que você se desorganiza e deixa as inseguranças tomarem um pouco a frente, tudo que é música começa a te dar verdadeira RAIVA. Então você tira todo aquele texto bonito que colocou em "Música" no orkut, começa a esquecer seu mp3 player de propósito, ou simplesmente não ouve mais música erudita...

Estive sinceramente pensando sobre isso: conheço mais de um punhado de bons instrumentistas e cantores que parecem definitivamente não gostar de música! Eles chegam, fazem o que tem que fazer, e depois nem sequer falam sobre isso. Então a música deixa de ter o seu propósito fundamental que é a catarse. Se torna uma profissãozinha, um estudinho barato e medíocre.

Quando percebi que estava me tornando um desses, eu não raciocinei muito e deixei rolar. Eu também estava de saco cheio daquela porra toda. Meio que a música se torna isso: Harmonia, percepção, formas... Vira um conjunto de cadeiras de faculdade. E uma coisa especialmente sem sentido: Você está estudando aquilo tudo (que não é fácil) pra depois se juntar com outras pessoas e organizar todos aqueles sons pra fazer alguma coisa. Mas o quê? Pra que diabo serve isso?

Eu não me atrevo a responder. Só não custo a dizer que esses dias fui questionado por alguém importante, e essa pessoa me perguntou "não foi isso que você escolheu fazer?" Por que diabos eu escolhi isso? Só por que eu me considero bom? Só por que eu acho que tenho "talento"? Não - eu gosto de música. Algumas vezes eu deixava um pouco de falar nisso porque ficava constrangido na frente dos colegas da faculdade, que infelizmente já tinham se tornado mesquinhos, e eu ainda não.

É realmente importante não deixar a ingenuidade, se faz algo porque se gosta disso, e algumas vezes isso nos expôe mesmo. Antes de querer ser um profissional em música, eu quero ouvir muita música, e curtir bastante. Acho que isso é no final das contas o que importa. É esse o prazer. Não é ter a melhor leitura ou a melhor técnica, é estar bem com o que se faz - e nunca deixar que nada seja capaz de transformar algo tão sublime em chacota ou profissãozinha, ou algo que te distancie de quem as pessoas realmente são.

Me metido com música porque gosto de ouvir concertos, gosto de textos clássicos, gosto de literatura, de poesia, gosto dessa merda toda, e nunca vou deixar de carregar isso no meu mp3 player (na realidade é um celular) e nunca fui fã de música eletroacústica. Era alvo de chacota antigamente por causa disso, e continuo sendo anos depois. Odeio MPB, odeio bossa nova, odeio pop rock, essas caralhadas todas me dão coceira. Ultimamente, só depois de ter começado a estudar música que comecei a descobrir um prazer em ouvir isso. Engraçado, diziam que era o contrário...

Quando se é exigido "seja bom", a gente esquece disso. Se você esquecer mesmo, melhor nem continuar insistindo - isso definitivamente não faz o melhor profissional de qualquer forma...

sábado, setembro 27, 2008

Pô, tá difícil passar pra licenciatura em música esse ano, né não?

quinta-feira, agosto 28, 2008

É sempre difícil lidar com o mundo. "Foda-se" realmente virou o meu jargão. Nunca pensei que fosse chegar a esse ponto. Mas pelo menos minha vida começou a alavancar. Recomendo. Dói perceber que realmente existem Pessoas e pessoas. E pra que tenhamos o maiúsculo, infelizmente temos que nos livrar do que pesa. E às vezes os sentimentos de medo, disfarçados de diplomacia, de culpa, disfarçados de paciência, e de rancor, disfarçados em "dizer a verdade" nos puxam pra baixo.

O mundo realmente fica mais fácil com mais desapego, mais confiança em si e mais "foda-se" pras pessoas. Cada um que faça sua parte. Diz respeito a si, o que diz respeito. E só. Nada mais. Fazemos por nós, os outros que façam por si - isso é a mais nobre demonstração de altruísmo. Se todos fizerem por si, todos farão por todos. E ponto final.

Não haveria lugar para frustração em um mundo onde não se tem tempo pra auto-piedade e "peninha" dos outros. Então chega de teletubbies. A moda é essa:

- Te pediram a mão?
Estenda.
- Te pediram o pé?
Dê uma voadora, pra matar.

O pior tipo de inimigo é o sanguessuga. Mas o mais perigoso sempre é você mesmo (que às vezes cái nessa).

Pronto, aprendi

Querido Papai-do-Céu;

hoje aprendi uma coisa muito importante:
Que eu não tenho a obrigação de ser legal.
Então é foda-se pra todo mundo que é mané. FODA-SE!
É ferro, e pimenta no toba alheio!

segunda-feira, agosto 04, 2008

Foda-se

Pratiquemos este verbo. De todas as formas e em todas conotações. Bom verbo, vulgar é o verbo. Mas nunca vi expressão mais poderosa.

Não conseguiu? "Foda-se" Não perdoou? "Foda-se" Não lembrou? "Foda-se" Não esqueceu? "Foda-se" Não deu? "Foda-se" Não vai dar? "Foda-se" E o melhor: não deixa de incomodar? "Foda-se"

Manda se foder, veja o circo pegar fogo. Porque pra você amigo, eles também só dizem isso, só dizem
"Foda-se"!
"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.

Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem - Cousteau, ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: 'Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver'. Il faut aller voir. Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo." [Amyr Klink]

Feliz coincidência ter me encontrado com este texto agora. Ontem mesmo estive debruçado sobre os saldos da minha vida e o cearense em mim só começou a bater no peito e dizer "comedor de rapadura sou eu" depois de ter colocado os pés rachados de sol onde só se usa tênis e quase só se come industrializado.

Também pensando nas Minas Gerais, e todos estes novos mundos: Como é maravilhoso ver o que se repete, e também o que muda violentamente de um quilômetro de chão pro outro. Nosso egoísmo, nossa pequenez toda seca como folha moribunda depois de ver que existem lugares mais secos, existem vidas mais complexas, e existem mundos maiores pra se ver. E sempre se tem onde e como crescer.

O mundo é uma máquina maravilhosa. Sem dúvidas.
(Diário de bordo já esteve em: Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais - estou dominando o sudeste!)

terça-feira, julho 29, 2008

Esse negócio de festival de música é mistura de terapia com curso de férias. Transforma o que a gente às vezes acha que detesta em alguma coisa agradável, lúdica. A parte boa é tudo isso, a ruim é ter que voltar da experiência. É triste deixar os novos amigos pra trás de alguma forma. O bom é se tocar de como o mundo, e tudo nele, é bem maior que a gente pensava que fosse.

Que bom que existem os festivais de música!

sábado, julho 05, 2008

Copioso... em branco

Não é só o clima que está frio. O resto anda um pouco assim também... Apesar da paz (o fim de semestre realmente me impressiona) eu me sinto um pouco feito um esquimó. Tudo está em branco. Como gelo, ou uma grande folha de papel.

Voltei a ter desejos estúpidos como terminar aquele romance que eu comecei há mil anos, ou mesmo fazer um curso de alguma coisa estúpida pra me sentir uma pessoa melhor. O que eu queria mesmo era saber usar melhor o tempo, e ser mais indulgente. Me permito a fazer poucas das coisas que realmente gostaria. Porém, uma delas que é andar sem rumo depois de gastar o dinheiro da passagem com um pacote de biscoito trakinas, eu continuo fazendo.

O frio pode ser dúvida. Não sei se vou me tornar um desses cantores solistas cheios de si (no melhor sentido possível e imaginável da realização pessoal) ou um musicólogo empoeirado. Sou curioso demais pra olhar sempre pras mesmas coisas e dar as pessoas o melhor do mesmo.

Talvez solidão? Eu sou uma pessoa estranha: Rejeito convites de baladas dos amigos, não bebo, não fumo (nem maconha), não cheiro... E estou quase sempre só. Será que eu tenho 22 anos mesmo? De repente se eu tiro a barba melhora. Me sinto velho. Sempre ouvindo essas músicas só minhas, e lendo os textos que só eu conheço.

Mas meu mundo é meio isso... um lugar escondido, solitário, pacífico e terrível como uma floresta virgem cheia dos mais belos monstros. E o maior deles é o desejo... de existir? De entender? E eu sei lá, de repente isso tudo é só o frio - coisa física de arrepiar os pêlos. O mundo é banal, o que o torna algo mais são as pessoas. E as pessoas não estão ao redor. Eu também não fiz por merecer melhor, sou um mané muito avoado que deixa a mãe a dois mil quilômetros e sái de casa pra ser artista, onde já seu viu cara mais babaca? Hahahahahaha.

Sonhador, romântico, meditativo... Me banhem os arquétipos. Tô concluindo que pode ser que eu seja mais um desses.
Me sinto tão bem.
Fim de semestre é uma beleza ;)

quarta-feira, julho 02, 2008

Fim de semestre. Sensação de dever cumprido? Mas o semestre vai acabar mesmo... Aprendi alguma coisa? De repente posso ter me tocado que num primeiro semestre a gente só aprende como é zé-ruela :-P

Nunca imaginei que faculdade fosse uma coisa tão estressante. É um frio na espinha contínuo. Uma culpa que te diz que, ao invés de escrever no blog, você deveria estar estudando. Mas são muitas coisas que eu deveria estar fazendo. Simplesmente não me acostumo mais em ficar sozinho, tô parecendo um daqueles pássaros migratórios meio fora do bando.

Mas eu me acostumo. A gente não nasce grudado em nada nem ninguém (salvo raras e tristes exceções). Eu aguento.

Quem sabe...

"Und morgen wird die Sonne wiederscheinen..."

domingo, junho 22, 2008

...e a cruz

Há tempos que não cito uma das minhas coisas favoritas, que é Loreena McKennitt, uma ruivinha canadense que produziu das maiores pérolas da música contemporânea. E uma das peças que mais me chamaram atenção na obra dela, é a canção the dark night of the soul (a noite escura da alma) - que remete a uma expressão não exatamente negativa, mas sim à idéia da contemplação de algo sombrio ou misterioso.

E o poema escolhido por ela foi um manuscrito sem título de um visionário do século XV, conhecido por São João da Cruz. O mesmo descreve com requintes românticos a relação do escritor com seu Deus; e apesar de algum homoerotismo implícito (proposital?) acredito que é uma das passagens mais belas e ricas da literatura que eu já pude ver.

Mais ou menos como Hildegard von Bingen (Santa Hildegarda), talvez São João da Cruz fosse um desses sujeitos altamente inspirados e atemporais que nos trazem um certo e perturbador mistério sobre o amor, sobre Deus, sobre a verdade...

Infelizmente só tenho acesso a tradução em inglês por enquanto, e é a mesma usada pela própria Loreena em sua canção que colocarei aqui. É exatamente ela que me lembra as boas coisas :-)

Upon a darkened night
the flame o love was burning in my breast
And by a lantern bright
I fled my house while all in quiet rest

Shrouded by the night
and by the secret star I quikly fled
The veil concealed my eyes
while all within lay quiet as the dead

Oh night though was my guide
oh night more loving than the rising sun
Oh night that joined the lover
to the beloved one
transforming each of them into the other

Upon that misty night
in secrecy, beyond such mortal sight
Without a guide or light
than that which burned so deeply in my heart

That fire t'was led me on
and shone more bright than of the midday sun
To where he waited still
it was a place where no one else could come

Within my poinding heart
which kept itself entirely for him
He fell into his sleep
beneath the cedars all my love I gave
From o'er the fortress walls
the wind would brush his hair against his brow
And with its smoothest hand
caressed my every sense it would allow

I lost myself to him
and laid my face upon my lovers breast
And care and grief grew dim
as in the mornings mist became the light
There they dimmed amongst the lilies fair

Factum est

"Existe uma violência instrinseca em ser pacífico".

domingo, junho 01, 2008

E o céu chora gotinhas geladas

Não se sabe até quando vou ficar ilhado nessa molhação das águas que deviam ter caído em março (porque no Rio, pra tudo tem uma música idiota) mas até que estou lidando bem com a violenta variação climática comum aqui no sudeste.

Apesar disso estou feliz, as pesquisas com células tronco embrionárias foram liberadas, ganhei um celular novo bloqueado pra claro (mas o celular é bonitinho!) o mundo é lindo, minha cadela está no cio... O que mais poderia melhorar?

terça-feira, maio 20, 2008

Finalmente escolhi os personagens de ópera que eu quero fazer. Dois na mesma ópera - Narraboth e Herodes na Salomé de Strauss. Por que me deu vontade de cantar logo dois coadjuvantes?
Vai saber!

Não sou o tipo de cara que pira com heroizinhos típicos de ópera, cheios de árias cantando os xavões de sempre. Ok, vou assumir: Não gosto daquela baboseira italiana de sempre. Não sou um herói, não sou divino... sou completamente humano, e definitivamente não me sinto inspirado fazendo um personagem plano e previsível. Gostei do Strauss por isso. Previsível é tudo que ele não é.

Eu e a... laje, tópico pitoresco

Hoje estive lendo uma matéria em um site sobre distúrbios psíquicos, e dei alguma atenção especial para a esquizofrenia. Assim como você eu entendo pouco sobre esta condição, que é uma das mais perturbadoras e tristes imagináveis.

Pelo que entendi, mesmo hoje em dia não se sabe ao certo o que causa a esquizofrenia. E, assim como o câncer, a esquizofrenia não é uma doença, mas sim, um grupo de patologias com sintomas que possuem alguma afinidade, mas não necessariamente desencadeiam-se de forma idêntica. Porém, o traço marcante da esquizofrenia, é retirar o indivíduo da percepção convencional da realidade e de si mesmo.

Um exemplo típico são as comuns alucinações auditivas; onde o paciente diz ouvir vozes que o perturbam com xingamentos, ameaças e julgamentos, ou também as perturbações de pensamento, também descreveria como perturbação de identidade, de difícil explicação e diagnóstico - o indivíduo sente alguma dificuldade em identificar a si mesmo por alguma razão (acha que é um alienígena, que não é humano, que na realidade é uma pedra, e todas as pessoas são pedras disfarçadas de pessoa tentando enganá-lo...)

Importante lembrar: Esquizofrenia NÃO é maldição, NÃO é falha de caráter, e também NÃO é possessão demoníaca. É uma patologia difícil, triste e complexa, que se fundamenta em mecanismos do corpo e da consciência humana ainda em processo de estudo pela ciência regular; então, é sempre bom evitar entender qualquer comportamento estranho ou violento dos outros como mero capricho. Nosso corpo é como um computador, às vezes ele pifa. E ter problemas psíquicos é como ter cárie, se você não se cuida, pode esperar que um dia o molar vai doer.

Estive falando nisso porque coincidiu de eu receber um convite para uma comunidade relacionada no orkut, e infelizmente possuo parentes que sofrem da doença. Pra ser bem sincero, às vezes eu tenho verdadeiro pânico disso, por estar na "lista de risco" da patologia. Essa coisa de querer viajar pra Marte, ter medo do Cão, ter dificuldade em manter rotina, ter certas atitudes de fuga, algumas dificuldades de associação e expressão de idéias... Espero que seja só um estado depressivo standart de adulto jovem. Mas uma coisa é certa: À toa, nenhuma doença me pega. E espero que também não faça o mesmo com ninguém.

Se ligue, não se perca num ralo qualquer.

sábado, maio 10, 2008

Queijo Gruyère

Consumam este queijo.
Ponto final.
(Nunca vi um queijo ficar tão bem com TUDO, fala sério!)

quinta-feira, maio 01, 2008

terça-feira, abril 22, 2008

Ps.:

Preciso dar um jeito sério de voltar a estudar alemão. Acho que sou a pessoa que conheço que mais gosta do Lied germânico. Nunca vi, fala sério. Estou com Lieder como adolescente com metal: Ao invés das tablaturas são partituras, e sempre correndo atrás de uma tradução. E cada Lied que consigo traduzir, é como uma faca que me rasga o peito (mas daquele jeito triste que é bom - você sabe do que estou falando) ou então como um brigadeiro (sei lá, tipo um ferreiro rocher) ou mesmo uma jóia rara - daquelas que você nem encosta direito com medo de estragar o brilho.

Agora que eu fui entender porque isso deu tão certo. Esses compositores conseguiram trazer para a música um certo amor, uma dor, uma sensação de solidão que viveram os poetas e os músicos que compuseram as obras (em dada época), que de uma maneira maluca representou magníficamente esta coisa noir, contemporânea, insólita que ainda vivemos. Cidades grandes, muitos mundos... E nenhuma comunicação com isso tudo. Então tudo que é de belíssimo fica íntimo, fica pequeno, tímido...

Um canto ali, um piano aqui... E todo amor que couber em um papel, uma voz e duas mãos.

Já estou cansando o assunto...

O bom de se acreditar em Deus é que, por mais idiota que seja, você tem um tipo de certeza contínua de que algo em algum lugar se encaixa. E que alguém perde tempo olhando por você. (Não simplesmente pra você como faz um transeunte com cara de taxo no meio da rua).

Certos tempos colocam nossos culhões a prova, e nessa hora eu percebi que não acredito em nada além da minha família e meus amigos. Meus Deuses.

A pior coisa do mundo num caso destes é sentir que as coisas não se encaixam. E que os Deuses não estão lá. É você e o monólito. Você e a lenda pessoal. Seja a tragédia ou o triunfo. Toda a odisséia está pronta. As bestas e os demônios estão em suas respectivas alcovas, com suas bocarras abertas, esperando aquele frouxo herói ousar dar os passos adiante para ser simplesmente devorado pelos mesmos.

Um herói leva consigo a terra, o suor e o sangue de suas origens. Tem algo tremendo e quase terrível de tão perfeito em si. Um herói tem uma certeza, e seu coração é um castelo repleto do seu passado, adornado com as boas memórias, onde moram os seus bens e queridos, e tem como tapetes as tragédias e os desafios.

Já eu me sinto um retirante numa tempestade de areia andando pra algum lugar que mais parece um buraco sem fundo. Quantas vezes um ser humano se sente assim? Meu Deus - quantas vezes alguém precisa olhar pra morte pra saber que está vivo? Quantas vezes precisa cair no poço pra saber que está em pé?

As coisas são o que são... e sejam lá o que forem, eu não as sei, não as conheço. É uma noite sem estrelas, é uma chuva em silêncio de vento frio, e à frente há o escuro.

Não fossem as palavras, estaria morto. Acho que não sei mais chorar.
Que porra é essa, né?
Dane-se.

sábado, abril 19, 2008

Allein, allein und immer allein

Por mais que eu não seja um astronauta, e muitas pessoas também nunca foram ao espaço sideral, é comum a sensação de vácuo num mundo tão cheio de gente tão cheia de si. mas não importa com qual força prendamos o ar e a sensação de self, a porra toda trava como um ciclo que não se fecha: Ser humano é estar em contato. É compartilhar.

Eu escrevi este blog pensando nisso. E por mais que ninguém o leia (também por mais que ninguém além de mim saiba o que realmente se passa na minha vida) continuo buscando reencontrar os elos rompidos.

Me sinto um pedregulho no vácuo, em algum lugar praticamente sem temperatura pelo espaço - preto e fundo.

Sempre uma canção...
Sempre uma pancada seca, ressoando fria no escuro...

 Die sich hier Gespielen suchten, 
öfter weinten, nimmer fluchten,
wenn vor ihrer treuen Hand
keiner je den Druck verstand:
Alle die von hinnen schieden,
Alle Seelen ruhn in Frieden!

terça-feira, abril 08, 2008

Wie eine Traum...

Heilige Nacht! Heilige Nacht!
Sterngeschlossner Himmelsfrieden!
Alles, was das Licht geschieden,
Ist verbunden,
Alle Wunden
Bluten süß im Abendrot.

Bjelbogs Speer, Bjelbogs Speer
Sinkt ins Herz der trunknen Erde,
Die mit seliger Gebärde
Eine Rose
In dem Schoße
Dunkler Lüste niedertaucht.

Heilige Nacht, züchtige Braut,
Deine süße Schmach verhülle,
Wenn des Hochzeitsbechers Fülle
Sich ergießet;
Also fließet
In die brünstige Nacht der Tag!

Clemens von Brentano

Ps.:

Na vivamúsica tô como barítono.

Sacanagem!

Uma coisa é te chamarem de barítono se você for, outra é ser barítono e ter culhão pra fazer aqueles repertórios pauleiras.

Quem dera que eu tivesse aqueles vozeirões. Mas não gente. É voz metálica e espetada mesmo. Esta porra que vos fala é tenor mesmo.
Quem dera que o mundo pudesse ser um pouco maior quando precisamos de espaço, e menor quando precisamos de tempo... Mas as coisas são como são. E não existe lugar para o medo.

A fraqueza é constante, e todos os vícios são como pólen para as abelhas...
Desagradável.

quarta-feira, abril 02, 2008

É tão bom ver os avestruzes com a cabeça num buraco e os vermes na carniça. Ó vida, ó lei do retorno.

domingo, março 30, 2008

Coisas que nunca se deve esquecer na faculdade

Todos são humanos,
todos estão tão confusos e estressados como você,
pessoas mais burras que você sobrevivem ao primeiro semestre,
o vestibular não é nada comparado ao tipo de coisa que se tem que fazer na faculdade,
você não vira bicho, continua digno de respeito como qualquer pessoa,
você ainda tem família, amigos, necessidade de se alimentar, de fazer sexo e de respirar,
pessoas vão falar mal de você, e as vezes na sua frente - simplesmente fale mal delas também,
alguém sempre aparece pra falar uma merda quando você está na merda,
normalmente você está na merda,
ninguém te trata com mais respeito porque você agora tem "nível superior incompleto",
no caso dos músicos, você começa a ter uma certa raiva de música e não ouve mais tanto,
no caso dos médicos, você só pensa em abrir uma clínica e ser um liberal,
no caso dos advogados, você se desespera,
você não é bom em nenhuma matéria - todas são difíceis,
no caso dos cantores, nada do que você canta serve, tem que ser outra coisa
no caso dos pianistas, todo mundo acha que você automaticamente sabe fazer arranjos,
no caso dos compositores, todo mundo acha que você compôe,
você nunca tem dinheiro pra nada, então não gaste o que você não tem com cartão universitário,
invente uma maneira de dar aulas do que quer que você esteja fazendo, por pior que seja nisso,
e principalmente: Estude! Quatro ou cinco anos voam, e a chance de não servirem pra nada além de um trote no primeiro dia de aula é enorme.

Experiência própria e alheia.

Ano passado eu fui o Diabo...


You are The Empress


Beauty, happiness, pleasure, success, luxury, dissipation.


The Empress is associated with Venus, the feminine planet, so it represents,
beauty, charm, pleasure, luxury, and delight. You may be good at home
decorating, art or anything to do with making things beautiful.


The Empress is a creator, be it creation of life, of romance, of art or business. While the Magician is the primal spark, the idea made real, and the High Priestess is the one who gives the idea a form, the Empress is the womb where it gestates and grows till it is ready to be born. This is why her symbol is Venus, goddess of beautiful things as well as love. Even so, the Empress is more Demeter, goddess of abundance, then sensual Venus. She is the giver of Earthly gifts, yet at the same time, she can, in anger withhold, as Demeter did when her daughter, Persephone, was kidnapped. In fury and grief, she kept the Earth barren till her child was returned to her.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.

Fancy, isn't it?

Do fundo do baú...

Achei um backup de arquivos antigos, inclusive gravações das minhas aulas de canto. Tomei coragem pra ouvir, e ouvi.

Posso dizer com certeza que tenho pena de quem me ouvia. Como eu era teimoso, meu Deeeus! Uma voz completamente nasal, atochada, presa... E as benditas professoras dizendo "falta espaço". E eu batendo a cabeça na parede feito uma mula.

Então, depois de um bom tempo, finalmente eu começo a engatinhar, a rastejar chegando aos pouco no que chega a se parecer com um tímbre relativamente bonito, e talvez elegante de tenor. Diferente da gralha com mania de se achar o cara da voz acutíssima, (que não passava direito de um sol3).

Parei pra raciocinar e fazer um balanço do que aprendi... E um conselho eu dou a qualquer cantor: Além de ter um bom professor, é preciso ter um bom senso crítico. Saber também se ouvir. Como se diz em inglês if it feels wrong, it is wrong. Bati muito a cabeça na parede querendo fazer o certo, e só deixava professores confusos.

Depois de tanto tempo, de não sei quantos anos tendo lições de canto, descobri o que nunca devia ter esquecido... Se lembra como a gente canta embaixo do choveiro? Relaxado? Garganta aberta, sem nenhuma sensação de prisão, desconforto ou estranheza? Pois é. É não sabendo fazer que a gente melhor faz, o resto é estética e estilo.

Ó vida. Ó dia.

Birgit Nilsson

É triste ter me tocado que a mulher existiu só depois da morte dela. Hoje em dia eu digo sem sombra de dúvida que esta foi o soprano dramático mais impressionante que eu já ouvi. Graças a Deus tive acesso a várias gravações dela, desde a Isolda até dona Elvira, passando por Lady Macbeth e muitas outras... Nada me decepciona. Realmente foi uma voz de aço no quesito de resistência e força, mas uma artista de morango com leite condensado quando precisava.

Taí, pra essa eu tiro o chapéu e estiro o tapete vermelho: Diva, diva, diva!


Birgit Nilsson em "Ozean, du Ungeheuer" (Oceano! Tu Poderoso Monstro) da ópera "Oberon" de Webber.
Mais cansado que velho asmático, sem um tostão no bolso, sem livrinhos pra estudar e enrolado na bendita faculdade. Além de tudo gripado. Quantas vezes eu adoeci esse ano?

Something could be any better than that?...

quarta-feira, março 12, 2008

Continuo a perguntar

Alguém tem um celular velho pra fazer um jogo? Pago em cash na mão! Vocês não sabem como é foda ficar sem um aparelho!

Guia de como passar na UFRJ pra música

Por favor, não me contactem com perguntas cretinas sobre o vestibular. Tudo o que eu posso fazer para ajudar já está escrito. Não me adicionem em redes sociais e não me mandem mensagens pessoais. Vocês já tem uma ajuda que eu não tive, dêem um jeito de usá-la a favor de vocês.

Aqui segue mais ou menos o esquema que eu fiz, e pro meu curso que tinha concorrência de 1,25 pra 1 me rendeu o segundo lugar:

I. Antes mesmo de sair o edital, veja alguns editais e provas antigas da faculdade (dos últimos dois anos, por exemplo) e selecione, entre as específicas, assuntos que se repetem e comece a estudar. É bom que em pelo menos uma específica você se sinta genial, por enquanto fique nas específicas.

II. Seja lá qual for o instrumento que você toque, solfejo e ditado cái pra todo mundo, então, com uma boa antecedência também é bom manter uma rotina de solfejo.

IIa.: Sabendo-se que não é nada prático estudar solfejo, e parece surreal estudar ditado, uma boa idéia é procurar peças corais de música antiga (preferencialmente em escalas regulares, mas se aparecem os modos, pega) e sair lendo voz por voz, do jeito que der. Canções folclóricas e outras peças vocais simples ajudam muito na familiarização com estudo de melodias. Melhor que método de solfejo, mas não dispense um.

IIb.: Não tem com estudar ditado? Peça alguém pra tocar um, ou em última hipótese, componha uma música tonal aleatóreamente (algo que você imagine que possa ser cantado), e leia depois, tendo atenção pra entender as relações de intervalos. Outro socorro é estudar intervalos harmônicos no piano / teclado. Perde um tempo tocando intervalos diversos e tentando entender os sons. E se você tem hábito por instrumento harmônico (violões e harpas incluídos), quando tocar, preste atenção nos acordes que você toca e os intervalos que as notas fazem entre si. Identificar e classificar os sons na sua cabeça já servem como guia na hora de um ditado ou solfejo.

IIc.: Sobre ritmo (uma parte que eu desprezei no meu THE) eu observei que a música popular, principalmente samba, maracatu e essas paradas, são bons exemplos de trabalhos difíceis em rítmica. Conseguir reproduzir os ritmos ouvidos em pauta ajuda na hora fazer a leitura rítmica (que vem junto do solfejo).

É muito importante ter contato sempre com a música, seja cantando ou ouvindo e analisando. E sempre que você tocar alguma coisa, tente memorizar os intervalos (você canta uma música que tem um salto de sétima menor ascendente, você faz o salto e tenta "decorar" aquele salto que você cantou); fazendo disso um hábito já torna as coisas muito mais fáceis (lembrando, claro, dos carros-chefes do solfejo - segundas menores, maiores, terças menores e maiores e os intervalos justos, o resto é consequencia).

IId.: Evite se atrever a fazer o vestibular com qualquer dúvida que seja sobre formação de acordes, tríades, tétrades, inversões, cifras e escalas (em suas diferentes formas). Prova de teoria não se "faz bem", se gabarita. (O assunto pode ser extenso - mas definitivamente contamos com um livro excelente e acessível no Brasil - Teoria da Música do Bohumil Med. Muuuito bom pra se preparar pro vestibular).

IIe.: (Mas não menos importante!) Tenha o hábito de cantar as melodias das peças que você executa. Nem que seja com voz de taquara rachada. Isso resolve o problema de inibição na hora do solfejo, e ajuda você a memorizar a sensação das notas no corpo. Excelente macete pra memorizar melodias, melhorar solfejo e até tocar melhor.

III.: Pro teste de execução é bom você estar bem maduro no que vai fazer; tenha uma rotina de ensaios. É bom escolher e testar o repertório com uma boa antecedência, e não conte com a sorte. Imagine de cara que você vai pegar a banca mais exigente, e se prepare pra dar o melhor, porque se você pegar uma banca de ovo virado... Se ferra!

IIIa.: Na prova de instrumento / canto também tem leitura a primeira vista. Usar peças folclóricas / populares como estudos de leitura também funciona bem - o importante é tentar ler, errar muito, mas não desistir de ler.

IV.: Quando chegar o edital da prova, veja o que muda em relação aos outros, estude todas as matérias específicas e português, que vale uma boa pontuação. Pratique uma redação de vez em quando, e dê uma olhada nas não-específicas que você é bom, se não tiver nenhuma, estuda só filosofia no wikipedia mesmo. Isso já garante uma pontuação razoável.

Resumindo - leia os editais, estude TUDO com calma e antecedência, não despreze NENHUMA parte do THE nem das provas e evite ficar estressado no dia do teste e das provas. Os professores devem imaginar que muitos candidatos não estarão na melhor forma, mas é bom contar que você não será um desses. E lembre-se que o THE na UFRJ vem antes das provas, é eliminatório! Mesmo assim NÃO esqueça que o que garante a vaga não é passar no THE, é passar no THE e fazer boas provas! :P

(Ps.: Dica de calouro - O maior stress da Escola de Música não é o vestibular, e sim a inscrição em disciplinas. Passar no vestibular é fácil, o difícil é ter resistência pra lidar com ponta solta e burocracia. E olha que beleza: Eu não sou nenhuma encarnação do Mozart e passei de primeira vez. O negócio é estudar, mesmo que seja pelo wikipédia, solfejando atirei o pau-no-gato e lendo deep river no teclado!)

domingo, março 02, 2008

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Travian!

http://www.travian.com.br/?uc=br5_17098
Joguinho legal: Você cria sua cidadezinha com romanos, teutões, gauleses - e passa mais dias e dias criando sua cidadezinha, depois suas tropas... Tudo muito sem pressa.
Pra quem gosta de estratégia e jogos em .html, vale a pena. Basta seguir o link acima :D

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Esta vai entrar pra história: sexta-feira, dia 8/02/2008 - A sexta-feira mais sinistra já registrada.

"Friday is gloomy..."

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Pensamento genérico

Costumo ver muitas coisas do tipo "gosto de pessoas simpáticas" e "sou sempre sincero" também alguns "detesto mentira e falsidade"...

Isso constrói uma imagem na minha cabeça - me dá a clara idéia de que estamos sempre procurando nos relacionar com "super seres" ao invés de pessoas normais. Pessoas normais sim... Nós somos falsos quando precisamos, mentimos quando somos encurralados, somos chatos quando estamos inseguros... E além de tudo, todo mundo tem um pecado sério a confessar (não há um único ser no mundo que não tenha o rabo preso).

Então temos algo perto de uma receita infalível nas relações interpessoais... Ora, se só gostamos de quem é legal, estas pessoas chatas ficam fora da jogada... E um dia que os legais se cansem de ser legais o tempo todo, também saem da "vibe".

Observei uma coisa semelhante a "solidão grupal" quando entrei em contato com esses grandes centros urbanos: Nesses lugares mais do que nunca há a necessidade de se criar grupos de amigos perfeitos, como se o ambiente hostil exigisse talentos sociais excepcionais das pessoas, que para se proteger, formam verdadeiras "empresas sociais" - os amigos atuam como ampliações dos atributos do sujeito. E se ajudam mutuamente na conquista do status.

Não sou eu quem vai condenar isso. Mas é triste observar até que ponto a alienação chegou.

Paro pra pensar nos vilões... Os maus, os pobres, os feios, os vis... O que será deles? Ninguém gosta dessas pessoas, e todo mundo se esforça pra manter o perfil "vencedor do BBB" pra se sentir em dia com o mundo.

Viver já é difícil. Imagina viver pensando nisso: "Tenho que ser melhor que sou, senão ninguém vai me levar a sério".

E como eu ODEIO gente que se leva a sério!
Por mais que a gente negue, a entidade que mais influencia nossa vida tem um nome só: Mãe.

Um pedaço meu foi naquele avião pra Fortaleza...

Seria tão melhor se o mundo tivesse uma única cidade. Ninguém precisaria ficar longe de quem gosta. Porra de saudade desgraçada...

domingo, janeiro 27, 2008

Mozart é a...

Ontem eu tive a certeza de que não sou deste planeta, ou que preciso de um tratamento psiquiátrico.

Desde o Caccini até Ronaldo Miranda e mais recentemente Ernesto Hartman (no hall dos bons compositores e vivos!) é sabido que eu sou dos atrevidos que vai mesmo e estuda tudo o que é interessante. Existe bastante coisa que eu gosto de cantar que pouca gente conhece. Mania por música esquisita, folclórica, experimental e subversiva (eu e os conjuntos folclóricos do Ravel - isso já ficou famoso, inclusive).

Porém, um repertório convencional, que todo mundo canta, não faz parte do meu cânone: Mozart.

Quem sabe tudo começou em uma tarde enevoada de segunda-feira, onde eu descobria o meu asco por aquele compositorzinho serelepe, meio crianção e metido... Falo como se tivesse conhecido o cara. Mas, de certa forma, quando se estuda música, você meio que desvenda a pessoa pela obra. E tenho a impressão de que não teria gostado da pessoa viva.

E isto se refletiu nos estudos - nunca consegui fazer nada do Mozart, oficialmente falando. (Extra-oficialmente pense em Cherubino e Papageno, mas não estou falando só de ópera). Era como se o cara escrevesse as peças de tenor, ou as canções agudas pra um tipo de voz, uma concepção de técnica que eu não conseguisse entender.

É engraçado - escreveu "tenor" e é de Mozart, eu não canto. Se você troca o nome do compositor, mas mantém a mesma melodia (se quiser, até transpôe uma segunda menor acima), eu consigo cantar. Talvez eu idealize.. Sei lá.

Então ontem eu peguei, e me atrevi - fui terminar de ver o Idomeneo (só a ária "vedrommi intorno") e terminar de estudar a melodia e as respirações do Tamino (aquela ária famosa). A coisa parece ter mudado de figura... Não é tão complicado. Só muito gay.

Mozart é muito, mas muito gay :P

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Passei no vestibular!!!

Bom, vou começar assumindo logo que parei de postar neste blog por causa do vestibular. Parece mesquinho, mas poucos sabem como isto tudo de vida estudantil me perturba. Eu terminei o segundo grau da pior forma, e toda minha formação básica foi difícil (apesar de ter tido a sorte e uma boa mãe que sempre fez o impossível pra me deixar em escolas particulares). E eis o resultado: Segundo lugar pro bacharelado em canto na UFRJ.

Tô feliz pra caralho.

Eu tinha pesadelos horríveis, achando que ia ter que refazer todo o meu nível médio, que a polícia vinha me buscar por causa de um certificado de conclusão falsificado, de que um funcionário se recusava a fazer minha matrícula na faculdade... Um monte de parada.

Sabendo que todos meus primos e primas estão cursando faculdades, alguns já tem mestrados, ganham bem e tal, me sentia humilhado. A banda podre da família sabe? Algo como "a bichinha subversiva e burra, aquele troço que foi pro Rio bancar o artista". É terrível se sentir assim. Algo que me faz sentir mal é este assunto.

Mas é ótimo saber que isso - esse pesadelo de incompetência e autoflagelação acabou. Acabou! Anos de medo, culpa, vontade de desistir, de "assumir o fracasso", de sumir... É bom saber que o meu ímpeto por seguir em frente, assumir o aventureiro, o sem-rumo, deu frutos. A partir desta nova notícia eu me tornei outra pessoa, minha jornada finalmente saiu do ponto inicial. Pela PRIMEIRA vez na vida eu me sinto capaz, realizado comigo mesmo, é o fim de uma longa e confusa depressão; era como se o peso de toda a desgraça do mundo tivesse virado uma montanha de sequilho, daquele bem docinho que desmancha na boca. Cara, eu me sinto finalmente gente.

"Um bom viajante não tem planos fixos nem a intenção de chegar"
- Lao Tsè.
(E obrigado ao tempo, a chuva, ao irmão, aos amigos, aos inimigos, ao atraso, ao medo, a frustração, a humilhação, ao desprezo, aos falsos, aos maus, aos pedantes, aos lerdos, aos desprezíveis, aos exemplos, aos vivos e mortos, a mãe, ao amor e finalmente obrigado, mil vezes obrigado a minha existência. Existir é o máximo!)
* Acorde Maior *
(com muitos metais, dobramentos de tônica e tímpanos eufóricos)

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Novela aérea II

Bem que eu disse que nunca mais iria passar fome em aeroporto. Realmente não passei. O lanche da volta ficou em R$ 1,90! E se não tivesse levado teria feito uma falta danada, pois o povo do Galeão não sabia dar informação de nada.
O caos não é aéreo, é terrestre... Abrem por engano o portão para os pobres belo-horizontinos voltarem para suas casas; dizem que a aeronave está aguardando autorização para pouso; depois era o ônibus que não havia para levar os passageiros até o avião; depois não tinha gente para dirigir o busão; por fim, aguardando autorização para decolagem. Passei 4 horas dentro de um avião no chão. Com 5 horas dentro de um carro eu teria conseguido chegar a Belo Horizonte.
O pior nem foi isso... foi dar de cara com a mesma tripulação que me trouxe de Curitiba. Fazer conexão no MESMO avião é sacanagem!
Mais uma coisa que aprendi sobre aviação: jamais fazer conexão no Galeão.

domingo, dezembro 09, 2007

Curitiba sem reais - parte III


Estou gostando disso de escrever aqui todo dia. Vou fazer sempre...

Ando de ônibus sozinha por aqui, não me perdi até agora. A passagem é R$ 1,90 durante a semana e aos sábados, e no domingo é R$ 1,00. VIU, BELO HORIZONTE, É BOM COPIAR CURITIBA NO PREÇO TAMBÉM!
Ontem fui ao Jardim Botânico, tirei fotos maravilhosas e estou encantada com a beleza e o cuidado que os curitibanos têm para com a cidade. Há muitas praças por aqui, e adorei ter visto, em pleno Centro, a galera sentada na grama tocando violão.
Nessa do Jardim Botânico, cara-de-pauzíssima-mor que sou, aproveitei a guia de uma turma de catarinas que descia de um ônibus de turismo. Como ela falava e eu não sou surda, acabei sabendo que essas florezinhas todas são trocadas a cada início de estação.
09/12 - Feliz Dia do Fonoaudiólogo!

sábado, dezembro 08, 2007

Curitiba sem reais - parte II

A conexão

Se um tal de Ademir Lopes aparecer na minha frente, eu caceto ele! Sujeito despacha a mala e não entra no avião...
Aí chego no Galeão, uma chuuuuuuva danada, o avião deu umas duzentas voltas em torno da cidade para poder pousar. Na hora em que recebeu autorização, ele foi de uma só vez, cara doido... eu acho que ele deve ter pensado: "é agora ou nunca!" E vuuuuuccchhhhh!!
Nenhum dos meus amigos (Nikki Saint, Maître D'Or e Bibi) estava lá para me receber, magoei! :´-(
Oh aeroporto desorganizado aquele... ninguém sabe dar informação de nada... mas deu tudo certo, e eu cheguei a Curitiba às 23:20.

A chegada

Dona Antônia, que tem uma república de moças, foi lá me buscar. A hospedagem? 60 reais pelos 4 dias.
Hoje de manhã, dia 8, tive que ligar para a mamãe. Adiantou muito eu comprar crédito para o celular, ele só funciona para receber mensagens aqui... que ódio. Comprei um cartão e o total com comunicações até agora está em R$ 25,80.
Estou procurando a Universidade Federal desde as 9 da manhã. Uma senhora me disse que era "logo ali, no final da avenida". Das duas uma: ou a senhora era mineira ou o ali do paranaense é igual ao ali do mineiro!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Curitiba sem reais - parte I

O início

Para variar, mais uma vez estava eu navegando de madrugada.
Era 21 de novembro quando entro no site da Gol para ver se a passagem para Curitiba ainda estava 100 reais, o que já me animava bastante em relação a conhecer pessoalmente o meu fornecedor. Coincidentemente, esse foi o dia em que a promoção “Cinqüentinha, Cinqüentão” entrou no ar e, qual não foi minha surpresa quando, ao procurar a o mesmo trecho novamente, descubro que ele estava R$ 0,50 ida e R$ 0,50 a volta!
Sim, era problema do sistema da Gol, mas, como eu não tenho nada a ver com isso, cara-de-pauzíssima que sou, comprei assim mesmo. Total: taxa de embarque + tarifa + taxa de envio: R$ 42,24. Liguei para lá e eles confirmaram minha reserva, ou seja, eu vou!
O executivo que vai até o aeroporto de Confins custa R$ 6,45 + R$ 0,30 de taxa de embarque na rodoviária de Belo Horizonte. Como eu sou uma pessoa a pé, o coletivo que me deixa na porta de casa custa R$ 2,40; contando ida e volta, só de passagem ficou tudo em R$ 60,54.

Execução do plano

É manhã de 6 de dezembro.
Acabei de voltar do supermercado. Comprei pão integral, suco light, presunto de peru e mozarela de búfala. O total deu R$ 5,74, o que dá para fazer uns 13 mistos.
Uma garrafinha de água mineral custa R$ 1,00, dissolvo o suco dentro dela e pronto. Acabou a água? Não tem problema, no bebedouro do aeroporto tem mais.
Brasileiro que não viaja acha que tem que fazer um banquete quando entra no avião. Foi-se o tempo em que se serviam faisões ao molho de alcaparras a bordo; hoje em dia o que as companhias fazem é cortar custos, mas, Gol, pelo amor de Deus, um saquinho de amendoim de Manaus a Brasília vocês estão de sacanagem com o pobre passageiro! Ainda mais depois de tanto atraso! [mode hungry blue=on]
Como eu ia dizendo, quem já acompanha as postagens de Gaakinha vai se lembrar de quando citei o caso dos argentinos que lancharam no vôo sem a menor cerimônia (http://especulante.blogspot.com/2007/08/novela-area.html). Pois então, farei o mesmo, já até preparei o pote no qual levarei os sanduíches. Vou fazer conexão no Galeão ainda, ficar 4 horas no aeroporto e, com fome, não dá certo. Sem contar que R$ 5,70 é o preço de um expresso com um misto num aeroporto. Ninguém merece.
Total de lanche: R$ 6,74 (ida)

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Futebol: a vergonha nacional

Ontem quase fico sem nariz.
Torcedores do Cruzeiro iam cantando felizes da vida no ônibus em que eu estava. Atleticanos na rua não gostaram e mandaram pedras no pessoal, sem dó nem piedade. Vidros estilhaçados, duas pessoas feridas, crianças e senhoras apavoradas. Isso definitivamente não é costume de gente civilizada, e quando digo aos nortistas, especialmente os manauaras, para não copiarem o sudeste, eu tenho razão.
Graças a Deus o motorista avançou o sinal vermelho para fugir dos atleticanos, senão a tragédia seria completa. Até havia um que queria descer do ônibus para matar o sujeito que jogou a pedra, mas eu, quase querendo apanhar numa hora dessas, mandei-o ficar "na dele", que não valia a pena esse tipo de baixaria. Conferi se estava todo mundo bem, ajudei os feridos, e, passado o susto, o motorista parou no pronto-socorro, a galera desceu, e então eu comecei a falar sem parar, sem ponto, sem vírgula, sem nexo, de tão nervosa.
É, pessoal, está na hora de pensarmos num projeto de lei que retira pontos dos times cujas torcidas venham a cometer atos de vandalismo, violência e desrespeito. Só resta saber se uma lei dessas pegaria no Brasil sem quebra-pau.

Aliás, que lindo o rebaixamento do Corinthians! Realizou o sonho de uma nação inteira!

quinta-feira, novembro 15, 2007

Lavagem de dinheiro


Esta imagem fenomenal, captada pelas lentes da câmera de Gaakinha, claro, sempre a postos, mostra o que mais acontece neste País: a famosa lavagem de dinheiro. Minha mãezinha ganhou alguns ovos de uma senhorinha muito humilde, e não tinha onde colocá-los. Guardou junto com o dinheiro. Ao chegar ao seu destino, esqueceu-se de que os ovos estavam na bolsa e jogou-a em cima do freezer...
Crédito da fotografia: por Gaaki Szans, 2007.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Doping

Aquela famosa nadadora procurou o médico e pediu para tomar uns hormônios para melhorar sua atuação nas competições. Depois de algum tempo ela volta ao médico:
- Doutor, depois que comecei a tomar os comprimidos, estão acontecendo coisas estranhas...
- O quê, por exemplo?
- Estão nascendo pêlos em lugar que eu nunca tive antes!
- Pêlos?? Mas onde??
- No SACO!

sábado, outubro 06, 2007

Misericórdia divina

Postada por XxBrunoxX na comunidade do Orkut Odeio aquelas formigas crentes

"Misericórdia Divina"

Aqui esta um texto que peguei de outro site que vale a pena postar aqui...

Vamos ver nessas contas quem afinal é que matou mais gente, Deus ou Satã?

Elas não serão totalmente precisas, pois serão drasticamente sub-faturadas, já que não se pode contabilizar quantos morreram no dilúvio, ou em Sodoma e Gomorra, e em outros incontáveis massacres.

Vamos considerar apenas os números explícitos na bíblia.

A mulher de Ló, por olhar para trás (gen. 19,26) 1 morto - Total: 1

Er, por ser mau aos olhos do Senhor (gen. 38,7) 1 morto - Total: 2

Onan, por derramar sua semente (gen. 38,10) 1 morto - Total: 3
Por adorarem o bezerro de ouro (ex. 32, 27-28) 3.000 mortos - Total: 3003

Por blasfemar (lev. 24, 10-23) 1 morto - Total: 3.004

Por recolher lenha no sábado (num. 15, 32-36) 1 morto - Total: 3.005

Corá, Datã e Abirão, e todas as suas famílias (num. 16, 27) 12 mortos - Total: 3.019

Queimados vivos por oferecer incenso (num. 16,35) 250 mortos - Total: 3.269

Por reclamar (num. 16, 49) 14.700 mortos - Total: 17.969

Por se prostituir com as filhas de Moabe (num. 25,9) 24.000 mortos - Total: 41.969

Massacre midianita (num. 31, 1-35) 90.000 mortos - Total: 131.969

Acã e sua família (josué 7, 24-26) 5 mortos - Total: 131.974

Ataque a Ai (josué 8, 1-25) 12.000 mortos - Total: 143.974
Cananeus e farizeus (jz. 1,4) 10.000 mortos - Total: 153.974

Eúde mata em nome de deus (jz. 3, 15-22) 1 morto - Total: 153.975

Moabitas (jz.3, 28-29) 10.000 mortos - Total: 163.975

Midianitas forçados a matar uns aos outros (jz. 7, 2-22) 120.000 mortos - Total: 283.975

O espírito do Senhor vem até Sansão (jz. 14, 19) 30 mortos - Total: 284.005

Mais uma vez o Sansão se enche de espírito santo (jz. 15, 14-15) 1.000 mortos - Total: 285.005

Deus ajuda Sansão a matar (jz. 16, 27-30) 3.000 mortos - Total: 288.005

Mais benjamitas (jz. 20, 44-46) 25.000 mortos - Total: 338.105

Por olhar dentro da arca do Senhor (1sam. 6, 19) 50.070 mortos - Total: 388.175

Filisteus (1sam. 14, 12) 20 mortos - Total: 388.195

Samuel mata Agague (por ordem de Deus) (1sam 15, 32-337) 1 morto - Total: 388.196

Deus feriu Nabal (1sam. 35, 28) 1 morto - Total: 388.197
Uzá, por tentar impedir a arca de cair ( 2 Sam.6:6-7) 1 morto - Total: 388.198

O filho de Davi, ainda neném ( 2 Sam.12:14-18) 1 morto - Total: 388.199

Sete filhos de Saul enforcados diante do Senhor ( 2 Sam.21:6-9) 7 mortos - Total: 388.206

Punição pelo censo de Davi ( 2 Sam.24:13) 70.000 mortos - Total: 458.206

Um profeta por acreditar na mentira de outro profeta ( 1rs.13:1-24) 1 morto - Total: 458.207

Deus entrega os sírios ( 1rs. 20:28-29) 100.000 mortos - Total: 558.207

Deus faz uma parede cair nos soldados sírios ( 1rs. 20:30) 27.000 mortos - Total: 585.207

Deus envia um leão matar um homem por não matar um profeta ( 1rs. 20:35-36) 1 morto - Total: 585.208

Queimados vivos por Deus (2rs. 1:9-12) 102 mortos - Total: 585.311

Deus envia dois ursos para matar 42 crianças (2rs. 2:23-24) 42 mortos - Total: 585.343
Morreu por não crer em Elias (2rs. 7:17-20) 1 morto - Total: 585.344

Jezebel (2rs. 9:33-37) 1 morto - Total: 585.355

Deus mandou leões matar alguns estrangeiros (2rs. 17:25-26) 3 mortos - Total: 585.358

Assírios (2rs. 19:35,) 185.000 mortos - Total: 770.358

Saul (1cr. 10, 14) 1 mortos - Total: 770.359

Deus entrega Israel nas mãos de Judá (2cr. 13:15-17) 500.000 mortos - Total: 1.270.359

Jeroboão (2cr. 13:20) 10 mortos - Total: 1.270.360

O Senhor entregou os etíopes (2cr. 14:9-14) 1.000.000 mortos - Total: 2.270.360

Jeroão (2cr. 21:14-19) 1 morto - Total: 2.270.361

A mulher de Ezequiel (ez. 24:15-18 ) 1 morto - Total: 2.270.362

Ananias e sua esposa ( Atos 5:1-10) 2 mortos - Total: 2.270.364
7 Mar Herodes ( Atos 12:23) 1 morto - Total: 2.270.365

Então é isso, a contagem nesse momento está em dois milhões, duzentos e setenta mil, trezentos e sessenta e cinco mortes, todas provocadas ou ordenadas por deus.
Vale lembrar novamente que esse número, apesar de grande, é apenas uma pequena parcela das mortes supostamente cometidas por Deus, já que não há como calcular quantos morreram no dilúvio, em Sodoma, ou em outros vários massacres a povos cujos números não foram divulgados na bíblia.

E quanto a Satã? Quantas pessoas ele matou? Vamos ver:

Jó 1,1 Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó. Era homem íntegro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal.

Jó 1,12 Ao que disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo o que ele tem está no teu poder; somente contra ele não estendas a tua mão.

Ou seja, Satã matou os dez filhos de Jó, mas reparem, com a permissão de deus! Logo, o correto seria ambos seres responsabilizados pelas mortes.

Mas enfim, vamos dar essa colher de chá. Temos então o seguinte placar:

Jeová: 2.270.365 mortes.
Satã: 10 mortes.

Ah, não resisti em pôr este "não-autoria própria" aqui. Esse povo fala tanto em biblia, tanto em Deus. E o camarada pegou a calculadora e me escancarou o queixo. Tá tudo lá!!! Gostei, gostei mesmo. Matemática complicada.

O matadouro

Como algumas pessoas fazem idéia, no último fim-de-semana do mês passado, eu me submeti, pela primeira vez, ao teste de habilidade específica pra música na UFRJ.

Ouvi todo tipo de absurdos sobre o terrível T.H.E; o bicho papão, a grande peneira de quem sonha num canudinho recheado com o mero título de musicista. Queria dizer que vale mais que isso, porém não me atrevo, a citação não vem de mim, e sim de um músico graduado.

A parte mais desgastante do teste, na realidade, é a semana anterior e a semana seguinte. Os dois dias do teste propriamente dito são chatinhos. Pelo menos pra mim foram, meu nome começa com "R" e eram nada menos que trezentos e tantos inscritos pra todos os cursos, e nada menos que cinquenta e quatro inscritos pra bacharelado em canto.

Foram quatro horas esperando a p* daquela gente toda ir cantar pra chegar a minha vez. Me pergunto se realmente haviam 54 pessoas conscientes do que é estudar música e trabalhar com isso. Gosto da sensação de estar fazendo parte de um contingente que talvez venha a consquistar mercado fixo no Brasil, e fazer parte definitiva do nosso quadro artístico.

Apesar disto contrastar com o que eu vi por lá, na espera pela prova.

Vi muita gente achando que ia cantar no Fama, achando que romântico é Djavan, e que clássico é aquela Ave Maria que a Sarah Brightman canta. Também vi muita displicência durante as provas de teoria e certas atrocidades em técnica vocal (repertório erudito, técnica belter. Como diz o Malafaia "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa"...)

E ainda assim eu me sinto ameaçado. O resultado não saiu, estou na expectativa de passar ou não... E fico conjecturando - será que algum desses caras que foi tentar pra bacharel, sem nem ter pianista correpetidor, passou no teste e eu não vou passar?

Não gosto de me colocar como estudante de música exemplar --- na realidade eu me considero bem subversivo em comparação ao perfil "nascido para Puccini" ou "reencarnação tupiniquim de Mozart". Eu tenho nojo desse povinho que se leva muito a sério. Mas alguma coisa de sério a gente tem que ter (menos essa parte mitológica ultraromantizada de ter nascido com um dom especial, e de que a música é divina. Isso é tão humano quanto vontade de ir ao banheiro. O que não faz da música uma ciência menos bela que qualquer outra).

Se tem um dom que eu acho que qualquer candidato a musicista deve ter, é o dom da paciência. A música é como uma mulher frígida - demora pra dar alguma coisa. E muito. Então há pessoas que se iludem e convencem a todos que conseguiram muito com ela - quando não é verdade.

Tenho alguns conhecidos músicos, e não poucos entre eles desistem da carreia por não saberem estimular a musa a um bom retorno financeiro.

Então penso se entre aqueles 54 candidatos pra bacharelado em canto, haviam alguns que estavam prontos pra aula em período integral, faculdades defasadas, mercado difícil, grandes exigências, muito trabalho... Muito esforço pra pouco retorno.

Até hoje me pergunto se esta foi uma boa escolha. E tenho a impressão de que se eu não estiver matriculado em um curso superior de música vou continuar cuspindo lixo e dúvidas por um bom tempo. Ou mesmo se estiver cursando.

Mas aí vai uma verdade: Queridos amigos estudantes - não deixem suas cidades natais para cursar música. Se for medicina, até vale a pena. Mas música sái mais caro que sustentar puta.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Frase do dia

"A vida é só para quem topa qualquer parada, e não para quem pára em qualquer topada."

- Dedicada ao meu amigo Edinho -

Crédito: "Filosofia de Boteco" por Mário Brito, da coluna "Bola Murcha", Jornal SuperNotícia, 03/09/07.

terça-feira, agosto 21, 2007

Manual da vida fácil

Não tem nada a ver com prostitutas que, aliás, vida fácil não têm coisíssima nenhuma.
Depois da notícia de vários falsos mendigos apreendidos nas ruas de Uberlândia-MG (veja em http://noticias.br.msn.com/brasil/artigo.aspx?cp-documentid=5318925), eu estou pensando seriamente em partir para a mendicância profissional. Apesar de ser contravenção penal, que prevê pena de 15 dias a 3 meses, os caras estão tirando cerca de dois mil reais por mês! Saem de suas cidades, pedem no horário comercial e depois voltam.
Viver no Brasil é muito bom mesmo...

sexta-feira, agosto 17, 2007

Frase do dia

"Olho gordo seca até cocô na chuva"
Só podia ser no Rio de Janeiro...

Novela aérea

Quem vai pegar avião nos dias de hoje já está preparado psicologicamente para os atrasos.

A estratégia do instrumento de sopro não deu muito certo em Manaus. Era mais fácil Gaakinha levar uma pedrada que conseguir ser alocada num avião. Tive a sorte de ter um funcionário conhecido por lá, que me telefonou assim que a aeronave pousou em solo manauara. Deu até tempo de voltar em casa para dormir.
Em Brasília, desembarquei quase na hora do almoço. A aeronave deveria estar em algum lugar do Brasil bem longe, pois o vôo para Belo Horizonte ia se atrasar em pelo menos 3 horas.
Hora do almoço, povo com fome. Povo com fome, povo estressado. E povo estressado esgotou o estoque de palavras cruzadas da parte destinada ao embarque. Chegou um momento em que começou a faltar comida. A lanchonete não deu conta da quantidade de gente com vôo atrasado na hora do rango... nem para a Gol oferecer uma barrinha de cereal naquela hora, poxa! Um estressadinho começou a brigar com a atendente: "você está me atendendo mal! É um absurdo isso! Eu não agüento mais esse caos aéreo!" - pondo no carteiro a culpa pelo preço do selo. Logo ele ouviu de um outro passageiro que estava com tanta fome quanto ele: "Não agüenta? Vai de ônibus!"
Depois de ter sido submetida a essa sessão de inanição, pretendo seguir o exemplo de um casal de argentinos: munidos de hambúrgueres, preparados em casa, abriram suas bolsinhas dentro do avião e fizeram "a farofa", com o suquinho oferecido pela companhia.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Será?

Após certos eventos, comecei a pensar um bocado sobre amizade. E o valor que as pessoas dão às outras...

É triste como a gente vale o que ganha ou faz. Raramente o mero fato de ser quem se é já é o bastante para que se tenha alguma atenção especial. Me lembrei que tinha uma doida que dizia assim:

That I would be good even if I did nothing
That I would be good even if I got the thumbs down
That I would be good if I got and stayed sick
That I would be good even if I gained ten pounds
That I would be fine even if I went bankrupt
That I would be good if I lost my hair and my youth
That I would be great if I was no longer queen
That I would be grand if I was not all knowing
That I would be loved even when I numb myself
That I would be good even when I am overwhelmed
That I would be loved even when I was fuming
That I would be good even if I was clingy
That I would be good even if I lost sanity
That I would be good
whether with or without you


Será que eu seria bom se eu fosse apenas... eu? Irresponsável, desligado, confuso... Só isso e aquelas coisas, e nada mais?

Puxando a orelha da mineirada...


E cada vez que Gaaki volta a Belo Horizonte tem mais certeza de que é mesmo de Manaus.
Não há lixeira nos ônibus, e não se vê um papel de bala jogado no veículo ou na rua.
Se tiver lixo no chão, principalmente plástico, pode ter certeza de que foi um belo-horizontino queimar o filme de Minas lá no norte.
Há belíssimas cavernas em Presidente Figueiredo, a 107km de Manaus. Não há uma gravação sequer. Aliás, há uma. Se você procurar bem, pode ver que nessa gravação de "nome de casal com coração" vai estar um MG ao lado.
Andando pela mata fechada, nas trilhas, não se vê uma ponta de cigarro no chão, um papelzinho, nenhum copo descartável, nada.
Navegando pelo rio Amazonas, chamei a atenção de uma garota que jogou um copo descartável dentro do rio. A mãe dela ficou muito sem graça e disse à criança que eu tinha razão. Se isso ocorresse em Minas, o mínimo que iria acontecer era eu ouvir um "o que você tem a ver com isso?", e em seguida viria o pai da criança e me daria um tiro na testa.
Os mineiros que me perdoem, mas só posso pensar isso ao ver boa parte das igrejas de Ouro Preto com as paredes todas destruídas pelas gravações de "nome de casal com coração". A cidade é um depósito de guimbas de cigarro a céu aberto.
Mineirada, cuidem das cidades. Gosto muito de vocês, mas jogar lixo no chão só "porque todo mundo faz" é coisa de gente sem cultura, que confunde democracia com libertinagem.
E, amazonenses, parabéns pelo zelo para com seu patrimônio. ;-)
(Foto: pôr-do-sol no Rio Amazonas, próximo a Itacoatiara-AM)

quarta-feira, agosto 15, 2007

Caso Richarlyson

Pegando carona no que disse o Maître D'Or...
Não interpretem o meu comentário como homofóbico, entendam que estou dissociando sexualidade de cultura, educação e bom senso. Confundiram as coisas em relação ao Richarlyson, só porque o cara é bem educado e sabe conversar.
A finesse está longe de ter algo a ver com sexualidade. Conheço homossexuais que são uns amores, e outros que são verdadeiras porteiras, assim como conheço heterossexuais que são uns amores, e outros que são verdadeiras porteiras. É questão de cultura... de berço!
Homofobia é crime, e por mais que você, Richarlyson, não tenha sido diretamente ofendido, o juiz que proferiu tamanhas barbaridades acerca do assunto merece, sim, um processo e uma destituição de cargo, no mínimo. Ele ofendeu boa parcela da população. Um cara que diz defender o Direito não tem o direito de dizer o impublicável.
Richarlyson, você pode ser o que quiser, homo, hetero, bi, pansexual, ninguém tem nada a ver com isso. É seu direito ser feliz, e seu dever jogar bola, garoto! Vai fundo! Muito sucesso para você.

sábado, agosto 04, 2007

É isso que dá colocar cavalo pra falar

Detesto - detesto ter que falar do mundo real onde não existe cultura, e onde as massas se degladiam e destroçam seus bodes expiatórios.

Como todos sabem, eu faço parte de uma leva de pessoas revoltadinhas com religião. Entre estas pessoas, a maioria viadinhos e outros marginais que tentam apelar para o inexistente senso do ridículo sobre as ainda vivas práticas de certos cultos aê, pô.

E hoje enquanto eu e ele estávamos num triste momento de morgação televisiva (a falência do livre arbítrio cultural, marca da condição geral no terceiro mundo) nos encontramos com um desses macabros programas evangélicos que varrem a televisão brasileira hoje em dia mais que nunca.

Foi quando percebi que o gritante (porque pastor pra mim é um cara caladinho com um pau na mão tangendo ovelha) era nada menos que Silas Malafaia (ou Silas Maracutaia, como alguns gostam).

O discurso, a princípio, parecia se tratar de um daqueles convencionais sobre "como o demônio rouba seu dinheiro"ou "agradeça a Deus o dinheiro que você tem dando-nos um dízimo¹" - mas não! De repente ele soltou aquela palavra mágica, que vinda da boca de um cristão já me gela a espinha. É como uma maldição... Então ele disse homossexualidade.

Pensei que depois de alguma insistência de nós, as bichas, para abafar o caso Rozângela Justino (vulgo Rozângela Desajuste) alguma coisa boa ia acontecer, e esse pessoal se tocar de que as bichas também são um bom mercado dizimista. Ou não, bicha só gasta no Ponto e no shopping. Não deve ter dado certo.

Foi uma luta pra manter a programação naquele canal, de tão desagradável que era a falação.

O homem era como um predador: O tímbre gutural, sempre imperativo, gritava comandos e morais, dizia, desdizia... Era um horror. No final das contas a reflexão espiritual sobre o homossexualismo (retornando a linguagem da patologia) era de que "o homossexualismo é comportamental. Não é uma coisa genética² como os gays querem dizer - é como o vício em cocaína ou álcool, é algo que se aprende ou se imita." E aquele desenvolvimento Velho-Testamento de sempre seguido por "amém" dos fiéis; naquele climinha mórbido dos templos deles.

Depois de bem mais de sete anos que o homoerotismo não é mais considerado patológico, depois de não-sei-quantas paradas e manifestos, e issos e aquilos ainda temos que conviver com esse fascismo. É triste, é triste...

O que eu me pergunto é: Isso só incomoda a mim? Estou há duas horas procurando a forma mais adequada de xingar esse homem, e algum mecanismo legal para queimá-lo em praça pública.

Não, eu não sou contra a liberdade de expressão. Não faço parte da sociedade secreta e conspiratória das bichas riquíssimas que dominam a mídia em uma realidade alternativa. Sou um cara normal, que é gay, e se incomoda ao extremo com as leis de Moisés interferindo no meu direito de ir e vir na esquina.

ISSO DEVIA SER PROIBIDO! As afirmações altamente especulativas feitas pelo religioso em questão tem caráter subversivo e fascista. Uma pessoa não pode se vestir de ciência em um ponto (para afirmar com razão limitada que o homoerotismo não é encontrado em nenhuma cadeia genética específica) e esquecer-se de outro fundamental (que há vários anos a sociedade psiquiátrica mundial aboliu o termo homossexualismo do quadro de patologias e para todas implicações legais, psíquicas e físicas, homoerotismo NÃO é classificado como doença).

Então chega! Aqui vai uma sugestão, quem quiser vir no bonde que venha: Assim como as ovelhas seguidores da Maior Farsa da História subvertem o real significado da política e criam seus partidos de superstição e subversão; nós, os viados e sapatões deste Brasil também devíamos tomar uma boa dose de vergonha na cara, arregaçar as mangas e mandar umas dúzias pro Palácio do Planalto ir votar umas certas leis.

Vamos sair do armário do poder político e mostrar que a opção ou condição que nos relega ao getto também pode nos levar ao palanque e mostrar nesse país, de uma vez por todas, que gostar de macho sendo macho, ou de cocota sendo mulher é problema nosso, e nosso apenas.

Seja por influência do Cão, por genética, poderes mutantes, oposição de vênus e urano, ser filho desse ou daquele santo; ter sido estuprado na infância, ter nascido no corpo errado ou simplesmente ser quem somos e por acaso sermos gays. E repito: Não há nada de feliz em ser gay. Tem que ser muito, mas muito macho!
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¹: Não se engane, a matemática dos dízimos hoje em dia está longe de 10%. Alguém aí falou em Thiffany's?
²: Como se todos os gays do mundo argumentassem isso. Especulação por especulação, prefiro a conjectura sobre vênus e urano.