sábado, agosto 18, 2012
Depois de ter vindo do Rio de Janeiro e desta minha experiência com os gringos, lamento por dizer estar muito decepcionado com o que vi na minha bela cidade.
Antes via a situação da oficiosidade aqui no Ceará, do hábito ao invés da lei, do jeitinho ao invés do que é correto até o ponto em que me perguntei como as pessoas vivem no "mas é assim mesmo", sabendo que existe uma elite que nem educada é, e pisa em cima dessa massa de gente pobre, mas as pessoas aceitam.
E todo mundo se acostuma a tudo resolver com jeitinhos ilegais, improvisações e acordos irregulares, aceitam o absurdo e o abuso como parte da vida e as pessoas estão aí sobrevivendo sem saber que tem direito a serem respeitadas. Pois no Ceará o que se diz é "rapaz, não se estresse não, a vida é assim mesmo".
E tudo o que vejo no Brasil é anarquia, cinismo e megalomania (como um show do Placido Domingo pago a três milhões de reais no centro de convenções em Fortaleza para um punhado de convidados que não fazem nem idéia do que significa Fanciulla del West, um artista da maior grandeza que foi mero passa-tempo de um bando de novos ricos que só sabem comer e comprar roupa). Eu não sei mais o que dizer do meu país, tive vontade de chorar com o que já vi nessas férias.
As praias estão lindas, sim! A orla está cada vez melhor... Mas a vida na periferia e nos ônibus que vão até a parangaba estão cada vez piores, está tudo cada vez mais difícil para quem é pobre. Há dez anos atrás eu pegava um ônibus desse lotado, mas conseguia ficar em pé, já hoje, fiquei de ponta de pé com a barriga encolhida e me segurando com uma mão só para dar espaço às pessoas que quando saíam do ônibus pisavam categoricamente no meu pé e me empurravam como um saco de merda sem ao menos cogitar pedir desculpas. Imagino uma pessoa ser obrigada de viver nisso... Não dá.
Além disso, os motoristas de Fortaleza usam a buzina como uma arma, eles te coagem a correr, a abrir espaço fazendo cara feia e xingando se você os fez perder cinco segundos do seu precioso tempo. São pessoas capazes de atropelar alguém porquê estão certas da impunidade (afinal a polícia aqui não funciona) e do "jeito daqui".
Por favor, não contrate sem carteira assinada, se errou, peça desculpas, não faça barganhas absurdas em cima de vendedores que ganham por comissão, só porque você tem um carro, não quer dizer que você tenha o direito de fazer os pedestres correrem porque você acha engraçado, peça licença, diga 'obrigado', se interesse pelas pessoas que você acabou de conhecer, e principalmente, aprenda a respeitar quem nunca vai te dar nada em troca, só assim esse país fica mais justo.
Esta é a minha nota de repúdio. Isso aqui está uma barbárie, dá desgoto de ver como isso funciona. Para quem tem dinheiro é sempre bom. Os ricos vão ser sempre os ricos mesmo que eles estejam no inferno. Nesta cidade se vive uma guerra civil não declarada. É rico contra pobre, polícia contra ladrão e bandido contra bandido - aqui não tem mocinho.
Aqui a lei é o dinheiro, a rede de contatos, o "jeito daqui". Aqui não se diz a verdade, não se procura direitos e nada se critica, tudo se aceita e nada se transforma. "Svm qvi svvm".
Gostaria de dizer que não, mas hoje eu tenho vergonha de ser brasileiro e nojo de ser cearense.
sexta-feira, agosto 17, 2012
E a saga continua
É impressionante quando você FOGE de uma coisa como o diabo foge da cruz, a coisa vem pra cima de você, e eu vim de férias querendo sossego, querendo parar toda essa tensão, todo esse acúmulo de pressão em cima do meu corpo enquanto eu estive fora, mas vi que o trabalho continua. Mas pelo menos hoje tenho a capacidade de reconhecer que algo precisa ser feito quando precisa ser feito, existem coisas que não podem ser ignoradas, e existem batalhas que precisam ser travadas também do lado de fora, não só na instrospecção misteriosa que não divide opiniões e não faz a alquimia de poder estar errado...
Como é bom poder não ter razão sobre nada...
quinta-feira, agosto 02, 2012
Se nós temos utilidade para alguém, existimos, senão, nos tornamos nada. Eu entendo isso, pois o mundo tem pessoas demais, então temos que escolher com quem vamos lidar, senão passamos a vida lidando com todo mundo, mas é triste saber que eu perdi a utilidade para tanta gente. Além disso, pessoas que eu admirava, percebi que pouco se importavam com a minha existência, mas o tempo passou suficientemente para me provar que eu sobrevivo à solidão. O mundo que eu conhecia acabou, a infância acabou, estou pronto para viver como a maioria das pessoas no ocidente - é cada um por si, e só.
É bom saber que ainda tenho meus amigos, que ainda existem pessoas que se importam comigo, embora não sejam muitos. Mas nunca são, enfim percebi.
sexta-feira, julho 27, 2012
quinta-feira, julho 12, 2012
Mapas da conversação do Ramir
Mapa da anglofonia no mundo:
Mapa da lusofonia no mundo:
Mapa da francofonia no mundo:
O legal nesse esquema é que agora eu posso viajar pra mais lugares e saber que os vendedores não vão me dar volta com o preço das coisas! Já tem pelo menos uma parcelinha do mundo oriental, hehe :-)
No final das contas dá isso!
sexta-feira, abril 13, 2012
Ai ai, eu não mudo.
terça-feira, abril 03, 2012
Sicvt cervvs
Sim, sim, estou feliz! É tanta felicidade, tantas oportunidades, tanta liberdade, tanto tudo que não posso dizer nada, estou tremendamente grato por tudo. Pela bondade, pelas coincidências, por tudo. É um sonho - uma vida sob bênçãos infinitas, talvez. Quem diria que depois daquele dia, daquele que eu não sei mais em 2004 que eu decidi ir embora, e fui. E oito anos depois eu estou aqui, o mesmo Ramir sonhador, ingênuo, despreparado e sempre anti-perfeccionista. Sempre se apaixonando por tudo a sua volta.
Me pergunto como eu tive tanta coragem. De onde ela veio? Eu sempre manteiga-derretida que só eu, eu sempre apegado e colado ao meu redor, fiz uma volta aos improváveis e vivo nas estrelas. Às vezes um frio de lascar que faz lá em cima. Eu vivo o impossível. O impossível em mim mesmo. Sou uma pessoa que tem inimigos, que não tenho sossego, e isso é uma coisa verdadeiramente minha. Tem sempre algo me perturbando, nem que seja a falta de perturbação. Eu sou uma pessoa inquieta por natureza.
Mas... sabe... agora o medo é de não ter mais nada, de retornar ao zero, de estar ali entre o nada e o nulo. Mas a vida é sempre uma experiência no frio das estrelas. Existe a luz, o frio, o mistério e a solidão. Somos feitos em unidades pois cada experiência humana é solitária. É uma sina rumo ao encontro derradeiro com a extinção - o momento mágico do verter do sangue, do quebrar dos ossos, do partir da consciência rumo ao negro, ao nada.
Agora o fatalismo me aterroriza. É do nada que tenho mais pânico. Do vazio, do indissolúvel mistério magno. E assim como o cervo deseja as fontes, eu desejo o infinito... eu desejo o êxtase, eu desejo o que alguns chamam de Deus, outros chamam de impossível.
Mas eu já vivo o impossível.
Quem sabe?
segunda-feira, março 26, 2012
L'amour
sexta-feira, março 02, 2012
A Guiana Francesa
do Rio de Janeiro com escala em Paris indo para Frankfurt na Alemanha, e somente depois eu iria
para a capital da Guiana Francesa - a cidade de Caiena.
post de ontem
É uma loucura! Eu saí daquela casa, daquela vida, eu ali com 68kg, cheio de idéias na cabeça... e sobrevivi.
Apesar de estar magoado com algumas pessoas, e estar com uma impressão de muita inquietude, preciso me curvar ao sublime momento: Fazem sete anos que a minha vida mudou.
Depois desses sete anos estou aprendendo que as pessoas podem se virar sem mim, que eu posso me virar sem elas, e que existe muitas formas únicas, absolutas e certas de ser feliz. E além disso, que eu sou um cara muito estressado!
Então eu peço aos amigos, familiares e colegas que sabiam que a vida muda! Eu era um cara "cheio de problemas", e sobrevivi. Eu passei três anos da minha vida praticamente sozinho no Rio de Janeiro, e sobrevivi.
Deixem de ser medrosos, infantis e se aventurem! O mundo é uma bagunça, tem gente filha da puta em toda esquina do mercosul ou na união européia, mas o importante é viver sem depender de ninguém pra dizer que você vale alguma coisa!
Obrigado Rio de Janeiro! Por toda raiva, todo egoísmo, toda pobreza, toda humilhação, todos falsos amigos, todos os "vamos marcar" e toda a experiência que eu ganhei nessa terra de gente corajosa, de mil oportunidades e de quatro estações no mesmo dia!
O futuro... à Deus pertence!
E a mim, hehe.
quinta-feira, março 01, 2012
BLOGGER QUERIDO
sábado, fevereiro 11, 2012
Sem título
sexta-feira, dezembro 30, 2011
J'ai la vie qui tourne...
Como de costume, todo ano posto uma nova carta de tarot que representa o meu momento, segundo um sitezinho bobo. Mas elas vem sempre a calhar nas respostas. En regardez!
You are The Wheel of Fortune
Good fortune and happiness but sometimes a species of intoxication with success
The Wheel of Fortune is all about big things, luck, change, fortune. Almost always good fortune. You are lucky in all things that you do and happy with the things that come to you. Be careful that success does not go to your head however. Sometimes luck can change.
What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.
quarta-feira, dezembro 28, 2011
Revelacoes
Votos para 2012
Que doa, e doa muito! Amor, ódio, dor, prazer, frustração... Pra que cada momento, cada pequeno segundo que desfrutemos de uma real satisfação seja o que ele é: Digno da nossa mais doce e feliz memória. Esse é o meu voto pra 2012 - que cada um de vocês sofra o que tiver que sofrer, e que a partir do sofrimento venha uma felicidade derradeira - a felicidade de se viver neste planeta, nesta vida humana, cheia de altos e baixos. Vivam... Cada um de vocês... Vivam!
(...)
Isso me incomoda muito, precisava registrar mais esse tormento - nao se vive sem sofrer, e nao se pode existir nesse mundo sem viver. O sofrimento eh tudo que eh a luta, a frustracao, a espera, a dificuldade... Que sejamos herois, cada um em nossa propria historia, nosso proprio Gotterdammerung, que vençamos a cada dia o tédio, e o ciclo dos nossos vícios... Que aceitemos com a vontade de uma criança cada desafio... que paremos de sentir pena de nós mesmos e nos explicarmos e justificarmos por tudo.
Nos sentimos sozinhos, sonhamos, queremos, desejamos... Mas sem o sofrimento tudo isso vira banal. Entao que sejamos gratos pelo nosso sofrimento diario. Que seja bento!
(...)
De repente eu penso assim pq as vezes eu vejo a vida como um "jogo" de acumulo de experiencia. Tudo o que for experiencia, memoria, eu quero. Doa, incomode, de vergonha, irrite... Nao gosto de me proteger, o meu verbo eh 'conhecer', 'experimentar'. A cada dia eu tento romper mais uma barreira de medo e preconceito e vejo como estou colhendo os frutos de nao ter sido mimado e querido uma vida previsivel...
segunda-feira, novembro 28, 2011
A casca vazia
Assim como tive que aturar - não tenho outra opção de verbo - a falsa modéstia, a falsa auto-piedade (que é pior que esta simples falência da moral), assim como ao puxasaquismo e a prostituição de caráter (quando o cabeça oca é cabeça oca, é uma coisa, agora quando o burguesoide é o que pensa que lhe vai elevar, e fazendo isso seca a própria - triste, triste, triste... E pensar que olhando pirita, eu imaginei que era o ouro que eu já tive na mão). Que Deus me dê olhos a partir deste dia! Quero conseguir ver além do alcance do tédio e das simples carências caprichosas.
Seja feliz, meu pior inimigo.
Pena que você não existe.
sexta-feira, novembro 18, 2011
Meu diário de bordo
Estou finalmente comigo mesmo, em silêncio com as minhas idéias, e em processo de cura de todas as feridas. Posso dizer que são algumas... as que eu sinto e as que eu provoquei. E o que me incomoda é esta sensação de que eu tenho a obrigação de saber o futuro, que eu tenho que conhecer todos os mistérios da vida e da morte, e eu só tenho vinte e cinco anos. Isso dói.
Conversei muito com uma pessoa que sabe umas coisas da vida, e ele me disse “por que você pecisa saber tudo?”
Não sei. O verbo é sempre este maldito. Então sigo assim, tentando saber porque eu tenho que saber... por que eu tenho que ter certeza, e controle, e tantas outras coisas que me faltam. Me falta a felicidade. Durmo e acordo todos os dias aqui com a sensação de que eu fiz ou farei mal a alguém. Quando me lembro de todas as palavras que foram ditas, todas idéias que foram tomadas – as decisões não foram a do coração. Aliás: Parece que nunca foram.
Sempre que procurava o outro, fazia por mim somente, e por mais que eu tentasse, continuava com meus segredinhos, minhas opiniões nojentas, minhas impressões de que eu sempre via algo além do alcance. Talvez eu veja. Mas me sinto um fiasco.
Ao invés de romper a barreira do silêncio, preferi inventar motivações malucas e me aventurar no meio de uma tormenta de gelo... vejo que precisava me mexer, mas meu coração definitivamente está um trapo. Estou novamente como há três anos: destruído.
Não queria ter feito mal a ninguém... não queria ter magoado ninguém, queria somente ser feliz... E não adianta dizer que é só trabalhar e viver relações de vista clara e trinta minutos por semana – um dos melhores mistérios do ser humano é o mistério da intimidade.
Eu digo isso, mas sou um fracasso, um verdadeiro fracasso de gente que vive enterrado em tesão, e vontades superficiais e idiotas. Agora eu que pague com lágrimas amargas, quem eu já quis do meu lado, hoje mandei pro raio que o parta. Então será frio, e sonhos destruídos. E hoje me digo: bem feito seu preguiçoso egoísta.
Adeus à intimidade, adeus à sensação de ser único... estou de volta a ser só mais um que se acha na rua. Bem feito. E que eu me torne alguém deste mergulho no estígio. Tudo o que eu queria eram os sorrisos... agora serão lágrimas, e a terrível subjetividade da tristeza amancebada com a incerteza.
Que Deus exista,
preciso de um pouco de luz...
sábado, outubro 15, 2011
sábado, outubro 01, 2011
domingo, julho 24, 2011
segunda-feira, julho 18, 2011
terça-feira, julho 12, 2011
A montanha mágica
domingo, junho 26, 2011
segunda-feira, junho 20, 2011
domingo, junho 19, 2011
terça-feira, maio 17, 2011
Crises
Abaixo ao mal
quinta-feira, março 10, 2011
Só peixe, só nada...
quarta-feira, dezembro 22, 2010
Descobertas de 2010
The older, the better.
Eu me accostumei a ficar só.
2010
Esse foi o ano mais corrido que eu já tive. Essa é uma tendência crescente do meu tempo: Cada vez mais corrido, cada vez mais tenso. Isso é bom, estou pegando o jeito de "dar conta" da minha vida. Isso tem um custo elevado na saúde, mas a gente vai apredendo - aprendendo principalmente a desacelerar, e se julgar menos.
Infelizmente eu não termino esse ano muito bem, estou cansado, desorientado, sem óculos, e insatisfeito. Estou me sentindo só. Mas não só como um transeunte, e sim só como um esquizofrênico - todos estão ao redor, e parecem estar a quilômetros de distância, como se eu falasse muito alto e ninguém ouvisse. É muito frustrante.
Mas estou sempre assim "não tenho tempo pra essas coisas". "Viel Geld, keine Zeit..."
=/
Onde eu vim parar?
segunda-feira, junho 14, 2010
As vozes e as vozes, e as confusões
quinta-feira, dezembro 31, 2009
Descobertas de 2009
Comida Chinesa: Bem mais legal do que eu pensava
Bicicleta: Um must-have para pseudo sedentários como eu.
Álcool gel: Nem um pouco aflito com a gripe suína, mas lavar as mãos com aquilo é um luxo.
Laringe baixa: Não dá pra cantar sem abrir o gogó. (Não é bem uma novidade).
All-Star de couro: Porque é chique pra caralho.
Aspirador de pó: Melhor amigo dos alergicos a pequenas partículas.
Fim da economia porca: Não resolve nada, e você gasta do mesmo jeito por causa do stress.
Falar!: Ir lá e mandar a real. Normalmente soluciona os causos. Fantástico.
Esse foi um ano e tanto!!!
segunda-feira, dezembro 28, 2009
2009
Tudo que era no mínimo improvável de acontecer, aconteceu e se repetiu. Me estabilizei, a faculdade começou a fazer algum sentido, comecei a trabalhar, e tantas outras coisas. Foi um ano cruel, teve aquela operação e tudo...
Além disso, passou rápido, como uma batalha: Uma pancadaria, uma confusão, e de repente estamos no dia 28 de dezembro! Ah que ano estranho... Aprendi que cantar pode ser bem diferente de fazer música, aprendi que fazer música é bem diferente de ser acadêmico, e aprendi que ser acadêmico e bem pior do que ser cantor. Preciso escolher um de cada vez!
Sinceramente foi o primeiro ano que eu GOSTEI. Sofri que nem o cão, mas o saldo foi positivíssimo.
"Feels like I'm in Heaven..."
domingo, dezembro 27, 2009
sexta-feira, maio 15, 2009
Deserto
quarta-feira, outubro 08, 2008
Plantas
Vou encher meu quarto de cactos daqueles dos vasinhos pequenos, hauhaua.
domingo, outubro 05, 2008
A Crise Estudantil
Até as primeiras semanas do primeiro semestre, tudo são rosas. Mas depois que você se desorganiza e deixa as inseguranças tomarem um pouco a frente, tudo que é música começa a te dar verdadeira RAIVA. Então você tira todo aquele texto bonito que colocou em "Música" no orkut, começa a esquecer seu mp3 player de propósito, ou simplesmente não ouve mais música erudita...
Estive sinceramente pensando sobre isso: conheço mais de um punhado de bons instrumentistas e cantores que parecem definitivamente não gostar de música! Eles chegam, fazem o que tem que fazer, e depois nem sequer falam sobre isso. Então a música deixa de ter o seu propósito fundamental que é a catarse. Se torna uma profissãozinha, um estudinho barato e medíocre.
Quando percebi que estava me tornando um desses, eu não raciocinei muito e deixei rolar. Eu também estava de saco cheio daquela porra toda. Meio que a música se torna isso: Harmonia, percepção, formas... Vira um conjunto de cadeiras de faculdade. E uma coisa especialmente sem sentido: Você está estudando aquilo tudo (que não é fácil) pra depois se juntar com outras pessoas e organizar todos aqueles sons pra fazer alguma coisa. Mas o quê? Pra que diabo serve isso?
Eu não me atrevo a responder. Só não custo a dizer que esses dias fui questionado por alguém importante, e essa pessoa me perguntou "não foi isso que você escolheu fazer?" Por que diabos eu escolhi isso? Só por que eu me considero bom? Só por que eu acho que tenho "talento"? Não - eu gosto de música. Algumas vezes eu deixava um pouco de falar nisso porque ficava constrangido na frente dos colegas da faculdade, que infelizmente já tinham se tornado mesquinhos, e eu ainda não.
É realmente importante não deixar a ingenuidade, se faz algo porque se gosta disso, e algumas vezes isso nos expôe mesmo. Antes de querer ser um profissional em música, eu quero ouvir muita música, e curtir bastante. Acho que isso é no final das contas o que importa. É esse o prazer. Não é ter a melhor leitura ou a melhor técnica, é estar bem com o que se faz - e nunca deixar que nada seja capaz de transformar algo tão sublime em chacota ou profissãozinha, ou algo que te distancie de quem as pessoas realmente são.
Me metido com música porque gosto de ouvir concertos, gosto de textos clássicos, gosto de literatura, de poesia, gosto dessa merda toda, e nunca vou deixar de carregar isso no meu mp3 player (na realidade é um celular) e nunca fui fã de música eletroacústica. Era alvo de chacota antigamente por causa disso, e continuo sendo anos depois. Odeio MPB, odeio bossa nova, odeio pop rock, essas caralhadas todas me dão coceira. Ultimamente, só depois de ter começado a estudar música que comecei a descobrir um prazer em ouvir isso. Engraçado, diziam que era o contrário...
Quando se é exigido "seja bom", a gente esquece disso. Se você esquecer mesmo, melhor nem continuar insistindo - isso definitivamente não faz o melhor profissional de qualquer forma...
quinta-feira, agosto 28, 2008
O mundo realmente fica mais fácil com mais desapego, mais confiança em si e mais "foda-se" pras pessoas. Cada um que faça sua parte. Diz respeito a si, o que diz respeito. E só. Nada mais. Fazemos por nós, os outros que façam por si - isso é a mais nobre demonstração de altruísmo. Se todos fizerem por si, todos farão por todos. E ponto final.
Não haveria lugar para frustração em um mundo onde não se tem tempo pra auto-piedade e "peninha" dos outros. Então chega de teletubbies. A moda é essa:
- Te pediram a mão?
Estenda.
- Te pediram o pé?
Dê uma voadora, pra matar.
O pior tipo de inimigo é o sanguessuga. Mas o mais perigoso sempre é você mesmo (que às vezes cái nessa).
Pronto, aprendi
hoje aprendi uma coisa muito importante:
Que eu não tenho a obrigação de ser legal.
Então é foda-se pra todo mundo que é mané. FODA-SE!
É ferro, e pimenta no toba alheio!
segunda-feira, agosto 04, 2008
Foda-se
Não conseguiu? "Foda-se" Não perdoou? "Foda-se" Não lembrou? "Foda-se" Não esqueceu? "Foda-se" Não deu? "Foda-se" Não vai dar? "Foda-se" E o melhor: não deixa de incomodar? "Foda-se"
Manda se foder, veja o circo pegar fogo. Porque pra você amigo, eles também só dizem isso, só dizem "Foda-se"!
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem - Cousteau, ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: 'Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver'. Il faut aller voir. Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo." [Amyr Klink]
Feliz coincidência ter me encontrado com este texto agora. Ontem mesmo estive debruçado sobre os saldos da minha vida e o cearense em mim só começou a bater no peito e dizer "comedor de rapadura sou eu" depois de ter colocado os pés rachados de sol onde só se usa tênis e quase só se come industrializado.
Também pensando nas Minas Gerais, e todos estes novos mundos: Como é maravilhoso ver o que se repete, e também o que muda violentamente de um quilômetro de chão pro outro. Nosso egoísmo, nossa pequenez toda seca como folha moribunda depois de ver que existem lugares mais secos, existem vidas mais complexas, e existem mundos maiores pra se ver. E sempre se tem onde e como crescer.
O mundo é uma máquina maravilhosa. Sem dúvidas.
(Diário de bordo já esteve em: Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais - estou dominando o sudeste!)
terça-feira, julho 29, 2008
Que bom que existem os festivais de música!
sábado, julho 05, 2008
Copioso... em branco
Voltei a ter desejos estúpidos como terminar aquele romance que eu comecei há mil anos, ou mesmo fazer um curso de alguma coisa estúpida pra me sentir uma pessoa melhor. O que eu queria mesmo era saber usar melhor o tempo, e ser mais indulgente. Me permito a fazer poucas das coisas que realmente gostaria. Porém, uma delas que é andar sem rumo depois de gastar o dinheiro da passagem com um pacote de biscoito trakinas, eu continuo fazendo.
O frio pode ser dúvida. Não sei se vou me tornar um desses cantores solistas cheios de si (no melhor sentido possível e imaginável da realização pessoal) ou um musicólogo empoeirado. Sou curioso demais pra olhar sempre pras mesmas coisas e dar as pessoas o melhor do mesmo.
Talvez solidão? Eu sou uma pessoa estranha: Rejeito convites de baladas dos amigos, não bebo, não fumo (nem maconha), não cheiro... E estou quase sempre só. Será que eu tenho 22 anos mesmo? De repente se eu tiro a barba melhora. Me sinto velho. Sempre ouvindo essas músicas só minhas, e lendo os textos que só eu conheço.
Mas meu mundo é meio isso... um lugar escondido, solitário, pacífico e terrível como uma floresta virgem cheia dos mais belos monstros. E o maior deles é o desejo... de existir? De entender? E eu sei lá, de repente isso tudo é só o frio - coisa física de arrepiar os pêlos. O mundo é banal, o que o torna algo mais são as pessoas. E as pessoas não estão ao redor. Eu também não fiz por merecer melhor, sou um mané muito avoado que deixa a mãe a dois mil quilômetros e sái de casa pra ser artista, onde já seu viu cara mais babaca? Hahahahahaha.
Sonhador, romântico, meditativo... Me banhem os arquétipos. Tô concluindo que pode ser que eu seja mais um desses.
quarta-feira, julho 02, 2008
Nunca imaginei que faculdade fosse uma coisa tão estressante. É um frio na espinha contínuo. Uma culpa que te diz que, ao invés de escrever no blog, você deveria estar estudando. Mas são muitas coisas que eu deveria estar fazendo. Simplesmente não me acostumo mais em ficar sozinho, tô parecendo um daqueles pássaros migratórios meio fora do bando.
Mas eu me acostumo. A gente não nasce grudado em nada nem ninguém (salvo raras e tristes exceções). Eu aguento.
Quem sabe...
"Und morgen wird die Sonne wiederscheinen..."
domingo, junho 22, 2008
...e a cruz
E o poema escolhido por ela foi um manuscrito sem título de um visionário do século XV, conhecido por São João da Cruz. O mesmo descreve com requintes românticos a relação do escritor com seu Deus; e apesar de algum homoerotismo implícito (proposital?) acredito que é uma das passagens mais belas e ricas da literatura que eu já pude ver.
Mais ou menos como Hildegard von Bingen (Santa Hildegarda), talvez São João da Cruz fosse um desses sujeitos altamente inspirados e atemporais que nos trazem um certo e perturbador mistério sobre o amor, sobre Deus, sobre a verdade...
Infelizmente só tenho acesso a tradução em inglês por enquanto, e é a mesma usada pela própria Loreena em sua canção que colocarei aqui. É exatamente ela que me lembra as boas coisas :-)
the flame o love was burning in my breast
And by a lantern bright
I fled my house while all in quiet rest
Shrouded by the night
and by the secret star I quikly fled
The veil concealed my eyes
while all within lay quiet as the dead
Oh night though was my guide
oh night more loving than the rising sun
Oh night that joined the lover
to the beloved one
transforming each of them into the other
Upon that misty night
in secrecy, beyond such mortal sight
Without a guide or light
than that which burned so deeply in my heart
That fire t'was led me on
and shone more bright than of the midday sun
To where he waited still
it was a place where no one else could come
Within my poinding heart
which kept itself entirely for him
He fell into his sleep
beneath the cedars all my love I gave
From o'er the fortress walls
the wind would brush his hair against his brow
And with its smoothest hand
caressed my every sense it would allow
I lost myself to him
and laid my face upon my lovers breast
And care and grief grew dim
as in the mornings mist became the light
There they dimmed amongst the lilies fair
domingo, junho 15, 2008
domingo, junho 01, 2008
E o céu chora gotinhas geladas
Apesar disso estou feliz, as pesquisas com células tronco embrionárias foram liberadas, ganhei um celular novo bloqueado pra claro (mas o celular é bonitinho!) o mundo é lindo, minha cadela está no cio... O que mais poderia melhorar?
terça-feira, maio 20, 2008
Vai saber!
Não sou o tipo de cara que pira com heroizinhos típicos de ópera, cheios de árias cantando os xavões de sempre. Ok, vou assumir: Não gosto daquela baboseira italiana de sempre. Não sou um herói, não sou divino... sou completamente humano, e definitivamente não me sinto inspirado fazendo um personagem plano e previsível. Gostei do Strauss por isso. Previsível é tudo que ele não é.
Eu e a... laje, tópico pitoresco
Pelo que entendi, mesmo hoje em dia não se sabe ao certo o que causa a esquizofrenia. E, assim como o câncer, a esquizofrenia não é uma doença, mas sim, um grupo de patologias com sintomas que possuem alguma afinidade, mas não necessariamente desencadeiam-se de forma idêntica. Porém, o traço marcante da esquizofrenia, é retirar o indivíduo da percepção convencional da realidade e de si mesmo.
Um exemplo típico são as comuns alucinações auditivas; onde o paciente diz ouvir vozes que o perturbam com xingamentos, ameaças e julgamentos, ou também as perturbações de pensamento, também descreveria como perturbação de identidade, de difícil explicação e diagnóstico - o indivíduo sente alguma dificuldade em identificar a si mesmo por alguma razão (acha que é um alienígena, que não é humano, que na realidade é uma pedra, e todas as pessoas são pedras disfarçadas de pessoa tentando enganá-lo...)
Importante lembrar: Esquizofrenia NÃO é maldição, NÃO é falha de caráter, e também NÃO é possessão demoníaca. É uma patologia difícil, triste e complexa, que se fundamenta em mecanismos do corpo e da consciência humana ainda em processo de estudo pela ciência regular; então, é sempre bom evitar entender qualquer comportamento estranho ou violento dos outros como mero capricho. Nosso corpo é como um computador, às vezes ele pifa. E ter problemas psíquicos é como ter cárie, se você não se cuida, pode esperar que um dia o molar vai doer.
Estive falando nisso porque coincidiu de eu receber um convite para uma comunidade relacionada no orkut, e infelizmente possuo parentes que sofrem da doença. Pra ser bem sincero, às vezes eu tenho verdadeiro pânico disso, por estar na "lista de risco" da patologia. Essa coisa de querer viajar pra Marte, ter medo do Cão, ter dificuldade em manter rotina, ter certas atitudes de fuga, algumas dificuldades de associação e expressão de idéias... Espero que seja só um estado depressivo standart de adulto jovem. Mas uma coisa é certa: À toa, nenhuma doença me pega. E espero que também não faça o mesmo com ninguém.
Se ligue, não se perca num ralo qualquer.
sábado, maio 10, 2008
Queijo Gruyère
Ponto final.
(Nunca vi um queijo ficar tão bem com TUDO, fala sério!)
terça-feira, abril 22, 2008
Ps.:
Agora que eu fui entender porque isso deu tão certo. Esses compositores conseguiram trazer para a música um certo amor, uma dor, uma sensação de solidão que viveram os poetas e os músicos que compuseram as obras (em dada época), que de uma maneira maluca representou magníficamente esta coisa noir, contemporânea, insólita que ainda vivemos. Cidades grandes, muitos mundos... E nenhuma comunicação com isso tudo. Então tudo que é de belíssimo fica íntimo, fica pequeno, tímido...
Um canto ali, um piano aqui... E todo amor que couber em um papel, uma voz e duas mãos.
Já estou cansando o assunto...
Certos tempos colocam nossos culhões a prova, e nessa hora eu percebi que não acredito em nada além da minha família e meus amigos. Meus Deuses.
A pior coisa do mundo num caso destes é sentir que as coisas não se encaixam. E que os Deuses não estão lá. É você e o monólito. Você e a lenda pessoal. Seja a tragédia ou o triunfo. Toda a odisséia está pronta. As bestas e os demônios estão em suas respectivas alcovas, com suas bocarras abertas, esperando aquele frouxo herói ousar dar os passos adiante para ser simplesmente devorado pelos mesmos.
Um herói leva consigo a terra, o suor e o sangue de suas origens. Tem algo tremendo e quase terrível de tão perfeito em si. Um herói tem uma certeza, e seu coração é um castelo repleto do seu passado, adornado com as boas memórias, onde moram os seus bens e queridos, e tem como tapetes as tragédias e os desafios.
Já eu me sinto um retirante numa tempestade de areia andando pra algum lugar que mais parece um buraco sem fundo. Quantas vezes um ser humano se sente assim? Meu Deus - quantas vezes alguém precisa olhar pra morte pra saber que está vivo? Quantas vezes precisa cair no poço pra saber que está em pé?
As coisas são o que são... e sejam lá o que forem, eu não as sei, não as conheço. É uma noite sem estrelas, é uma chuva em silêncio de vento frio, e à frente há o escuro.
Não fossem as palavras, estaria morto. Acho que não sei mais chorar.
Que porra é essa, né?
Dane-se.
sábado, abril 19, 2008
Allein, allein und immer allein
Eu escrevi este blog pensando nisso. E por mais que ninguém o leia (também por mais que ninguém além de mim saiba o que realmente se passa na minha vida) continuo buscando reencontrar os elos rompidos.
Me sinto um pedregulho no vácuo, em algum lugar praticamente sem temperatura pelo espaço - preto e fundo.
Sempre uma canção...
Sempre uma pancada seca, ressoando fria no escuro...
Die sich hier Gespielen suchten,
öfter weinten, nimmer fluchten,
wenn vor ihrer treuen Hand
keiner je den Druck verstand:
Alle die von hinnen schieden,
Alle Seelen ruhn in Frieden!
terça-feira, abril 08, 2008
Wie eine Traum...
Sterngeschlossner Himmelsfrieden!
Alles, was das Licht geschieden,
Ist verbunden,
Alle Wunden
Bluten süß im Abendrot.
Bjelbogs Speer, Bjelbogs Speer
Sinkt ins Herz der trunknen Erde,
Die mit seliger Gebärde
Eine Rose
In dem Schoße
Dunkler Lüste niedertaucht.
Heilige Nacht, züchtige Braut,
Deine süße Schmach verhülle,
Wenn des Hochzeitsbechers Fülle
Sich ergießet;
Also fließet
In die brünstige Nacht der Tag!
Ps.:
Sacanagem!
Uma coisa é te chamarem de barítono se você for, outra é ser barítono e ter culhão pra fazer aqueles repertórios pauleiras.
Quem dera que eu tivesse aqueles vozeirões. Mas não gente. É voz metálica e espetada mesmo. Esta porra que vos fala é tenor mesmo.
quarta-feira, abril 02, 2008
segunda-feira, março 31, 2008
domingo, março 30, 2008
Coisas que nunca se deve esquecer na faculdade
todos estão tão confusos e estressados como você,
pessoas mais burras que você sobrevivem ao primeiro semestre,
o vestibular não é nada comparado ao tipo de coisa que se tem que fazer na faculdade,
você não vira bicho, continua digno de respeito como qualquer pessoa,
você ainda tem família, amigos, necessidade de se alimentar, de fazer sexo e de respirar,
pessoas vão falar mal de você, e as vezes na sua frente - simplesmente fale mal delas também,
alguém sempre aparece pra falar uma merda quando você está na merda,
normalmente você está na merda,
ninguém te trata com mais respeito porque você agora tem "nível superior incompleto",
no caso dos músicos, você começa a ter uma certa raiva de música e não ouve mais tanto,
no caso dos médicos, você só pensa em abrir uma clínica e ser um liberal,
no caso dos advogados, você se desespera,
você não é bom em nenhuma matéria - todas são difíceis,
no caso dos cantores, nada do que você canta serve, tem que ser outra coisa
no caso dos pianistas, todo mundo acha que você automaticamente sabe fazer arranjos,
no caso dos compositores, todo mundo acha que você compôe,
você nunca tem dinheiro pra nada, então não gaste o que você não tem com cartão universitário,
invente uma maneira de dar aulas do que quer que você esteja fazendo, por pior que seja nisso,
e principalmente: Estude! Quatro ou cinco anos voam, e a chance de não servirem pra nada além de um trote no primeiro dia de aula é enorme.
Experiência própria e alheia.
Ano passado eu fui o Diabo...
You are The Empress
Beauty, happiness, pleasure, success, luxury, dissipation.
The Empress is associated with Venus, the feminine planet, so it represents,
beauty, charm, pleasure, luxury, and delight. You may be good at home
decorating, art or anything to do with making things beautiful.
The Empress is a creator, be it creation of life, of romance, of art or business. While the Magician is the primal spark, the idea made real, and the High Priestess is the one who gives the idea a form, the Empress is the womb where it gestates and grows till it is ready to be born. This is why her symbol is Venus, goddess of beautiful things as well as love. Even so, the Empress is more Demeter, goddess of abundance, then sensual Venus. She is the giver of Earthly gifts, yet at the same time, she can, in anger withhold, as Demeter did when her daughter, Persephone, was kidnapped. In fury and grief, she kept the Earth barren till her child was returned to her.
What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.
Do fundo do baú...
Posso dizer com certeza que tenho pena de quem me ouvia. Como eu era teimoso, meu Deeeus! Uma voz completamente nasal, atochada, presa... E as benditas professoras dizendo "falta espaço". E eu batendo a cabeça na parede feito uma mula.
Então, depois de um bom tempo, finalmente eu começo a engatinhar, a rastejar chegando aos pouco no que chega a se parecer com um tímbre relativamente bonito, e talvez elegante de tenor. Diferente da gralha com mania de se achar o cara da voz acutíssima, (que não passava direito de um sol3).
Parei pra raciocinar e fazer um balanço do que aprendi... E um conselho eu dou a qualquer cantor: Além de ter um bom professor, é preciso ter um bom senso crítico. Saber também se ouvir. Como se diz em inglês if it feels wrong, it is wrong. Bati muito a cabeça na parede querendo fazer o certo, e só deixava professores confusos.
Depois de tanto tempo, de não sei quantos anos tendo lições de canto, descobri o que nunca devia ter esquecido... Se lembra como a gente canta embaixo do choveiro? Relaxado? Garganta aberta, sem nenhuma sensação de prisão, desconforto ou estranheza? Pois é. É não sabendo fazer que a gente melhor faz, o resto é estética e estilo.
Ó vida. Ó dia.
Birgit Nilsson
Taí, pra essa eu tiro o chapéu e estiro o tapete vermelho: Diva, diva, diva!
Birgit Nilsson em "Ozean, du Ungeheuer" (Oceano! Tu Poderoso Monstro) da ópera "Oberon" de Webber.
quarta-feira, março 12, 2008
Continuo a perguntar
Guia de como passar na UFRJ pra música
Aqui segue mais ou menos o esquema que eu fiz, e pro meu curso que tinha concorrência de 1,25 pra 1 me rendeu o segundo lugar:
I. Antes mesmo de sair o edital, veja alguns editais e provas antigas da faculdade (dos últimos dois anos, por exemplo) e selecione, entre as específicas, assuntos que se repetem e comece a estudar. É bom que em pelo menos uma específica você se sinta genial, por enquanto fique nas específicas.
II. Seja lá qual for o instrumento que você toque, solfejo e ditado cái pra todo mundo, então, com uma boa antecedência também é bom manter uma rotina de solfejo.
IIa.: Sabendo-se que não é nada prático estudar solfejo, e parece surreal estudar ditado, uma boa idéia é procurar peças corais de música antiga (preferencialmente em escalas regulares, mas se aparecem os modos, pega) e sair lendo voz por voz, do jeito que der. Canções folclóricas e outras peças vocais simples ajudam muito na familiarização com estudo de melodias. Melhor que método de solfejo, mas não dispense um.
IIb.: Não tem com estudar ditado? Peça alguém pra tocar um, ou em última hipótese, componha uma música tonal aleatóreamente (algo que você imagine que possa ser cantado), e leia depois, tendo atenção pra entender as relações de intervalos. Outro socorro é estudar intervalos harmônicos no piano / teclado. Perde um tempo tocando intervalos diversos e tentando entender os sons. E se você tem hábito por instrumento harmônico (violões e harpas incluídos), quando tocar, preste atenção nos acordes que você toca e os intervalos que as notas fazem entre si. Identificar e classificar os sons na sua cabeça já servem como guia na hora de um ditado ou solfejo.
IIc.: Sobre ritmo (uma parte que eu desprezei no meu THE) eu observei que a música popular, principalmente samba, maracatu e essas paradas, são bons exemplos de trabalhos difíceis em rítmica. Conseguir reproduzir os ritmos ouvidos em pauta ajuda na hora fazer a leitura rítmica (que vem junto do solfejo).
É muito importante ter contato sempre com a música, seja cantando ou ouvindo e analisando. E sempre que você tocar alguma coisa, tente memorizar os intervalos (você canta uma música que tem um salto de sétima menor ascendente, você faz o salto e tenta "decorar" aquele salto que você cantou); fazendo disso um hábito já torna as coisas muito mais fáceis (lembrando, claro, dos carros-chefes do solfejo - segundas menores, maiores, terças menores e maiores e os intervalos justos, o resto é consequencia).
IId.: Evite se atrever a fazer o vestibular com qualquer dúvida que seja sobre formação de acordes, tríades, tétrades, inversões, cifras e escalas (em suas diferentes formas). Prova de teoria não se "faz bem", se gabarita. (O assunto pode ser extenso - mas definitivamente contamos com um livro excelente e acessível no Brasil - Teoria da Música do Bohumil Med. Muuuito bom pra se preparar pro vestibular).
IIe.: (Mas não menos importante!) Tenha o hábito de cantar as melodias das peças que você executa. Nem que seja com voz de taquara rachada. Isso resolve o problema de inibição na hora do solfejo, e ajuda você a memorizar a sensação das notas no corpo. Excelente macete pra memorizar melodias, melhorar solfejo e até tocar melhor.
III.: Pro teste de execução é bom você estar bem maduro no que vai fazer; tenha uma rotina de ensaios. É bom escolher e testar o repertório com uma boa antecedência, e não conte com a sorte. Imagine de cara que você vai pegar a banca mais exigente, e se prepare pra dar o melhor, porque se você pegar uma banca de ovo virado... Se ferra!
IIIa.: Na prova de instrumento / canto também tem leitura a primeira vista. Usar peças folclóricas / populares como estudos de leitura também funciona bem - o importante é tentar ler, errar muito, mas não desistir de ler.
IV.: Quando chegar o edital da prova, veja o que muda em relação aos outros, estude todas as matérias específicas e português, que vale uma boa pontuação. Pratique uma redação de vez em quando, e dê uma olhada nas não-específicas que você é bom, se não tiver nenhuma, estuda só filosofia no wikipedia mesmo. Isso já garante uma pontuação razoável.
Resumindo - leia os editais, estude TUDO com calma e antecedência, não despreze NENHUMA parte do THE nem das provas e evite ficar estressado no dia do teste e das provas. Os professores devem imaginar que muitos candidatos não estarão na melhor forma, mas é bom contar que você não será um desses. E lembre-se que o THE na UFRJ vem antes das provas, é eliminatório! Mesmo assim NÃO esqueça que o que garante a vaga não é passar no THE, é passar no THE e fazer boas provas! :P
(Ps.: Dica de calouro - O maior stress da Escola de Música não é o vestibular, e sim a inscrição em disciplinas. Passar no vestibular é fácil, o difícil é ter resistência pra lidar com ponta solta e burocracia. E olha que beleza: Eu não sou nenhuma encarnação do Mozart e passei de primeira vez. O negócio é estudar, mesmo que seja pelo wikipédia, solfejando atirei o pau-no-gato e lendo deep river no teclado!)
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Travian!
Joguinho legal: Você cria sua cidadezinha com romanos, teutões, gauleses - e passa mais dias e dias criando sua cidadezinha, depois suas tropas... Tudo muito sem pressa.
Pra quem gosta de estratégia e jogos em .html, vale a pena. Basta seguir o link acima :D
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Pensamento genérico
Isso constrói uma imagem na minha cabeça - me dá a clara idéia de que estamos sempre procurando nos relacionar com "super seres" ao invés de pessoas normais. Pessoas normais sim... Nós somos falsos quando precisamos, mentimos quando somos encurralados, somos chatos quando estamos inseguros... E além de tudo, todo mundo tem um pecado sério a confessar (não há um único ser no mundo que não tenha o rabo preso).
Então temos algo perto de uma receita infalível nas relações interpessoais... Ora, se só gostamos de quem é legal, estas pessoas chatas ficam fora da jogada... E um dia que os legais se cansem de ser legais o tempo todo, também saem da "vibe".
Observei uma coisa semelhante a "solidão grupal" quando entrei em contato com esses grandes centros urbanos: Nesses lugares mais do que nunca há a necessidade de se criar grupos de amigos perfeitos, como se o ambiente hostil exigisse talentos sociais excepcionais das pessoas, que para se proteger, formam verdadeiras "empresas sociais" - os amigos atuam como ampliações dos atributos do sujeito. E se ajudam mutuamente na conquista do status.
Não sou eu quem vai condenar isso. Mas é triste observar até que ponto a alienação chegou.
Paro pra pensar nos vilões... Os maus, os pobres, os feios, os vis... O que será deles? Ninguém gosta dessas pessoas, e todo mundo se esforça pra manter o perfil "vencedor do BBB" pra se sentir em dia com o mundo.
Viver já é difícil. Imagina viver pensando nisso: "Tenho que ser melhor que sou, senão ninguém vai me levar a sério".
E como eu ODEIO gente que se leva a sério!


