sábado, agosto 18, 2012


Depois de ter vindo do Rio de Janeiro e desta minha experiência com os gringos, lamento por dizer estar muito decepcionado com o que vi na minha bela cidade.

Antes via a situação da oficiosidade aqui no Ceará, do hábito ao invés da lei, do jeitinho ao invés do que é correto até o ponto em que me perguntei como as pessoas vivem no "mas é assim mesmo", sabendo que existe uma elite que nem educada é, e pisa em cima dessa massa de gente pobre, mas as pessoas aceitam.

E todo mundo se acostuma a tudo resolver com jeitinhos ilegais, improvisações e acordos irregulares, aceitam o absurdo e o abuso como parte da vida e as pessoas estão aí sobrevivendo sem saber que tem direito a serem respeitadas. Pois no Ceará o que se diz é "rapaz, não se estresse não, a vida é assim mesmo".

E tudo o que vejo no Brasil é anarquia, cinismo e megalomania (como um show do Placido Domingo pago a três milhões de reais no centro de convenções em Fortaleza para um punhado de convidados que não fazem nem idéia do que significa Fanciulla del West, um artista da maior grandeza que foi mero passa-tempo de um bando de novos ricos que só sabem comer e comprar roupa). Eu não sei mais o que dizer do meu país, tive vontade de chorar com o que já vi nessas férias.

As praias estão lindas, sim! A orla está cada vez melhor... Mas a vida na periferia e nos ônibus que vão até a parangaba estão cada vez piores, está tudo cada vez mais difícil para quem é pobre. Há dez anos atrás eu pegava um ônibus desse lotado, mas conseguia ficar em pé, já hoje, fiquei de ponta de pé com a barriga encolhida e me segurando com uma mão só para dar espaço às pessoas que quando saíam do ônibus pisavam categoricamente no meu pé e me empurravam como um saco de merda sem ao menos cogitar pedir desculpas. Imagino uma pessoa ser obrigada de viver nisso... Não dá.

Além disso, os motoristas de Fortaleza usam a buzina como uma arma, eles te coagem a correr, a abrir espaço fazendo cara feia e xingando se você os fez perder cinco segundos do seu precioso tempo. São pessoas capazes de atropelar alguém porquê estão certas da impunidade (afinal a polícia aqui não funciona) e do "jeito daqui".

Por favor, não contrate sem carteira assinada, se errou, peça desculpas, não faça barganhas absurdas em cima de vendedores que ganham por comissão, só porque você tem um carro, não quer dizer que você tenha o direito de fazer os pedestres correrem porque você acha engraçado, peça licença, diga 'obrigado', se interesse pelas pessoas que você acabou de conhecer, e principalmente, aprenda a respeitar quem nunca vai te dar nada em troca, só assim esse país fica mais justo.

Esta é a minha nota de repúdio. Isso aqui está uma barbárie, dá desgoto de ver como isso funciona. Para quem tem dinheiro é sempre bom. Os ricos vão ser sempre os ricos mesmo que eles estejam no inferno. Nesta cidade se vive uma guerra civil não declarada. É rico contra pobre, polícia contra ladrão e bandido contra bandido - aqui não tem mocinho.

Aqui a lei é o dinheiro, a rede de contatos, o "jeito daqui". Aqui não se diz a verdade, não se procura direitos e nada se critica, tudo se aceita e nada se transforma. "Svm qvi svvm".

Gostaria de dizer que não, mas hoje eu tenho vergonha de ser brasileiro e nojo de ser cearense. 

sexta-feira, agosto 17, 2012

E a saga continua

Bom, neste caminho de auto-descoberta, tive uma semana intensa: Discussões famíliares de cortar o coração, tentativas de extorção por causa de celular, roupa lavada com professor antigo...

É impressionante quando você FOGE de uma coisa como o diabo foge da cruz, a coisa vem pra cima de você, e eu vim de férias querendo sossego, querendo parar toda essa tensão, todo esse acúmulo de pressão em cima do meu corpo enquanto eu estive fora, mas vi que o trabalho continua. Mas pelo menos hoje tenho a capacidade de reconhecer que algo precisa ser feito quando precisa ser feito, existem coisas que não podem ser ignoradas, e existem batalhas que precisam ser travadas também do lado de fora, não só na instrospecção misteriosa que não divide opiniões e não faz a alquimia de poder estar errado...

Como é bom poder não ter razão sobre nada...

quinta-feira, agosto 02, 2012

Estou impressionado como eu mudei. Em pouco tempo eu me tornei uma pessoa sem paciência. O começo do ano de 2012 está realmente sendo o fim de um mundo para mim, antes eu aguentava desaforo, tolerava manter contato com pessoas interesseiras e que não se importam comigo por... nem sei exatamente o quê, talvez porque eu achasse que essas pessoas fossem mudar, pudessem começar a me respeitar, mas infelizmente esta não é a verdade.

Se nós temos utilidade para alguém, existimos, senão, nos tornamos nada. Eu entendo isso, pois o mundo tem pessoas demais, então temos que escolher com quem vamos lidar, senão passamos a vida lidando com todo mundo, mas é triste saber que eu perdi a utilidade para tanta gente. Além disso, pessoas que eu admirava, percebi que pouco se importavam com a minha existência, mas o tempo passou suficientemente para me provar que eu sobrevivo à solidão. O mundo que eu conhecia acabou, a infância acabou, estou pronto para viver como a maioria das pessoas no ocidente - é cada um por si, e só.

É bom saber que ainda tenho meus amigos, que ainda existem pessoas que se importam comigo, embora não sejam muitos. Mas nunca são, enfim percebi.

sexta-feira, julho 27, 2012

Alegria misturada com tristeza, alívio misturado com culpa... a direção ou o movimento - quem é mais importante?

quinta-feira, julho 12, 2012

Mapas da conversação do Ramir

Depois de uma semana trabalhando com sites e mapas e coisas afins eu resolvi me gabar um pouco e dar uma olhada com que pedaços do mundo eu consigo falar. Vejamos:

Mapa da anglofonia no mundo:



Mapa da lusofonia no mundo:



Mapa da francofonia no mundo:


O legal nesse esquema é que agora eu posso viajar pra mais lugares e saber que os vendedores não vão me dar volta com o preço das coisas! Já tem pelo menos uma parcelinha do mundo oriental, hehe :-)


No final das contas dá isso!

sexta-feira, abril 13, 2012

Continuo feliz, mas agora inquieto - vou fazer uma viagem de praticamente um mês sozinho. Porra, como eu odeio estar sozinho. Mas vamos lá... terei a possibilidade de visitar vários lugares, conhecer muitas coisas... mas as coisas e os lugares pouco importam se eles não tem pessoas.
Ai ai, eu não mudo.

terça-feira, abril 03, 2012

Sicvt cervvs

Bem... o que dizer?

Sim, sim, estou feliz! É tanta felicidade, tantas oportunidades, tanta liberdade, tanto tudo que não posso dizer nada, estou tremendamente grato por tudo. Pela bondade, pelas coincidências, por tudo. É um sonho - uma vida sob bênçãos infinitas, talvez. Quem diria que depois daquele dia, daquele que eu não sei mais em 2004 que eu decidi ir embora, e fui. E oito anos depois eu estou aqui, o mesmo Ramir sonhador, ingênuo, despreparado e sempre anti-perfeccionista. Sempre se apaixonando por tudo a sua volta.

Me pergunto como eu tive tanta coragem. De onde ela veio? Eu sempre manteiga-derretida que só eu, eu sempre apegado e colado ao meu redor, fiz uma volta aos improváveis e vivo nas estrelas. Às vezes um frio de lascar que faz lá em cima. Eu vivo o impossível. O impossível em mim mesmo. Sou uma pessoa que tem inimigos, que não tenho sossego, e isso é uma coisa verdadeiramente minha. Tem sempre algo me perturbando, nem que seja a falta de perturbação. Eu sou uma pessoa inquieta por natureza.

Mas... sabe... agora o medo é de não ter mais nada, de retornar ao zero, de estar ali entre o nada e o nulo. Mas a vida é sempre uma experiência no frio das estrelas. Existe a luz, o frio, o mistério e a solidão. Somos feitos em unidades pois cada experiência humana é solitária. É uma sina rumo ao encontro derradeiro com a extinção - o momento mágico do verter do sangue, do quebrar dos ossos, do partir da consciência rumo ao negro, ao nada.

Agora o fatalismo me aterroriza. É do nada que tenho mais pânico. Do vazio, do indissolúvel mistério magno. E assim como o cervo deseja as fontes, eu desejo o infinito... eu desejo o êxtase, eu desejo o que alguns chamam de Deus, outros chamam de impossível.

Mas eu já vivo o impossível.

Quem sabe?

segunda-feira, março 26, 2012

L'amour

C'est archetypique d'écrire en français sur l'amour. On dira que c'est sujet nº 1 que nous sort de la tête en pensant sur ce pays : les émotions, l'amour. Par contre mon expérience avec les natifs me raconte que leur notion est assez particulière. Pour commencer - ils aiment tout. N'importe quoi tu en peux aimer - du pain, du riz, de la pluie, des petits chiots. L'emploi du verbe "aimer" est tellement banalisé. Pas comme en portugais ou l'anglais où nous disposons des options plus légères pour décrire nos préférences, chez les français le truc va jusqu'au bout remarquablement rapide. Les gens te demanderont "est-ce que tu aimes ça ? est-ce que tu n'aimes pas ça ?" en plus un truc que je trouve rigolo "tu aimes bien ça?" Est-ce que je peux "mal aimer" didonc ? Le monde sera rempli par l'amour, tout s'aime ou s'aime beaucoup, quoi même !

Je conseille les amis gallicistes de trouver par hasard des verbes moins sérieux... Ça force un peu !

sexta-feira, março 02, 2012

A Guiana Francesa

Finalmente depois de todos estes meses estou me sentindo bem, calmo, bonito, bronzeado e parecido com uma pessoa. Finalmente tenho um depoimento honesto sobre a Guiana Francesa. Não interessando muito a maneira como eu cheguei, mas sim o que se foi de mim ao percurso. Pois bem. Começa-lo-ei a descrever:

No meio do ano passado, já cansado da minha vida sem caos, me lancei na exótica aventura na selva francesa. O percurso que fiz, começou num sábado, dia 22 de outubro de 2011, saindo

do Rio de Janeiro com escala em Paris indo para Frankfurt na Alemanha, e somente depois eu iria

para a capital da Guiana Francesa - a cidade de Caiena.



Samantha Pistor, Paulo Ribeiro, eu e Francisco Gamboa antes da choradeira. Aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro.








Tive esta semana muito especial na minha primeira visita internacional ao exterior, a cidade de
Frankfurt na Alemanha. Pasme. Frankfurt! Uma cidade onde todos os botõezinhos funcionam, as flores são uma gracinha, e todas as pontes tem toneladas de cadeadinhos com nomes de casais apaixonados. Muito fofo. Mesmo sendo final da primavera eu achei um frio de lascar...






Depois fiz a minha curtíssima estadia na cidade de Paris, uma noite apenas. Bati perna como nunca, e como sempre(hehe) tive uma boa cota de aventuras nas minhas 18 horas na cidade mais... mais... porra, nem preciso dizer, é Paris.















Esta noite foi especialmente interessante: descobri que muitos parienses tem origens muçulmanas, e que francês, francês é bicho sooonso... ;)

Em seguida parti pelo aeroporto de Orly, pela manhã a Guiana Francesa. Veja como esta segunda capital francesa tem um aspecto diferente de Paris:














É uma bela região amazônica bem preservada e com um número muito reduzido de pessoas, assim como uma situação cultural única: é um ponto de encontro entre pessoas que vem da Europa, brasileiros, locais e outros indivíduos que vem da América do Sul.
Presença católica na Guiana Francesa

É uma capital totalmente diferente de tudo o que eu podia imaginar: São em torno de 100 mil habitantes na capital, que é toute petite sem sacanagem. É muito pequenininha. Se você toma por extensão, até é alguma coisa, mas o tanto de gente... rapaz... depois sigo com descrições mais precisas :)


post de ontem

Dia primeiro de março de 2005 eu estava chegando pela avenida dutra vindo de São Paulo ao Rio de Janeiro após a minha primeira viagem aérea, e a minha primeira viagem pra fora do estado do Ceará. Nem eu sabia que ia ficar no Rio de Janeiro, e hoje sete anos depois, eu não fazia idéia que estaria escrevendo de Belém do Pará, depois de ter conhecido lugares que eu nem sabia que existiam, e exercendo um estilo de vida que nunca imaginei.

É uma loucura! Eu saí daquela casa, daquela vida, eu ali com 68kg, cheio de idéias na cabeça... e sobrevivi.

Apesar de estar magoado com algumas pessoas, e estar com uma impressão de muita inquietude, preciso me curvar ao sublime momento: Fazem sete anos que a minha vida mudou.

Depois desses sete anos estou aprendendo que as pessoas podem se virar sem mim, que eu posso me virar sem elas, e que existe muitas formas únicas, absolutas e certas de ser feliz. E além disso, que eu sou um cara muito estressado!

Então eu peço aos amigos, familiares e colegas que sabiam que a vida muda! Eu era um cara "cheio de problemas", e sobrevivi. Eu passei três anos da minha vida praticamente sozinho no Rio de Janeiro, e sobrevivi.

Deixem de ser medrosos, infantis e se aventurem! O mundo é uma bagunça, tem gente filha da puta em toda esquina do mercosul ou na união européia, mas o importante é viver sem depender de ninguém pra dizer que você vale alguma coisa!

Obrigado Rio de Janeiro! Por toda raiva, todo egoísmo, toda pobreza, toda humilhação, todos falsos amigos, todos os "vamos marcar" e toda a experiência que eu ganhei nessa terra de gente corajosa, de mil oportunidades e de quatro estações no mesmo dia!

O futuro... à Deus pertence!

E a mim, hehe.

quinta-feira, março 01, 2012

BLOGGER QUERIDO

Que saudades de você!!!

Depois da jornada do meu amado e querido notebook (que teve um coma graças a umidade da Guiana Francesa) de volta aos meus braços, voltaremos a nossa intensa produção, posteriormente em versão franco-brasileira

=)

sábado, fevereiro 11, 2012

Sem título

Ontem eu vi um post de um garotinho em uma comunidade gay do couchsurfing.com dizendo "eu moro na Índia, não sou bom em nada, não falo dez línguas diferentes, não sou rico, só queria que alguém me tirasse desse inferno!" Eu sei que a minha luxuosa vida de problemas subjetivos não deve ser nada comparada com a vida de um rapaz gay que vive ao lado do Paquistão, mas esses dias venho me sentindo muito descolocado. A questão não é mais o infantil "ai como eu me sinto só", já passei disso. Já me acostumei com a minha presença. A questão é que eu vivo como se estivesse em uma bolha, onde as pessoas não me vêem como alguém pessoal. Isso dá uma sensação bizarra que se passa algo que você não vê, e começo a pensar que tem alguma coisa errada comigo.

Talvez tenha... A falta de fluência na língua, esse aspecto meio deprimido que dá quando a gente se fecha pra olhar e tomar cuidado pra não falar besteira. Não sei o que pensar. Assim como não sei se vou querer outro ano disso- aí lembro que já disse que não queria outro ano como os que já tive. Eu devo ser morto de preguiça, só pode. Mas estou cansado de só receber ligação de gente me pedindo coisa, queria que alguém perguntasse se eu tô bem, se eu to comendo direito ou se eu prefiro Chopin ou Händel. Digo isso porque trabalho com gente. Se eu trabalhasse num escritório ou laboratório, talvez fosse mais fácil me sentir ok. Não estou me sentindo ok. Mas vou melhorar, sei lá como.

Será que alguém algum dia vai ler isso?

sexta-feira, dezembro 30, 2011

J'ai la vie qui tourne...

Como de costume, todo ano posto uma nova carta de tarot que representa o meu momento, segundo um sitezinho bobo. Mas elas vem sempre a calhar nas respostas. En regardez!

You are The Wheel of Fortune

Good fortune and happiness but sometimes a species of intoxication with success

The Wheel of Fortune is all about big things, luck, change, fortune. Almost always good fortune. You are lucky in all things that you do and happy with the things that come to you. Be careful that success does not go to your head however. Sometimes luck can change.

What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.


quarta-feira, dezembro 28, 2011

Revelacoes

Dentro da minha interessante jornada, percebi que vivíamos melhor quando éramos mais novos: pra tudo hoje eu preciso de muito, preciso de qualidade, quantidade, excesso... E naquela epocazinha boba e inocente, tudo girava em torno de felicidade, espiritualidade... e agora sao prazeres mais caros, requintados e penosos. O problema é que estou caindo de sono, e sentindo muita coisa...

Votos para 2012

Eu queria que meus conhecidos entendessem - eu aceito tudo. Só não consigo respeitar muito a perda de oportunidade, o medo de sofrer. Ninguém vive sem sofrimento, sem angústia, sem ansiedade... Nós não fomos criados pra existirmos numa bolha de satisfação e proteção durante vinte quarto horas, mas sim pra respirar todos os ares, conhecer todos os lugares...

Que doa, e doa muito! Amor, ódio, dor, prazer, frustração... Pra que cada momento, cada pequeno segundo que desfrutemos de uma real satisfação seja o que ele é: Digno da nossa mais doce e feliz memória. Esse é o meu voto pra 2012 - que cada um de vocês sofra o que tiver que sofrer, e que a partir do sofrimento venha uma felicidade derradeira - a felicidade de se viver neste planeta, nesta vida humana, cheia de altos e baixos. Vivam... Cada um de vocês... Vivam!

(...)
Isso me incomoda muito, precisava registrar mais esse tormento - nao se vive sem sofrer, e nao se pode existir nesse mundo sem viver. O sofrimento eh tudo que eh a luta, a frustracao, a espera, a dificuldade... Que sejamos herois, cada um em nossa propria historia, nosso proprio Gotterdammerung, que vençamos a cada dia o tédio, e o ciclo dos nossos vícios... Que aceitemos com a vontade de uma criança cada desafio... que paremos de sentir pena de nós mesmos e nos explicarmos e justificarmos por tudo.

Nos sentimos sozinhos, sonhamos, queremos, desejamos... Mas sem o sofrimento tudo isso vira banal. Entao que sejamos gratos pelo nosso sofrimento diario. Que seja bento!

(...)
De repente eu penso assim pq as vezes eu vejo a vida como um "jogo" de acumulo de experiencia. Tudo o que for experiencia, memoria, eu quero. Doa, incomode, de vergonha, irrite... Nao gosto de me proteger, o meu verbo eh 'conhecer', 'experimentar'. A cada dia eu tento romper mais uma barreira de medo e preconceito e vejo como estou colhendo os frutos de nao ter sido mimado e querido uma vida previsivel...

(...)

Pra concluir - que venham todas as dores... viver é perturbar o ócio da realidade.

segunda-feira, novembro 28, 2011

A casca vazia

Existem muitos objetos no mundo que são interessantes de se ver, e outros, nem tanto. Mas o que agrada aos olhos, parece coisa vistosa e cheia das pompas, às vezes não é o melhor material. Pode ser uma casca vistosa, uma coisa de dar nas vistas, uma coisa linda por fora, mas dentro é infestada de podridão e egoismo. Como uma bela maçã podre, de casca bem vermelha, que quando se morde, vem de brinde um verme dentro.

Como aquela camisa velha que você deixou dentro do armário imaginando que estaria boa pra ser usada, e foi toda comida pelos cupins. Como todas as coisas que começam boas, e depois se transformam num pesadelo - essa foi a minha história ruim. Eu queria dizer I'm so over it, mas não é o caso, ainda estou com a triste sensação que jogaram uma praga de urubu na minha cabeça, que eu vou morrer olhando a vida e o gramado do vizinho, enquanto eu vivo nesse mar de frases incompletas e de oportunidades perdidas. Na vida não se acerta sempre, sorte nos negócios, azar no amor... Em que eu tive sorte?

Devo ter tido, cavando com os braços nus, no peso da pedra, enquanto gente de vida fácil vai comprando os iates... Quer saber, dane-se. Não devo nada a ninguém, nunca vivi pendurado no cangote dos outros, nunca desejei o mal... Mas só hoje depois desses quatro meses de inferno eu não queria me sentir uma casca vazia. Queria me sentir como tento fazer meus queridos se sentirem... Queria um afago, um sossego... Uma certeza... De que não estou sozinho nesse mundo de gente abandonada. E sim, tem gente solta ai pelo mundo que eu definitivamente preferia que um raio os partisse. Não que mereçam , eu não sou ninguém pra dizer quem merece o que... Mas eu só queria que se fudessem bonito, pra imaginarem - pra imaginar, pois a cria de chocadeira é uma entidade só, imaginar só por um momento como eu fui humilhado e exposto às situações que eu não desejo nem ao meu pior inimigo.

Assim como tive que aturar - não tenho outra opção de verbo - a falsa modéstia, a falsa auto-piedade (que é pior que esta simples falência da moral), assim como ao puxasaquismo e a prostituição de caráter (quando o cabeça oca é cabeça oca, é uma coisa, agora quando o burguesoide é o que pensa que lhe vai elevar, e fazendo isso seca a própria - triste, triste, triste... E pensar que olhando pirita, eu imaginei que era o ouro que eu já tive na mão). Que Deus me dê olhos a partir deste dia! Quero conseguir ver além do alcance do tédio e das simples carências caprichosas.

Ao meu pior inimigo - que não é o cáspita citado aqui - eu desejo vida longa, prosperidade, desejo que nunca trabalhe com crianças, pois em grupo são insuportáveis, desejo que não acredite de cara em tudo o que vê, desejo que não seja tao sugestionável, e desejo que consiga ver o que eu não vi: O valor das pessoas que veem valor em você.

Seja feliz, meu pior inimigo.
Pena que você não existe.

sexta-feira, novembro 18, 2011

Seja lá a quem eu tenha feito mal: me perdoe. A vida segue, e que siga com as suas dores, que nos dêem pelo menos um pouco de conforto...

Meu diário de bordo

Estou finalmente comigo mesmo, em silêncio com as minhas idéias, e em processo de cura de todas as feridas. Posso dizer que são algumas... as que eu sinto e as que eu provoquei. E o que me incomoda é esta sensação de que eu tenho a obrigação de saber o futuro, que eu tenho que conhecer todos os mistérios da vida e da morte, e eu só tenho vinte e cinco anos. Isso dói.

Conversei muito com uma pessoa que sabe umas coisas da vida, e ele me disse “por que você pecisa saber tudo?”

Não sei. O verbo é sempre este maldito. Então sigo assim, tentando saber porque eu tenho que saber... por que eu tenho que ter certeza, e controle, e tantas outras coisas que me faltam. Me falta a felicidade. Durmo e acordo todos os dias aqui com a sensação de que eu fiz ou farei mal a alguém. Quando me lembro de todas as palavras que foram ditas, todas idéias que foram tomadas – as decisões não foram a do coração. Aliás: Parece que nunca foram.

Sempre que procurava o outro, fazia por mim somente, e por mais que eu tentasse, continuava com meus segredinhos, minhas opiniões nojentas, minhas impressões de que eu sempre via algo além do alcance. Talvez eu veja. Mas me sinto um fiasco.

Ao invés de romper a barreira do silêncio, preferi inventar motivações malucas e me aventurar no meio de uma tormenta de gelo... vejo que precisava me mexer, mas meu coração definitivamente está um trapo. Estou novamente como há três anos: destruído.

Não queria ter feito mal a ninguém... não queria ter magoado ninguém, queria somente ser feliz... E não adianta dizer que é só trabalhar e viver relações de vista clara e trinta minutos por semana – um dos melhores mistérios do ser humano é o mistério da intimidade.

Eu digo isso, mas sou um fracasso, um verdadeiro fracasso de gente que vive enterrado em tesão, e vontades superficiais e idiotas. Agora eu que pague com lágrimas amargas, quem eu já quis do meu lado, hoje mandei pro raio que o parta. Então será frio, e sonhos destruídos. E hoje me digo: bem feito seu preguiçoso egoísta.

Adeus à intimidade, adeus à sensação de ser único... estou de volta a ser só mais um que se acha na rua. Bem feito. E que eu me torne alguém deste mergulho no estígio. Tudo o que eu queria eram os sorrisos... agora serão lágrimas, e a terrível subjetividade da tristeza amancebada com a incerteza.

Que Deus exista,

preciso de um pouco de luz...

sábado, outubro 01, 2011

Eu estou com medo.

Será um tempo de mistérios, de dúvidas, de fazer o que nunca se imaginava, com quem nunca se viu.... Será um tempo de tempestades e de silêncio... largarei as ataduras, os meus vínculos e voarei para o mais alto que se pode com duas asas de plástico.

E mesmo com o medo, as pernas não param de se mexer... o coração perturbado, a mente tentando estar vazia, mas o medo é só uma decoração - um papel de parede perturbador, como fosse uma pintura da escadaria do submundo. A descida será escura

Où va le jeune fils?... Il voyage au coeur du silence...

Mas a subida será a mais triunfal e épica de todas! Que venha o medo... e que venha o futuro! Com todas suas luzes!

domingo, julho 24, 2011

O reflexo é o registro da verdade no momento. Refletir é o ato de discutir a verdade com ela mesma.

segunda-feira, julho 18, 2011

Esse blog é praticamente meu psicólogo. Já que não tenho coragem de conversar essas coisas com ninguém, melhor falar pro blog. O blog me entende.
Fala-se que os anjos ensinaram as ciências aos homens, e que a inteligência é um dom divino, mas eu acho que o responsável pela ciência é o caos, e a inteligência é fruto do mal. Isto não é uma afirmação satanista, já que a inteligência tem sido um dos atributos que mais me mantém caminhando...

Mas o causador da inteligência é o desafio, o inimigo. Digo que a inteligência me acompanha, e em mim, funciona. Mas talvez os outros atributos... a calma, o sossego... Nenhum. Vivo em pé de guerra comigo mesmo, lutando contra meus pensamentos e emoções que tentam me ditar o ar que respiro e os dias em que ando ou paro...

Isso seria o mal? O mal...

O que poderíamos fazer sobre isso? O que fazer sobre os limites, as dúvidas, as escolhas, os erros e todos os anseios nesse mundo? Me pergunto se consigo sobreviver neste mundo com tanta tensão e frustração ao meu redor. Talvez eu tenha sido bem preparado pra lidar com as frustrações, com aulas práticas e teóricas... mas algo não funcionou... Ou não funciona. Como se eu precisasse de reparos.

Estou me sentindo gasto, velho, usado, esgotado e frágil. Preciso de férias. E espero que resolva...

terça-feira, julho 12, 2011

A montanha mágica

Há muitos e muitos anos, um forasteiro sem passado, muito buscando conforto, saiu de um pântano e mudou-se para uma montanha que ele havia descoberto com sua coragem e sua despretensão. Ao descobrir a montanha, não se surpreendeu o viajante, mas com o passar do tempo, o viajante havia percebido quão calma era esta montanha, quão dóceis e meigos eram os pássaros que ali habitavam. Além das aves, abençoados eram todos os mamíferos e plantas que regozijavam-se em humilde equilíbrio entre si e as forças tremendas que os circundavam.

E as luas em que o viajante viveu sob a sombra das árvores, e sob a força sutil e constante da montanha, o viajante desfrutou de paz, de consolo e conforto. Todos os carinhos e generosidades da montanha se desenrolavam sob o viajante que se perdia em tamanho aconchego - dos pássaros lhe vinha a beleza e o canto, das árvores e das pequenas bestas, o alimento, da montanha, a proximidade com a lua e o sol, e das águas mornas que dali jorravam, a limpeza e o bem-estar. Tudo era calmo, e tão quieto como fosse um paraíso tão almejado pelo viajante. Havia ali o caminhante encontrado o paraíso.

Mas algo estava errado. O viajante vivia em clausura na bela montanha... Via de longe os pequenos seres vivendo em sua perambulação pelo mundo, via as outras pessoas e as outras formações naturais em seu constante estado de vissicitude, via o caos, tão divino e violento, acontecer nas entranhas do mundo. E então o viajante sofreu.

Mas como poderia, com tanto frescor e conforto o viajante sofrer?

As águas mornas o mimavam, a relva macia o enfraqueceu, e a abundância de tudo que era necessario e primario o deixou preguiçoso. E então o viajante começou a culpar a montanha por si mesmo. Por tudo que ele poderia ter conhecido e não conheceu. Poderia ter conhecido o mistério e a dor do deserto, a profundeza e o terror do fundo do mar, ou mesmo as tão honestas e simples planícies... A vida era uma montanha escura, de mata fechada, e tantos odores comestíveis... Tudo era fácil, tudo era perto, a montanha era um ciclo fechado dos mesmos dias e noites. O sol passava a incomodar, a lua era uma lâmpada cinza e sarcastica. Quando mesmo num dia de lua, o viajante fugiu, sem que a montanha soubesse, ou os pássaros que ali habitavam percebessem.

Na manhã seguinte, o viajante não sabia onde estava. Estava em qualquer lugar. Triste, sujo, mal alimentado e sedento. E então o viajante chorou, e se arrependeu, e quis olhar para a montanha, que agora era pequena, e de onde ele estava não se ouviu, pois, o triste canto dos pássaros, ou o mudo clamor das folhas escuras que caiam no chão, como que esperassem ser pisadas pelos pés macios do viajante que agora era de novo o viajante.

O viajante ainda está caminhando... hora pela beira-mar, hora pelas profundezas de outros pântanos. E não há maior mistério que o do deslocamento. Não se sabe para onde vai, mas a bênção e a maldição do viajante é a sede pela privação, a constância da dor e da experiência que faz com que tudo seja maior.

O amor ainda existe, mas se a viagem para, o viajante não existe mais.
O amor, e a dor, e todos os tipos de sentimentos que nos lembramos no final, antes de não existirmos mais...

domingo, junho 26, 2011

Dá pra não ficar triste? A gente desprende tempo, sonha... pra perceber o que não queria. Que não adianta imaginar, e tentar... só respondemos pelos nossos atos e sonhos, e nada mais. Aí o que era rotina se torna passado, o que era certo, se torna uma memória, e a memória se torna tristeza. Mas tudo se romantiza... mesmo o que não era bom passa a ser um delírio do que poderia ter sido, e nunca vai ser. Repito - de quem é a culpa? Nascemos a quê? A solidão? Ao medo? Nascemos ao nada?

segunda-feira, junho 20, 2011

Justo... Certo, bom.

São os adjetivos, mas a realidade não é esta. Voltei pra casa seguindo a lua, cortando o frio e pensando sem conseguir pensar. Enquanto sentia a efeméride da vida sobre meus ombros, pondero, como o viajante sobre o mar de névoa, temeroso, mas com uma imagem de imponência e respeito ao vazio.

Onde eu estou? O que estou fazendo? Eu olho para a névoa mas nada faço... ela é muito maior que eu. A luz cega, a escuridão esconde... Somos tão pequenos em nossa maravilha...

domingo, junho 19, 2011

Pra viver a gente tem que ter coragem!

Esse fim-de-semana tive essa coragem... E vivi! Recomendo gente. Tire a preguiça e a acomodação da sua vida. Deixe o vento te levar, o mundo tem muita energia boa lá fora!!!
Gente, olha só... eu não to fazendo "campanha contra religião" nenhuma não. Eu respeito e acho honestamente, e de coração que toda pessoa que quiser, tem o direito de ter a sua busca espiritual. Mas estamos em um pais livre, então eu defendo as minhas causas. Se alguma religião não concorda, infelizmente tenho que continuar na minha posição. Por mais que isto me custe, eu sou um cara honesto... Com muito respeito, com muito amor a busca por Deus, mas eu discordo do que eu discordo, não tem jeito.

Cada um na sua, e a Constituição por todos.
Gente, agora é assim. Comentário aqui só mostrando a cara =D
Casa da Mãe Joana mode off

terça-feira, maio 31, 2011

terça-feira, maio 17, 2011

Crises

Continuo com a crise do cantor e a crise do estudante.

Me dá a impressão que não faz diferença nenhuma... =(

Abaixo ao mal

O blog é meu lugar semi-secreto de falar...

Melhor que o facebook! Hehehe!

É... Hmmm... Pensei que ia conseguir falar um mooonte de coisa, mas não tenho idéias. Só que estou muito puto com os evangélicos malucos querendo vetar a PL 122. Eu até corri atrás da lei pra saber que ela só adiciona incisos a lei pré existente de preconceito (adiciona "opção sexual" e "identidade de gênero" aos grupos pré existentes).

Não faz sentido eles dizerem que isso cerca a liberdade de expressão deles...

A situação é: Alguém precisa de liberdade de expressão pra ser racista? Pra ser anti-semita? Pra não gostar de macumbeiro... isso me leva a pensar no mal.

Eles gostam de dizer que combatem um mal sobrenatural que perdurará pela eternidade... E o que me preocupa é que estamos vivendo um pedaço da eternidade, e... as pessoas estão sofrendo agora. Sofrendo com culpa, com medo, com nojo... de si mesmas!

E eu conheci uma pessoa que morreu. Morreu por que era gay, e a família tratou ele muito mal. Mas MUITO mal MESMO. Essa coisa de velho testamento e romanos... foi pior que dar veneno. Ele morreu. Ele se jogou do terceiro piso de um shopping... E sempre que eu me lembro da lei de preconceito, me vem a memória desta pessoa. Que esta morta.

Isto pra mim é o mal.

Os evangélicos, às vezes, são pessoas muito ruins. Eles tinham que aprender a olhar menos pros próprios medos, e tentar transcender o muro da bíblia. A bíblia foi escrita pelos homens... Os homens inventam deus pra tentar se ajudar... e se atrapalham. A bíblia mata. Uma pessoa morreu =(

Eu não falo dos católicos porque eles simplesmente não fazem campanha e não se metem com política... pelo menos aqui no Brasil. E toda essa história de militar pela PL 122 tem me magoado muito. As pessoas que não se sentem inseguras quando saem na rua, não se incomodam com essa lei. Brasileiro não gosta de problema. E mandam você calar a boca e não ser inconveniente.

Sendo honesto: Eu não vou calar a boca. Estou ferido, incomodado e magoado. Meu pavio acabou... E eu não quero ver mais ninguém morrendo.

Soltem a bíblia e ouçam a misericórdia. Socorram os "pecadores" e relevem o "pecado", se é esse o grande problema.

Ah!

E ostentar boas intenções, boas relações, bons casamentos, bons carros e casa... é como rir de tudo. É desespero. Viver de exibir e tentar provar uma bênção é SEMPRE duvidar da certeza dela. Pra mim, o avanço de cultos e seitas pseudo-cristãs é o fim do mundo... Cada pastor de galpão é um auto-intitulado messias, que prega a violência social, a intolerância e a vontade de varrer do mundo as pessoas que não lhe dão fortuna e abundância material.

Eles sempre falam em um mal eterno e imaterial... mas convergem todos seus esforços pra se cercarem do aqui e agora.... Só eu vejo isso? Só eu vejo como isto é monstruoso? Alguém está me lendo em algum lugar do mundo e vendo a máfia por trás disso? Edir Macedo, Bispa Sonia, o mercado da música? Gente RICA enquanto a grande maioria dos evangélicos vivem em cidades pobres, ou bairros pobres de cidades ricas? (Enquanto os pastores ostentam carros bem caros, e saem com travestis, garotas de programa, e tem casos com os irmãos das esposas?) NINGUÉM VÊ ISSO?

O mundo enlouqueceu?

ISSO ESTÁ ERRADO!

Por favor, pessoas ruins e ambiciosas: PAREM DE FAZER MAU AOS OUTROS SERES HUMANOS! PAREM DE SE ALIMENTAR DA IGNORÂNCIA, DA INGENUIDADE, E DA AGRESSIVIDADE DOS MENOS ABASTADOS EMOCIONALMENTE. CHEGA!

Uma pessoa da minha familia ficou vinte anos na igreja universal... Abandonou a Igreja Universal porque os obreiros iam todo ano na casa dela no dia dela receber a parcela do 13o salario. Um dia ela estava muito apertada, e disseram que a falta do dízimo (o décimo terceiro salario TODO, pelo décimo ano seguido) seria uma maldição na vida dela.

ISSO NÃO É DEUS! DEUS NÃO GASTA DINHEIRO!

PAREM COM ISSO! POR FAVOR!

DEIXEM AS PESSOAS EM PAZ! SE VOCÊS NÃO CONSEGUEM FAZER DINHEIRO DE OUTRO JEITO, ASSUMAM QUE SÃO PESSOAS MÁS! QUE QUEREM FICAR RICAS, E ESTÃO CAGANDO PARA DEUS E O PARAÍSO!

QUEM PRECISA DO PARAÍSO? VOCÊ PRECISA É DE SABEDORIA.

PROCURE A DEUS DENTRO DE VOCÊ... NAS PESSOAS, NA NATUREZA E NA VIDA... NINGUÉM PRECISA DE PERFEIÇÃO, APENAS DE UM CORAÇÃO. E VONTADE DE SER BOM, E DE FAZER O BEM.

ABAIXO ÀS IGREJAS DE GALPÃO!

ABAIXO ÀS AUTORIDADES ESPIRITUAIS AUTO PROCLAMADAS!

ABAIXO AOS EX-GAYS!

ABAIXO AOS ASSASSINOS E MARGINAIS DE TERNO E BÍBLIA!

ABAIXO AO MAL!

quinta-feira, março 10, 2011

Só peixe, só nada...

É, realmente. Não tenho mais postado nada, mas uma hora volto a escrever meus tratadinhos...

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Descobertas de 2010

Jonas Kaufmann não é tão diferente do Villazon.
The older, the better.
Eu me accostumei a ficar só.

2010

Como é de costume, eu sempre tento falar alguma coisa no final do ano. Blog empoeirado! Tudo agora é twitter, facebook e o caralho a quatro...

Esse foi o ano mais corrido que eu já tive. Essa é uma tendência crescente do meu tempo: Cada vez mais corrido, cada vez mais tenso. Isso é bom, estou pegando o jeito de "dar conta" da minha vida. Isso tem um custo elevado na saúde, mas a gente vai apredendo - aprendendo principalmente a desacelerar, e se julgar menos.

Infelizmente eu não termino esse ano muito bem, estou cansado, desorientado, sem óculos, e insatisfeito. Estou me sentindo só. Mas não só como um transeunte, e sim só como um esquizofrênico - todos estão ao redor, e parecem estar a quilômetros de distância, como se eu falasse muito alto e ninguém ouvisse. É muito frustrante.

Mas estou sempre assim "não tenho tempo pra essas coisas". "Viel Geld, keine Zeit..."
=/
Onde eu vim parar?

segunda-feira, junho 14, 2010

As vozes e as vozes, e as confusões

Em se falando de música clássica, vivemos um drama muito engraçado. Não sei em quantos lugares essa piada sem graça se repete, mas venho olhando essas coisas de perto mais e mais, depois de ter me enfurnado mais neste meio de pessoas que cantam, e pessoas que ensinam a cantar.
O problema da "voz dramática", da "voz grande" e da "voz pesada".

Nós sabemos que a primeira preocupação constante de qualquer preparador vocal mais ou menos sensato e não muito frustrado (psicótico) é de fazer com que o aspirante a cantor se sinta bem, sinta facilidade e liberdade ao cantar. Só que tem um tipo, ou tipos, de voz que é difícil, é dura, ou soprada e escura, que não sobe nem desce, não é peixe nem sapo, e quando faz algum som, parece um assassinato no tapa. Desde que comecei a me envolver com canto, tenho visto as mais diferentes formas de voz, e sempre aparecem esses tipos, que infelizmente terminei por me enquadrar.

Passei por alguns professores, e a maioria não sabia o que fazer, não sabia o que dizer, se era tenor isso, barítono aquilo, ou contratenor, sei lá. E depois do ambiente acadêmico (onde as coisas não são, mas tem que ser) a coisa ficou pior ainda - o jacaré-cobra-d'água tinha que cacarejar, voar, nadar, soltar fogo. Eu e todos as outras "vozes-grilo" que estavam por perto.

O grande problema em se lidar com cantores e vozes difíceis, é querer ou precisar de resultados imediatos. Existem pessoas lentas, existem casos lentos. E existem as pessoas rápidas e que melhoram sob pressão. E tem aquelas que quase desmaiam se tomam uma dura. Mas isso no mundo de buscar o resultado a todo custo, isso não funciona, não cola.

É triste, triste, mas isso de fato exclui algumas pessoas do possível, e chega o campo de mercado e de palco apenas pros ágeis de pensamento e super seguros de emoção. Esta com certeza é a grande lição que temos que aprender em todo mercado, mas isto é mais difícil para algumas pessoas que outras - e outros atributos interessantes são simplesmente descartados do foco desses preparadores. Tacam-lhe um rótulo e a maldição da ineficácia.

No final das contas, vivemos uma triste situação do "mais do mesmo". Um preparador (entende-se pessoa versada em pedagogia, a arte de ensinar) deve saber contornar armadilhas psicológicas e situar o aluno em uma direção que esteja de acordo com suas capacidades. Digo sem dúvida ou culpa que estamos cercados de incompetentes professores na área de música clássica, tanto no Rio de Janeiro, como no Ceará, de onde vim, e em vários outros lugares que tenho ouvido falar.

São poucas as exceções de mestres que sabem ver uma pedra bruta e extrair o melhor dali sem destroçar o conteúdo. São poucos os capazes de não carimbar e protocolar. São poucos os capazes de pagar pra ver. Porém, não é pra menos - em um país que é hábito incentivar a mediocridade e adorar tudo que é gringo até não aguentar mais. Tudo que vem de fora é melhor, tudo que os gringos dizem é melhor que o que nós dizemos...

É assim em qualquer coisa: De ginástica olímpica até alpinismo - e no canto não é diferente. O engraçado é ver como os gringos se comportam - um típico estudante de canto clássico americano estuda diariamente, e repete pra si todo dia "yes, I can", como já o incentiva o próprio presidente negão dos USA. E aqui no Brasil, o nosso chavão é "brasileiro não desiste nunca". Não desiste de quê? De fazer a boa merda, e terminar tudo em pizza. É só o que acontece aqui, bater a cabeça na parede e depois se convencer de que se é só mais um - afinal aprendemos isso facilmente em qualquer buraco e com qualquer professor - que somos muito piores que achamos, e que deveríamos nos colocar em nosso lugar: Na lanterninha.

O que eu digo aos colegas "dramáticos" (sejam de voz ou de cabeça) é: Confiem no seu taco, procurem seus terapeutas e amaldiçoem seus inimigos e dificuldades a vontade. A vida para os super emocionais e pioneiros é foda. Mas dá pra conseguir, só não contem com mãozinha na cabeça. Vai ser sempre tapa na cara mesmo...

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Descobertas de 2009

Jonas Kaufmann: Um novo e legal tenor, diferente das vozinhas de rato que brotam por aí.
Comida Chinesa: Bem mais legal do que eu pensava
Bicicleta: Um must-have para pseudo sedentários como eu.
Álcool gel: Nem um pouco aflito com a gripe suína, mas lavar as mãos com aquilo é um luxo.
Laringe baixa: Não dá pra cantar sem abrir o gogó. (Não é bem uma novidade).
All-Star de couro: Porque é chique pra caralho.
Aspirador de pó: Melhor amigo dos alergicos a pequenas partículas.
Fim da economia porca: Não resolve nada, e você gasta do mesmo jeito por causa do stress.
Falar!: Ir lá e mandar a real. Normalmente soluciona os causos. Fantástico.

Esse foi um ano e tanto!!!

segunda-feira, dezembro 28, 2009

2009

Foi o ano do milagre.

Tudo que era no mínimo improvável de acontecer, aconteceu e se repetiu. Me estabilizei, a faculdade começou a fazer algum sentido, comecei a trabalhar, e tantas outras coisas. Foi um ano cruel, teve aquela operação e tudo...

Além disso, passou rápido, como uma batalha: Uma pancadaria, uma confusão, e de repente estamos no dia 28 de dezembro! Ah que ano estranho... Aprendi que cantar pode ser bem diferente de fazer música, aprendi que fazer música é bem diferente de ser acadêmico, e aprendi que ser acadêmico e bem pior do que ser cantor. Preciso escolher um de cada vez!

Sinceramente foi o primeiro ano que eu GOSTEI. Sofri que nem o cão, mas o saldo foi positivíssimo.
"Feels like I'm in Heaven..."

domingo, dezembro 27, 2009

Nunca mais vim aqui!

Mas a vida é boa - estou com computador em casa e tudo voltou ao normal!

sexta-feira, maio 15, 2009

É, né...

O ano começou bem. Sarcasmos à parte - passei por praticamente tudo: Picaretas, emergências, gente surtada (eu surtando)... A parte boa éque estou ficando radical. É, isso é bom. O excesso de vasilinise, que me era tão comum, foi-se acabando... Estou mau humorado e meio exagerado. É que parece que, de alguma forma, meus dias estão acabando. Não sei o que isso quer dizer. Mas algo vai acontecer.

Deserto

Deserto é o que é vazio.
Dserto é o que não tem, é o que não vive... é um vazio que limita, e se expande como no infinito, por menor que ele seja. Deserto é o limbo, é o passado que não acaba. Deserto é o que vem depois. 

Os pés caminham descalços na areia fina e quente, que à noite se torna um vidro gelado... O deserto é extremo.... Mas, apesar da trilha acabar, não se pode ceder, não se pode cansr por mais que se caminhe, e mais se precise caminhar.

A sede, a fome, a solidão... Todas são banalidades diante da incerteza. O deserto vai um dia se acabar? Ou até lá já estarei acabado? Serei eu o deserto?

quarta-feira, outubro 08, 2008

Plantas

De repente eu voltei a fazer uma coisa que sempre gostei: Cuidar de plantas. Estou com quatro plantas no meu quarto, inclusive três delas são do carrefour (e fiz com que elas sobrevivessem!) Três roseiras bem pequenas... Daquelas miúdas mesmo. E também um cacto. Adoro cactos. Acho que sou viciado neles. Os cactos gordinhos sem espinhos, ou aquelas plantas bizarras e genéricas de clima árido. Adoro isso. E também as de flores bizarras e resistentes. Na realidade tudo aquilo é lindo...

Vou encher meu quarto de cactos daqueles dos vasinhos pequenos, hauhaua.

domingo, outubro 05, 2008

A Crise Estudantil

Depois de conviver algum tempo no ambiente universitário, percebi que os estudantes de música não são imunes a preguiça - e há um fenômeno não-exclusivo da Escola de Música que poderia chamar de "alergia musical".

Até as primeiras semanas do primeiro semestre, tudo são rosas. Mas depois que você se desorganiza e deixa as inseguranças tomarem um pouco a frente, tudo que é música começa a te dar verdadeira RAIVA. Então você tira todo aquele texto bonito que colocou em "Música" no orkut, começa a esquecer seu mp3 player de propósito, ou simplesmente não ouve mais música erudita...

Estive sinceramente pensando sobre isso: conheço mais de um punhado de bons instrumentistas e cantores que parecem definitivamente não gostar de música! Eles chegam, fazem o que tem que fazer, e depois nem sequer falam sobre isso. Então a música deixa de ter o seu propósito fundamental que é a catarse. Se torna uma profissãozinha, um estudinho barato e medíocre.

Quando percebi que estava me tornando um desses, eu não raciocinei muito e deixei rolar. Eu também estava de saco cheio daquela porra toda. Meio que a música se torna isso: Harmonia, percepção, formas... Vira um conjunto de cadeiras de faculdade. E uma coisa especialmente sem sentido: Você está estudando aquilo tudo (que não é fácil) pra depois se juntar com outras pessoas e organizar todos aqueles sons pra fazer alguma coisa. Mas o quê? Pra que diabo serve isso?

Eu não me atrevo a responder. Só não custo a dizer que esses dias fui questionado por alguém importante, e essa pessoa me perguntou "não foi isso que você escolheu fazer?" Por que diabos eu escolhi isso? Só por que eu me considero bom? Só por que eu acho que tenho "talento"? Não - eu gosto de música. Algumas vezes eu deixava um pouco de falar nisso porque ficava constrangido na frente dos colegas da faculdade, que infelizmente já tinham se tornado mesquinhos, e eu ainda não.

É realmente importante não deixar a ingenuidade, se faz algo porque se gosta disso, e algumas vezes isso nos expôe mesmo. Antes de querer ser um profissional em música, eu quero ouvir muita música, e curtir bastante. Acho que isso é no final das contas o que importa. É esse o prazer. Não é ter a melhor leitura ou a melhor técnica, é estar bem com o que se faz - e nunca deixar que nada seja capaz de transformar algo tão sublime em chacota ou profissãozinha, ou algo que te distancie de quem as pessoas realmente são.

Me metido com música porque gosto de ouvir concertos, gosto de textos clássicos, gosto de literatura, de poesia, gosto dessa merda toda, e nunca vou deixar de carregar isso no meu mp3 player (na realidade é um celular) e nunca fui fã de música eletroacústica. Era alvo de chacota antigamente por causa disso, e continuo sendo anos depois. Odeio MPB, odeio bossa nova, odeio pop rock, essas caralhadas todas me dão coceira. Ultimamente, só depois de ter começado a estudar música que comecei a descobrir um prazer em ouvir isso. Engraçado, diziam que era o contrário...

Quando se é exigido "seja bom", a gente esquece disso. Se você esquecer mesmo, melhor nem continuar insistindo - isso definitivamente não faz o melhor profissional de qualquer forma...

sábado, setembro 27, 2008

Pô, tá difícil passar pra licenciatura em música esse ano, né não?

quinta-feira, agosto 28, 2008

É sempre difícil lidar com o mundo. "Foda-se" realmente virou o meu jargão. Nunca pensei que fosse chegar a esse ponto. Mas pelo menos minha vida começou a alavancar. Recomendo. Dói perceber que realmente existem Pessoas e pessoas. E pra que tenhamos o maiúsculo, infelizmente temos que nos livrar do que pesa. E às vezes os sentimentos de medo, disfarçados de diplomacia, de culpa, disfarçados de paciência, e de rancor, disfarçados em "dizer a verdade" nos puxam pra baixo.

O mundo realmente fica mais fácil com mais desapego, mais confiança em si e mais "foda-se" pras pessoas. Cada um que faça sua parte. Diz respeito a si, o que diz respeito. E só. Nada mais. Fazemos por nós, os outros que façam por si - isso é a mais nobre demonstração de altruísmo. Se todos fizerem por si, todos farão por todos. E ponto final.

Não haveria lugar para frustração em um mundo onde não se tem tempo pra auto-piedade e "peninha" dos outros. Então chega de teletubbies. A moda é essa:

- Te pediram a mão?
Estenda.
- Te pediram o pé?
Dê uma voadora, pra matar.

O pior tipo de inimigo é o sanguessuga. Mas o mais perigoso sempre é você mesmo (que às vezes cái nessa).

Pronto, aprendi

Querido Papai-do-Céu;

hoje aprendi uma coisa muito importante:
Que eu não tenho a obrigação de ser legal.
Então é foda-se pra todo mundo que é mané. FODA-SE!
É ferro, e pimenta no toba alheio!

segunda-feira, agosto 04, 2008

Foda-se

Pratiquemos este verbo. De todas as formas e em todas conotações. Bom verbo, vulgar é o verbo. Mas nunca vi expressão mais poderosa.

Não conseguiu? "Foda-se" Não perdoou? "Foda-se" Não lembrou? "Foda-se" Não esqueceu? "Foda-se" Não deu? "Foda-se" Não vai dar? "Foda-se" E o melhor: não deixa de incomodar? "Foda-se"

Manda se foder, veja o circo pegar fogo. Porque pra você amigo, eles também só dizem isso, só dizem
"Foda-se"!
"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.

Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem - Cousteau, ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: 'Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver'. Il faut aller voir. Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo." [Amyr Klink]

Feliz coincidência ter me encontrado com este texto agora. Ontem mesmo estive debruçado sobre os saldos da minha vida e o cearense em mim só começou a bater no peito e dizer "comedor de rapadura sou eu" depois de ter colocado os pés rachados de sol onde só se usa tênis e quase só se come industrializado.

Também pensando nas Minas Gerais, e todos estes novos mundos: Como é maravilhoso ver o que se repete, e também o que muda violentamente de um quilômetro de chão pro outro. Nosso egoísmo, nossa pequenez toda seca como folha moribunda depois de ver que existem lugares mais secos, existem vidas mais complexas, e existem mundos maiores pra se ver. E sempre se tem onde e como crescer.

O mundo é uma máquina maravilhosa. Sem dúvidas.
(Diário de bordo já esteve em: Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais - estou dominando o sudeste!)

terça-feira, julho 29, 2008

Esse negócio de festival de música é mistura de terapia com curso de férias. Transforma o que a gente às vezes acha que detesta em alguma coisa agradável, lúdica. A parte boa é tudo isso, a ruim é ter que voltar da experiência. É triste deixar os novos amigos pra trás de alguma forma. O bom é se tocar de como o mundo, e tudo nele, é bem maior que a gente pensava que fosse.

Que bom que existem os festivais de música!

sábado, julho 05, 2008

Copioso... em branco

Não é só o clima que está frio. O resto anda um pouco assim também... Apesar da paz (o fim de semestre realmente me impressiona) eu me sinto um pouco feito um esquimó. Tudo está em branco. Como gelo, ou uma grande folha de papel.

Voltei a ter desejos estúpidos como terminar aquele romance que eu comecei há mil anos, ou mesmo fazer um curso de alguma coisa estúpida pra me sentir uma pessoa melhor. O que eu queria mesmo era saber usar melhor o tempo, e ser mais indulgente. Me permito a fazer poucas das coisas que realmente gostaria. Porém, uma delas que é andar sem rumo depois de gastar o dinheiro da passagem com um pacote de biscoito trakinas, eu continuo fazendo.

O frio pode ser dúvida. Não sei se vou me tornar um desses cantores solistas cheios de si (no melhor sentido possível e imaginável da realização pessoal) ou um musicólogo empoeirado. Sou curioso demais pra olhar sempre pras mesmas coisas e dar as pessoas o melhor do mesmo.

Talvez solidão? Eu sou uma pessoa estranha: Rejeito convites de baladas dos amigos, não bebo, não fumo (nem maconha), não cheiro... E estou quase sempre só. Será que eu tenho 22 anos mesmo? De repente se eu tiro a barba melhora. Me sinto velho. Sempre ouvindo essas músicas só minhas, e lendo os textos que só eu conheço.

Mas meu mundo é meio isso... um lugar escondido, solitário, pacífico e terrível como uma floresta virgem cheia dos mais belos monstros. E o maior deles é o desejo... de existir? De entender? E eu sei lá, de repente isso tudo é só o frio - coisa física de arrepiar os pêlos. O mundo é banal, o que o torna algo mais são as pessoas. E as pessoas não estão ao redor. Eu também não fiz por merecer melhor, sou um mané muito avoado que deixa a mãe a dois mil quilômetros e sái de casa pra ser artista, onde já seu viu cara mais babaca? Hahahahahaha.

Sonhador, romântico, meditativo... Me banhem os arquétipos. Tô concluindo que pode ser que eu seja mais um desses.
Me sinto tão bem.
Fim de semestre é uma beleza ;)

quarta-feira, julho 02, 2008

Fim de semestre. Sensação de dever cumprido? Mas o semestre vai acabar mesmo... Aprendi alguma coisa? De repente posso ter me tocado que num primeiro semestre a gente só aprende como é zé-ruela :-P

Nunca imaginei que faculdade fosse uma coisa tão estressante. É um frio na espinha contínuo. Uma culpa que te diz que, ao invés de escrever no blog, você deveria estar estudando. Mas são muitas coisas que eu deveria estar fazendo. Simplesmente não me acostumo mais em ficar sozinho, tô parecendo um daqueles pássaros migratórios meio fora do bando.

Mas eu me acostumo. A gente não nasce grudado em nada nem ninguém (salvo raras e tristes exceções). Eu aguento.

Quem sabe...

"Und morgen wird die Sonne wiederscheinen..."

domingo, junho 22, 2008

...e a cruz

Há tempos que não cito uma das minhas coisas favoritas, que é Loreena McKennitt, uma ruivinha canadense que produziu das maiores pérolas da música contemporânea. E uma das peças que mais me chamaram atenção na obra dela, é a canção the dark night of the soul (a noite escura da alma) - que remete a uma expressão não exatamente negativa, mas sim à idéia da contemplação de algo sombrio ou misterioso.

E o poema escolhido por ela foi um manuscrito sem título de um visionário do século XV, conhecido por São João da Cruz. O mesmo descreve com requintes românticos a relação do escritor com seu Deus; e apesar de algum homoerotismo implícito (proposital?) acredito que é uma das passagens mais belas e ricas da literatura que eu já pude ver.

Mais ou menos como Hildegard von Bingen (Santa Hildegarda), talvez São João da Cruz fosse um desses sujeitos altamente inspirados e atemporais que nos trazem um certo e perturbador mistério sobre o amor, sobre Deus, sobre a verdade...

Infelizmente só tenho acesso a tradução em inglês por enquanto, e é a mesma usada pela própria Loreena em sua canção que colocarei aqui. É exatamente ela que me lembra as boas coisas :-)

Upon a darkened night
the flame o love was burning in my breast
And by a lantern bright
I fled my house while all in quiet rest

Shrouded by the night
and by the secret star I quikly fled
The veil concealed my eyes
while all within lay quiet as the dead

Oh night though was my guide
oh night more loving than the rising sun
Oh night that joined the lover
to the beloved one
transforming each of them into the other

Upon that misty night
in secrecy, beyond such mortal sight
Without a guide or light
than that which burned so deeply in my heart

That fire t'was led me on
and shone more bright than of the midday sun
To where he waited still
it was a place where no one else could come

Within my poinding heart
which kept itself entirely for him
He fell into his sleep
beneath the cedars all my love I gave
From o'er the fortress walls
the wind would brush his hair against his brow
And with its smoothest hand
caressed my every sense it would allow

I lost myself to him
and laid my face upon my lovers breast
And care and grief grew dim
as in the mornings mist became the light
There they dimmed amongst the lilies fair

Factum est

"Existe uma violência instrinseca em ser pacífico".

domingo, junho 01, 2008

E o céu chora gotinhas geladas

Não se sabe até quando vou ficar ilhado nessa molhação das águas que deviam ter caído em março (porque no Rio, pra tudo tem uma música idiota) mas até que estou lidando bem com a violenta variação climática comum aqui no sudeste.

Apesar disso estou feliz, as pesquisas com células tronco embrionárias foram liberadas, ganhei um celular novo bloqueado pra claro (mas o celular é bonitinho!) o mundo é lindo, minha cadela está no cio... O que mais poderia melhorar?

terça-feira, maio 20, 2008

Finalmente escolhi os personagens de ópera que eu quero fazer. Dois na mesma ópera - Narraboth e Herodes na Salomé de Strauss. Por que me deu vontade de cantar logo dois coadjuvantes?
Vai saber!

Não sou o tipo de cara que pira com heroizinhos típicos de ópera, cheios de árias cantando os xavões de sempre. Ok, vou assumir: Não gosto daquela baboseira italiana de sempre. Não sou um herói, não sou divino... sou completamente humano, e definitivamente não me sinto inspirado fazendo um personagem plano e previsível. Gostei do Strauss por isso. Previsível é tudo que ele não é.

Eu e a... laje, tópico pitoresco

Hoje estive lendo uma matéria em um site sobre distúrbios psíquicos, e dei alguma atenção especial para a esquizofrenia. Assim como você eu entendo pouco sobre esta condição, que é uma das mais perturbadoras e tristes imagináveis.

Pelo que entendi, mesmo hoje em dia não se sabe ao certo o que causa a esquizofrenia. E, assim como o câncer, a esquizofrenia não é uma doença, mas sim, um grupo de patologias com sintomas que possuem alguma afinidade, mas não necessariamente desencadeiam-se de forma idêntica. Porém, o traço marcante da esquizofrenia, é retirar o indivíduo da percepção convencional da realidade e de si mesmo.

Um exemplo típico são as comuns alucinações auditivas; onde o paciente diz ouvir vozes que o perturbam com xingamentos, ameaças e julgamentos, ou também as perturbações de pensamento, também descreveria como perturbação de identidade, de difícil explicação e diagnóstico - o indivíduo sente alguma dificuldade em identificar a si mesmo por alguma razão (acha que é um alienígena, que não é humano, que na realidade é uma pedra, e todas as pessoas são pedras disfarçadas de pessoa tentando enganá-lo...)

Importante lembrar: Esquizofrenia NÃO é maldição, NÃO é falha de caráter, e também NÃO é possessão demoníaca. É uma patologia difícil, triste e complexa, que se fundamenta em mecanismos do corpo e da consciência humana ainda em processo de estudo pela ciência regular; então, é sempre bom evitar entender qualquer comportamento estranho ou violento dos outros como mero capricho. Nosso corpo é como um computador, às vezes ele pifa. E ter problemas psíquicos é como ter cárie, se você não se cuida, pode esperar que um dia o molar vai doer.

Estive falando nisso porque coincidiu de eu receber um convite para uma comunidade relacionada no orkut, e infelizmente possuo parentes que sofrem da doença. Pra ser bem sincero, às vezes eu tenho verdadeiro pânico disso, por estar na "lista de risco" da patologia. Essa coisa de querer viajar pra Marte, ter medo do Cão, ter dificuldade em manter rotina, ter certas atitudes de fuga, algumas dificuldades de associação e expressão de idéias... Espero que seja só um estado depressivo standart de adulto jovem. Mas uma coisa é certa: À toa, nenhuma doença me pega. E espero que também não faça o mesmo com ninguém.

Se ligue, não se perca num ralo qualquer.

sábado, maio 10, 2008

Queijo Gruyère

Consumam este queijo.
Ponto final.
(Nunca vi um queijo ficar tão bem com TUDO, fala sério!)

quinta-feira, maio 01, 2008

terça-feira, abril 22, 2008

Ps.:

Preciso dar um jeito sério de voltar a estudar alemão. Acho que sou a pessoa que conheço que mais gosta do Lied germânico. Nunca vi, fala sério. Estou com Lieder como adolescente com metal: Ao invés das tablaturas são partituras, e sempre correndo atrás de uma tradução. E cada Lied que consigo traduzir, é como uma faca que me rasga o peito (mas daquele jeito triste que é bom - você sabe do que estou falando) ou então como um brigadeiro (sei lá, tipo um ferreiro rocher) ou mesmo uma jóia rara - daquelas que você nem encosta direito com medo de estragar o brilho.

Agora que eu fui entender porque isso deu tão certo. Esses compositores conseguiram trazer para a música um certo amor, uma dor, uma sensação de solidão que viveram os poetas e os músicos que compuseram as obras (em dada época), que de uma maneira maluca representou magníficamente esta coisa noir, contemporânea, insólita que ainda vivemos. Cidades grandes, muitos mundos... E nenhuma comunicação com isso tudo. Então tudo que é de belíssimo fica íntimo, fica pequeno, tímido...

Um canto ali, um piano aqui... E todo amor que couber em um papel, uma voz e duas mãos.

Já estou cansando o assunto...

O bom de se acreditar em Deus é que, por mais idiota que seja, você tem um tipo de certeza contínua de que algo em algum lugar se encaixa. E que alguém perde tempo olhando por você. (Não simplesmente pra você como faz um transeunte com cara de taxo no meio da rua).

Certos tempos colocam nossos culhões a prova, e nessa hora eu percebi que não acredito em nada além da minha família e meus amigos. Meus Deuses.

A pior coisa do mundo num caso destes é sentir que as coisas não se encaixam. E que os Deuses não estão lá. É você e o monólito. Você e a lenda pessoal. Seja a tragédia ou o triunfo. Toda a odisséia está pronta. As bestas e os demônios estão em suas respectivas alcovas, com suas bocarras abertas, esperando aquele frouxo herói ousar dar os passos adiante para ser simplesmente devorado pelos mesmos.

Um herói leva consigo a terra, o suor e o sangue de suas origens. Tem algo tremendo e quase terrível de tão perfeito em si. Um herói tem uma certeza, e seu coração é um castelo repleto do seu passado, adornado com as boas memórias, onde moram os seus bens e queridos, e tem como tapetes as tragédias e os desafios.

Já eu me sinto um retirante numa tempestade de areia andando pra algum lugar que mais parece um buraco sem fundo. Quantas vezes um ser humano se sente assim? Meu Deus - quantas vezes alguém precisa olhar pra morte pra saber que está vivo? Quantas vezes precisa cair no poço pra saber que está em pé?

As coisas são o que são... e sejam lá o que forem, eu não as sei, não as conheço. É uma noite sem estrelas, é uma chuva em silêncio de vento frio, e à frente há o escuro.

Não fossem as palavras, estaria morto. Acho que não sei mais chorar.
Que porra é essa, né?
Dane-se.

sábado, abril 19, 2008

Allein, allein und immer allein

Por mais que eu não seja um astronauta, e muitas pessoas também nunca foram ao espaço sideral, é comum a sensação de vácuo num mundo tão cheio de gente tão cheia de si. mas não importa com qual força prendamos o ar e a sensação de self, a porra toda trava como um ciclo que não se fecha: Ser humano é estar em contato. É compartilhar.

Eu escrevi este blog pensando nisso. E por mais que ninguém o leia (também por mais que ninguém além de mim saiba o que realmente se passa na minha vida) continuo buscando reencontrar os elos rompidos.

Me sinto um pedregulho no vácuo, em algum lugar praticamente sem temperatura pelo espaço - preto e fundo.

Sempre uma canção...
Sempre uma pancada seca, ressoando fria no escuro...

 Die sich hier Gespielen suchten, 
öfter weinten, nimmer fluchten,
wenn vor ihrer treuen Hand
keiner je den Druck verstand:
Alle die von hinnen schieden,
Alle Seelen ruhn in Frieden!

terça-feira, abril 08, 2008

Wie eine Traum...

Heilige Nacht! Heilige Nacht!
Sterngeschlossner Himmelsfrieden!
Alles, was das Licht geschieden,
Ist verbunden,
Alle Wunden
Bluten süß im Abendrot.

Bjelbogs Speer, Bjelbogs Speer
Sinkt ins Herz der trunknen Erde,
Die mit seliger Gebärde
Eine Rose
In dem Schoße
Dunkler Lüste niedertaucht.

Heilige Nacht, züchtige Braut,
Deine süße Schmach verhülle,
Wenn des Hochzeitsbechers Fülle
Sich ergießet;
Also fließet
In die brünstige Nacht der Tag!

Clemens von Brentano

Ps.:

Na vivamúsica tô como barítono.

Sacanagem!

Uma coisa é te chamarem de barítono se você for, outra é ser barítono e ter culhão pra fazer aqueles repertórios pauleiras.

Quem dera que eu tivesse aqueles vozeirões. Mas não gente. É voz metálica e espetada mesmo. Esta porra que vos fala é tenor mesmo.
Quem dera que o mundo pudesse ser um pouco maior quando precisamos de espaço, e menor quando precisamos de tempo... Mas as coisas são como são. E não existe lugar para o medo.

A fraqueza é constante, e todos os vícios são como pólen para as abelhas...
Desagradável.

quarta-feira, abril 02, 2008

É tão bom ver os avestruzes com a cabeça num buraco e os vermes na carniça. Ó vida, ó lei do retorno.

domingo, março 30, 2008

Coisas que nunca se deve esquecer na faculdade

Todos são humanos,
todos estão tão confusos e estressados como você,
pessoas mais burras que você sobrevivem ao primeiro semestre,
o vestibular não é nada comparado ao tipo de coisa que se tem que fazer na faculdade,
você não vira bicho, continua digno de respeito como qualquer pessoa,
você ainda tem família, amigos, necessidade de se alimentar, de fazer sexo e de respirar,
pessoas vão falar mal de você, e as vezes na sua frente - simplesmente fale mal delas também,
alguém sempre aparece pra falar uma merda quando você está na merda,
normalmente você está na merda,
ninguém te trata com mais respeito porque você agora tem "nível superior incompleto",
no caso dos músicos, você começa a ter uma certa raiva de música e não ouve mais tanto,
no caso dos médicos, você só pensa em abrir uma clínica e ser um liberal,
no caso dos advogados, você se desespera,
você não é bom em nenhuma matéria - todas são difíceis,
no caso dos cantores, nada do que você canta serve, tem que ser outra coisa
no caso dos pianistas, todo mundo acha que você automaticamente sabe fazer arranjos,
no caso dos compositores, todo mundo acha que você compôe,
você nunca tem dinheiro pra nada, então não gaste o que você não tem com cartão universitário,
invente uma maneira de dar aulas do que quer que você esteja fazendo, por pior que seja nisso,
e principalmente: Estude! Quatro ou cinco anos voam, e a chance de não servirem pra nada além de um trote no primeiro dia de aula é enorme.

Experiência própria e alheia.

Ano passado eu fui o Diabo...


You are The Empress


Beauty, happiness, pleasure, success, luxury, dissipation.


The Empress is associated with Venus, the feminine planet, so it represents,
beauty, charm, pleasure, luxury, and delight. You may be good at home
decorating, art or anything to do with making things beautiful.


The Empress is a creator, be it creation of life, of romance, of art or business. While the Magician is the primal spark, the idea made real, and the High Priestess is the one who gives the idea a form, the Empress is the womb where it gestates and grows till it is ready to be born. This is why her symbol is Venus, goddess of beautiful things as well as love. Even so, the Empress is more Demeter, goddess of abundance, then sensual Venus. She is the giver of Earthly gifts, yet at the same time, she can, in anger withhold, as Demeter did when her daughter, Persephone, was kidnapped. In fury and grief, she kept the Earth barren till her child was returned to her.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.

Fancy, isn't it?

Do fundo do baú...

Achei um backup de arquivos antigos, inclusive gravações das minhas aulas de canto. Tomei coragem pra ouvir, e ouvi.

Posso dizer com certeza que tenho pena de quem me ouvia. Como eu era teimoso, meu Deeeus! Uma voz completamente nasal, atochada, presa... E as benditas professoras dizendo "falta espaço". E eu batendo a cabeça na parede feito uma mula.

Então, depois de um bom tempo, finalmente eu começo a engatinhar, a rastejar chegando aos pouco no que chega a se parecer com um tímbre relativamente bonito, e talvez elegante de tenor. Diferente da gralha com mania de se achar o cara da voz acutíssima, (que não passava direito de um sol3).

Parei pra raciocinar e fazer um balanço do que aprendi... E um conselho eu dou a qualquer cantor: Além de ter um bom professor, é preciso ter um bom senso crítico. Saber também se ouvir. Como se diz em inglês if it feels wrong, it is wrong. Bati muito a cabeça na parede querendo fazer o certo, e só deixava professores confusos.

Depois de tanto tempo, de não sei quantos anos tendo lições de canto, descobri o que nunca devia ter esquecido... Se lembra como a gente canta embaixo do choveiro? Relaxado? Garganta aberta, sem nenhuma sensação de prisão, desconforto ou estranheza? Pois é. É não sabendo fazer que a gente melhor faz, o resto é estética e estilo.

Ó vida. Ó dia.

Birgit Nilsson

É triste ter me tocado que a mulher existiu só depois da morte dela. Hoje em dia eu digo sem sombra de dúvida que esta foi o soprano dramático mais impressionante que eu já ouvi. Graças a Deus tive acesso a várias gravações dela, desde a Isolda até dona Elvira, passando por Lady Macbeth e muitas outras... Nada me decepciona. Realmente foi uma voz de aço no quesito de resistência e força, mas uma artista de morango com leite condensado quando precisava.

Taí, pra essa eu tiro o chapéu e estiro o tapete vermelho: Diva, diva, diva!


Birgit Nilsson em "Ozean, du Ungeheuer" (Oceano! Tu Poderoso Monstro) da ópera "Oberon" de Webber.
Mais cansado que velho asmático, sem um tostão no bolso, sem livrinhos pra estudar e enrolado na bendita faculdade. Além de tudo gripado. Quantas vezes eu adoeci esse ano?

Something could be any better than that?...

quarta-feira, março 12, 2008

Continuo a perguntar

Alguém tem um celular velho pra fazer um jogo? Pago em cash na mão! Vocês não sabem como é foda ficar sem um aparelho!

Guia de como passar na UFRJ pra música

Por favor, não me contactem com perguntas cretinas sobre o vestibular. Tudo o que eu posso fazer para ajudar já está escrito. Não me adicionem em redes sociais e não me mandem mensagens pessoais. Vocês já tem uma ajuda que eu não tive, dêem um jeito de usá-la a favor de vocês.

Aqui segue mais ou menos o esquema que eu fiz, e pro meu curso que tinha concorrência de 1,25 pra 1 me rendeu o segundo lugar:

I. Antes mesmo de sair o edital, veja alguns editais e provas antigas da faculdade (dos últimos dois anos, por exemplo) e selecione, entre as específicas, assuntos que se repetem e comece a estudar. É bom que em pelo menos uma específica você se sinta genial, por enquanto fique nas específicas.

II. Seja lá qual for o instrumento que você toque, solfejo e ditado cái pra todo mundo, então, com uma boa antecedência também é bom manter uma rotina de solfejo.

IIa.: Sabendo-se que não é nada prático estudar solfejo, e parece surreal estudar ditado, uma boa idéia é procurar peças corais de música antiga (preferencialmente em escalas regulares, mas se aparecem os modos, pega) e sair lendo voz por voz, do jeito que der. Canções folclóricas e outras peças vocais simples ajudam muito na familiarização com estudo de melodias. Melhor que método de solfejo, mas não dispense um.

IIb.: Não tem com estudar ditado? Peça alguém pra tocar um, ou em última hipótese, componha uma música tonal aleatóreamente (algo que você imagine que possa ser cantado), e leia depois, tendo atenção pra entender as relações de intervalos. Outro socorro é estudar intervalos harmônicos no piano / teclado. Perde um tempo tocando intervalos diversos e tentando entender os sons. E se você tem hábito por instrumento harmônico (violões e harpas incluídos), quando tocar, preste atenção nos acordes que você toca e os intervalos que as notas fazem entre si. Identificar e classificar os sons na sua cabeça já servem como guia na hora de um ditado ou solfejo.

IIc.: Sobre ritmo (uma parte que eu desprezei no meu THE) eu observei que a música popular, principalmente samba, maracatu e essas paradas, são bons exemplos de trabalhos difíceis em rítmica. Conseguir reproduzir os ritmos ouvidos em pauta ajuda na hora fazer a leitura rítmica (que vem junto do solfejo).

É muito importante ter contato sempre com a música, seja cantando ou ouvindo e analisando. E sempre que você tocar alguma coisa, tente memorizar os intervalos (você canta uma música que tem um salto de sétima menor ascendente, você faz o salto e tenta "decorar" aquele salto que você cantou); fazendo disso um hábito já torna as coisas muito mais fáceis (lembrando, claro, dos carros-chefes do solfejo - segundas menores, maiores, terças menores e maiores e os intervalos justos, o resto é consequencia).

IId.: Evite se atrever a fazer o vestibular com qualquer dúvida que seja sobre formação de acordes, tríades, tétrades, inversões, cifras e escalas (em suas diferentes formas). Prova de teoria não se "faz bem", se gabarita. (O assunto pode ser extenso - mas definitivamente contamos com um livro excelente e acessível no Brasil - Teoria da Música do Bohumil Med. Muuuito bom pra se preparar pro vestibular).

IIe.: (Mas não menos importante!) Tenha o hábito de cantar as melodias das peças que você executa. Nem que seja com voz de taquara rachada. Isso resolve o problema de inibição na hora do solfejo, e ajuda você a memorizar a sensação das notas no corpo. Excelente macete pra memorizar melodias, melhorar solfejo e até tocar melhor.

III.: Pro teste de execução é bom você estar bem maduro no que vai fazer; tenha uma rotina de ensaios. É bom escolher e testar o repertório com uma boa antecedência, e não conte com a sorte. Imagine de cara que você vai pegar a banca mais exigente, e se prepare pra dar o melhor, porque se você pegar uma banca de ovo virado... Se ferra!

IIIa.: Na prova de instrumento / canto também tem leitura a primeira vista. Usar peças folclóricas / populares como estudos de leitura também funciona bem - o importante é tentar ler, errar muito, mas não desistir de ler.

IV.: Quando chegar o edital da prova, veja o que muda em relação aos outros, estude todas as matérias específicas e português, que vale uma boa pontuação. Pratique uma redação de vez em quando, e dê uma olhada nas não-específicas que você é bom, se não tiver nenhuma, estuda só filosofia no wikipedia mesmo. Isso já garante uma pontuação razoável.

Resumindo - leia os editais, estude TUDO com calma e antecedência, não despreze NENHUMA parte do THE nem das provas e evite ficar estressado no dia do teste e das provas. Os professores devem imaginar que muitos candidatos não estarão na melhor forma, mas é bom contar que você não será um desses. E lembre-se que o THE na UFRJ vem antes das provas, é eliminatório! Mesmo assim NÃO esqueça que o que garante a vaga não é passar no THE, é passar no THE e fazer boas provas! :P

(Ps.: Dica de calouro - O maior stress da Escola de Música não é o vestibular, e sim a inscrição em disciplinas. Passar no vestibular é fácil, o difícil é ter resistência pra lidar com ponta solta e burocracia. E olha que beleza: Eu não sou nenhuma encarnação do Mozart e passei de primeira vez. O negócio é estudar, mesmo que seja pelo wikipédia, solfejando atirei o pau-no-gato e lendo deep river no teclado!)

domingo, março 02, 2008

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Travian!

http://www.travian.com.br/?uc=br5_17098
Joguinho legal: Você cria sua cidadezinha com romanos, teutões, gauleses - e passa mais dias e dias criando sua cidadezinha, depois suas tropas... Tudo muito sem pressa.
Pra quem gosta de estratégia e jogos em .html, vale a pena. Basta seguir o link acima :D

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Esta vai entrar pra história: sexta-feira, dia 8/02/2008 - A sexta-feira mais sinistra já registrada.

"Friday is gloomy..."

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Pensamento genérico

Costumo ver muitas coisas do tipo "gosto de pessoas simpáticas" e "sou sempre sincero" também alguns "detesto mentira e falsidade"...

Isso constrói uma imagem na minha cabeça - me dá a clara idéia de que estamos sempre procurando nos relacionar com "super seres" ao invés de pessoas normais. Pessoas normais sim... Nós somos falsos quando precisamos, mentimos quando somos encurralados, somos chatos quando estamos inseguros... E além de tudo, todo mundo tem um pecado sério a confessar (não há um único ser no mundo que não tenha o rabo preso).

Então temos algo perto de uma receita infalível nas relações interpessoais... Ora, se só gostamos de quem é legal, estas pessoas chatas ficam fora da jogada... E um dia que os legais se cansem de ser legais o tempo todo, também saem da "vibe".

Observei uma coisa semelhante a "solidão grupal" quando entrei em contato com esses grandes centros urbanos: Nesses lugares mais do que nunca há a necessidade de se criar grupos de amigos perfeitos, como se o ambiente hostil exigisse talentos sociais excepcionais das pessoas, que para se proteger, formam verdadeiras "empresas sociais" - os amigos atuam como ampliações dos atributos do sujeito. E se ajudam mutuamente na conquista do status.

Não sou eu quem vai condenar isso. Mas é triste observar até que ponto a alienação chegou.

Paro pra pensar nos vilões... Os maus, os pobres, os feios, os vis... O que será deles? Ninguém gosta dessas pessoas, e todo mundo se esforça pra manter o perfil "vencedor do BBB" pra se sentir em dia com o mundo.

Viver já é difícil. Imagina viver pensando nisso: "Tenho que ser melhor que sou, senão ninguém vai me levar a sério".

E como eu ODEIO gente que se leva a sério!
Por mais que a gente negue, a entidade que mais influencia nossa vida tem um nome só: Mãe.

Um pedaço meu foi naquele avião pra Fortaleza...

Seria tão melhor se o mundo tivesse uma única cidade. Ninguém precisaria ficar longe de quem gosta. Porra de saudade desgraçada...