sexta-feira, maio 15, 2009

É, né...

O ano começou bem. Sarcasmos à parte - passei por praticamente tudo: Picaretas, emergências, gente surtada (eu surtando)... A parte boa éque estou ficando radical. É, isso é bom. O excesso de vasilinise, que me era tão comum, foi-se acabando... Estou mau humorado e meio exagerado. É que parece que, de alguma forma, meus dias estão acabando. Não sei o que isso quer dizer. Mas algo vai acontecer.

Deserto

Deserto é o que é vazio.
Dserto é o que não tem, é o que não vive... é um vazio que limita, e se expande como no infinito, por menor que ele seja. Deserto é o limbo, é o passado que não acaba. Deserto é o que vem depois. 

Os pés caminham descalços na areia fina e quente, que à noite se torna um vidro gelado... O deserto é extremo.... Mas, apesar da trilha acabar, não se pode ceder, não se pode cansr por mais que se caminhe, e mais se precise caminhar.

A sede, a fome, a solidão... Todas são banalidades diante da incerteza. O deserto vai um dia se acabar? Ou até lá já estarei acabado? Serei eu o deserto?

quarta-feira, outubro 08, 2008

Plantas

De repente eu voltei a fazer uma coisa que sempre gostei: Cuidar de plantas. Estou com quatro plantas no meu quarto, inclusive três delas são do carrefour (e fiz com que elas sobrevivessem!) Três roseiras bem pequenas... Daquelas miúdas mesmo. E também um cacto. Adoro cactos. Acho que sou viciado neles. Os cactos gordinhos sem espinhos, ou aquelas plantas bizarras e genéricas de clima árido. Adoro isso. E também as de flores bizarras e resistentes. Na realidade tudo aquilo é lindo...

Vou encher meu quarto de cactos daqueles dos vasinhos pequenos, hauhaua.

domingo, outubro 05, 2008

A Crise Estudantil

Depois de conviver algum tempo no ambiente universitário, percebi que os estudantes de música não são imunes a preguiça - e há um fenômeno não-exclusivo da Escola de Música que poderia chamar de "alergia musical".

Até as primeiras semanas do primeiro semestre, tudo são rosas. Mas depois que você se desorganiza e deixa as inseguranças tomarem um pouco a frente, tudo que é música começa a te dar verdadeira RAIVA. Então você tira todo aquele texto bonito que colocou em "Música" no orkut, começa a esquecer seu mp3 player de propósito, ou simplesmente não ouve mais música erudita...

Estive sinceramente pensando sobre isso: conheço mais de um punhado de bons instrumentistas e cantores que parecem definitivamente não gostar de música! Eles chegam, fazem o que tem que fazer, e depois nem sequer falam sobre isso. Então a música deixa de ter o seu propósito fundamental que é a catarse. Se torna uma profissãozinha, um estudinho barato e medíocre.

Quando percebi que estava me tornando um desses, eu não raciocinei muito e deixei rolar. Eu também estava de saco cheio daquela porra toda. Meio que a música se torna isso: Harmonia, percepção, formas... Vira um conjunto de cadeiras de faculdade. E uma coisa especialmente sem sentido: Você está estudando aquilo tudo (que não é fácil) pra depois se juntar com outras pessoas e organizar todos aqueles sons pra fazer alguma coisa. Mas o quê? Pra que diabo serve isso?

Eu não me atrevo a responder. Só não custo a dizer que esses dias fui questionado por alguém importante, e essa pessoa me perguntou "não foi isso que você escolheu fazer?" Por que diabos eu escolhi isso? Só por que eu me considero bom? Só por que eu acho que tenho "talento"? Não - eu gosto de música. Algumas vezes eu deixava um pouco de falar nisso porque ficava constrangido na frente dos colegas da faculdade, que infelizmente já tinham se tornado mesquinhos, e eu ainda não.

É realmente importante não deixar a ingenuidade, se faz algo porque se gosta disso, e algumas vezes isso nos expôe mesmo. Antes de querer ser um profissional em música, eu quero ouvir muita música, e curtir bastante. Acho que isso é no final das contas o que importa. É esse o prazer. Não é ter a melhor leitura ou a melhor técnica, é estar bem com o que se faz - e nunca deixar que nada seja capaz de transformar algo tão sublime em chacota ou profissãozinha, ou algo que te distancie de quem as pessoas realmente são.

Me metido com música porque gosto de ouvir concertos, gosto de textos clássicos, gosto de literatura, de poesia, gosto dessa merda toda, e nunca vou deixar de carregar isso no meu mp3 player (na realidade é um celular) e nunca fui fã de música eletroacústica. Era alvo de chacota antigamente por causa disso, e continuo sendo anos depois. Odeio MPB, odeio bossa nova, odeio pop rock, essas caralhadas todas me dão coceira. Ultimamente, só depois de ter começado a estudar música que comecei a descobrir um prazer em ouvir isso. Engraçado, diziam que era o contrário...

Quando se é exigido "seja bom", a gente esquece disso. Se você esquecer mesmo, melhor nem continuar insistindo - isso definitivamente não faz o melhor profissional de qualquer forma...

sábado, setembro 27, 2008

Pô, tá difícil passar pra licenciatura em música esse ano, né não?

quinta-feira, agosto 28, 2008

É sempre difícil lidar com o mundo. "Foda-se" realmente virou o meu jargão. Nunca pensei que fosse chegar a esse ponto. Mas pelo menos minha vida começou a alavancar. Recomendo. Dói perceber que realmente existem Pessoas e pessoas. E pra que tenhamos o maiúsculo, infelizmente temos que nos livrar do que pesa. E às vezes os sentimentos de medo, disfarçados de diplomacia, de culpa, disfarçados de paciência, e de rancor, disfarçados em "dizer a verdade" nos puxam pra baixo.

O mundo realmente fica mais fácil com mais desapego, mais confiança em si e mais "foda-se" pras pessoas. Cada um que faça sua parte. Diz respeito a si, o que diz respeito. E só. Nada mais. Fazemos por nós, os outros que façam por si - isso é a mais nobre demonstração de altruísmo. Se todos fizerem por si, todos farão por todos. E ponto final.

Não haveria lugar para frustração em um mundo onde não se tem tempo pra auto-piedade e "peninha" dos outros. Então chega de teletubbies. A moda é essa:

- Te pediram a mão?
Estenda.
- Te pediram o pé?
Dê uma voadora, pra matar.

O pior tipo de inimigo é o sanguessuga. Mas o mais perigoso sempre é você mesmo (que às vezes cái nessa).

Pronto, aprendi

Querido Papai-do-Céu;

hoje aprendi uma coisa muito importante:
Que eu não tenho a obrigação de ser legal.
Então é foda-se pra todo mundo que é mané. FODA-SE!
É ferro, e pimenta no toba alheio!

segunda-feira, agosto 04, 2008

Foda-se

Pratiquemos este verbo. De todas as formas e em todas conotações. Bom verbo, vulgar é o verbo. Mas nunca vi expressão mais poderosa.

Não conseguiu? "Foda-se" Não perdoou? "Foda-se" Não lembrou? "Foda-se" Não esqueceu? "Foda-se" Não deu? "Foda-se" Não vai dar? "Foda-se" E o melhor: não deixa de incomodar? "Foda-se"

Manda se foder, veja o circo pegar fogo. Porque pra você amigo, eles também só dizem isso, só dizem
"Foda-se"!
"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.

Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem - Cousteau, ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: 'Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver'. Il faut aller voir. Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo." [Amyr Klink]

Feliz coincidência ter me encontrado com este texto agora. Ontem mesmo estive debruçado sobre os saldos da minha vida e o cearense em mim só começou a bater no peito e dizer "comedor de rapadura sou eu" depois de ter colocado os pés rachados de sol onde só se usa tênis e quase só se come industrializado.

Também pensando nas Minas Gerais, e todos estes novos mundos: Como é maravilhoso ver o que se repete, e também o que muda violentamente de um quilômetro de chão pro outro. Nosso egoísmo, nossa pequenez toda seca como folha moribunda depois de ver que existem lugares mais secos, existem vidas mais complexas, e existem mundos maiores pra se ver. E sempre se tem onde e como crescer.

O mundo é uma máquina maravilhosa. Sem dúvidas.
(Diário de bordo já esteve em: Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais - estou dominando o sudeste!)

terça-feira, julho 29, 2008

Esse negócio de festival de música é mistura de terapia com curso de férias. Transforma o que a gente às vezes acha que detesta em alguma coisa agradável, lúdica. A parte boa é tudo isso, a ruim é ter que voltar da experiência. É triste deixar os novos amigos pra trás de alguma forma. O bom é se tocar de como o mundo, e tudo nele, é bem maior que a gente pensava que fosse.

Que bom que existem os festivais de música!

sábado, julho 05, 2008

Copioso... em branco

Não é só o clima que está frio. O resto anda um pouco assim também... Apesar da paz (o fim de semestre realmente me impressiona) eu me sinto um pouco feito um esquimó. Tudo está em branco. Como gelo, ou uma grande folha de papel.

Voltei a ter desejos estúpidos como terminar aquele romance que eu comecei há mil anos, ou mesmo fazer um curso de alguma coisa estúpida pra me sentir uma pessoa melhor. O que eu queria mesmo era saber usar melhor o tempo, e ser mais indulgente. Me permito a fazer poucas das coisas que realmente gostaria. Porém, uma delas que é andar sem rumo depois de gastar o dinheiro da passagem com um pacote de biscoito trakinas, eu continuo fazendo.

O frio pode ser dúvida. Não sei se vou me tornar um desses cantores solistas cheios de si (no melhor sentido possível e imaginável da realização pessoal) ou um musicólogo empoeirado. Sou curioso demais pra olhar sempre pras mesmas coisas e dar as pessoas o melhor do mesmo.

Talvez solidão? Eu sou uma pessoa estranha: Rejeito convites de baladas dos amigos, não bebo, não fumo (nem maconha), não cheiro... E estou quase sempre só. Será que eu tenho 22 anos mesmo? De repente se eu tiro a barba melhora. Me sinto velho. Sempre ouvindo essas músicas só minhas, e lendo os textos que só eu conheço.

Mas meu mundo é meio isso... um lugar escondido, solitário, pacífico e terrível como uma floresta virgem cheia dos mais belos monstros. E o maior deles é o desejo... de existir? De entender? E eu sei lá, de repente isso tudo é só o frio - coisa física de arrepiar os pêlos. O mundo é banal, o que o torna algo mais são as pessoas. E as pessoas não estão ao redor. Eu também não fiz por merecer melhor, sou um mané muito avoado que deixa a mãe a dois mil quilômetros e sái de casa pra ser artista, onde já seu viu cara mais babaca? Hahahahahaha.

Sonhador, romântico, meditativo... Me banhem os arquétipos. Tô concluindo que pode ser que eu seja mais um desses.
Me sinto tão bem.
Fim de semestre é uma beleza ;)

quarta-feira, julho 02, 2008

Fim de semestre. Sensação de dever cumprido? Mas o semestre vai acabar mesmo... Aprendi alguma coisa? De repente posso ter me tocado que num primeiro semestre a gente só aprende como é zé-ruela :-P

Nunca imaginei que faculdade fosse uma coisa tão estressante. É um frio na espinha contínuo. Uma culpa que te diz que, ao invés de escrever no blog, você deveria estar estudando. Mas são muitas coisas que eu deveria estar fazendo. Simplesmente não me acostumo mais em ficar sozinho, tô parecendo um daqueles pássaros migratórios meio fora do bando.

Mas eu me acostumo. A gente não nasce grudado em nada nem ninguém (salvo raras e tristes exceções). Eu aguento.

Quem sabe...

"Und morgen wird die Sonne wiederscheinen..."

domingo, junho 22, 2008

...e a cruz

Há tempos que não cito uma das minhas coisas favoritas, que é Loreena McKennitt, uma ruivinha canadense que produziu das maiores pérolas da música contemporânea. E uma das peças que mais me chamaram atenção na obra dela, é a canção the dark night of the soul (a noite escura da alma) - que remete a uma expressão não exatamente negativa, mas sim à idéia da contemplação de algo sombrio ou misterioso.

E o poema escolhido por ela foi um manuscrito sem título de um visionário do século XV, conhecido por São João da Cruz. O mesmo descreve com requintes românticos a relação do escritor com seu Deus; e apesar de algum homoerotismo implícito (proposital?) acredito que é uma das passagens mais belas e ricas da literatura que eu já pude ver.

Mais ou menos como Hildegard von Bingen (Santa Hildegarda), talvez São João da Cruz fosse um desses sujeitos altamente inspirados e atemporais que nos trazem um certo e perturbador mistério sobre o amor, sobre Deus, sobre a verdade...

Infelizmente só tenho acesso a tradução em inglês por enquanto, e é a mesma usada pela própria Loreena em sua canção que colocarei aqui. É exatamente ela que me lembra as boas coisas :-)

Upon a darkened night
the flame o love was burning in my breast
And by a lantern bright
I fled my house while all in quiet rest

Shrouded by the night
and by the secret star I quikly fled
The veil concealed my eyes
while all within lay quiet as the dead

Oh night though was my guide
oh night more loving than the rising sun
Oh night that joined the lover
to the beloved one
transforming each of them into the other

Upon that misty night
in secrecy, beyond such mortal sight
Without a guide or light
than that which burned so deeply in my heart

That fire t'was led me on
and shone more bright than of the midday sun
To where he waited still
it was a place where no one else could come

Within my poinding heart
which kept itself entirely for him
He fell into his sleep
beneath the cedars all my love I gave
From o'er the fortress walls
the wind would brush his hair against his brow
And with its smoothest hand
caressed my every sense it would allow

I lost myself to him
and laid my face upon my lovers breast
And care and grief grew dim
as in the mornings mist became the light
There they dimmed amongst the lilies fair

Factum est

"Existe uma violência instrinseca em ser pacífico".

domingo, junho 01, 2008

E o céu chora gotinhas geladas

Não se sabe até quando vou ficar ilhado nessa molhação das águas que deviam ter caído em março (porque no Rio, pra tudo tem uma música idiota) mas até que estou lidando bem com a violenta variação climática comum aqui no sudeste.

Apesar disso estou feliz, as pesquisas com células tronco embrionárias foram liberadas, ganhei um celular novo bloqueado pra claro (mas o celular é bonitinho!) o mundo é lindo, minha cadela está no cio... O que mais poderia melhorar?

terça-feira, maio 20, 2008

Finalmente escolhi os personagens de ópera que eu quero fazer. Dois na mesma ópera - Narraboth e Herodes na Salomé de Strauss. Por que me deu vontade de cantar logo dois coadjuvantes?
Vai saber!

Não sou o tipo de cara que pira com heroizinhos típicos de ópera, cheios de árias cantando os xavões de sempre. Ok, vou assumir: Não gosto daquela baboseira italiana de sempre. Não sou um herói, não sou divino... sou completamente humano, e definitivamente não me sinto inspirado fazendo um personagem plano e previsível. Gostei do Strauss por isso. Previsível é tudo que ele não é.

Eu e a... laje, tópico pitoresco

Hoje estive lendo uma matéria em um site sobre distúrbios psíquicos, e dei alguma atenção especial para a esquizofrenia. Assim como você eu entendo pouco sobre esta condição, que é uma das mais perturbadoras e tristes imagináveis.

Pelo que entendi, mesmo hoje em dia não se sabe ao certo o que causa a esquizofrenia. E, assim como o câncer, a esquizofrenia não é uma doença, mas sim, um grupo de patologias com sintomas que possuem alguma afinidade, mas não necessariamente desencadeiam-se de forma idêntica. Porém, o traço marcante da esquizofrenia, é retirar o indivíduo da percepção convencional da realidade e de si mesmo.

Um exemplo típico são as comuns alucinações auditivas; onde o paciente diz ouvir vozes que o perturbam com xingamentos, ameaças e julgamentos, ou também as perturbações de pensamento, também descreveria como perturbação de identidade, de difícil explicação e diagnóstico - o indivíduo sente alguma dificuldade em identificar a si mesmo por alguma razão (acha que é um alienígena, que não é humano, que na realidade é uma pedra, e todas as pessoas são pedras disfarçadas de pessoa tentando enganá-lo...)

Importante lembrar: Esquizofrenia NÃO é maldição, NÃO é falha de caráter, e também NÃO é possessão demoníaca. É uma patologia difícil, triste e complexa, que se fundamenta em mecanismos do corpo e da consciência humana ainda em processo de estudo pela ciência regular; então, é sempre bom evitar entender qualquer comportamento estranho ou violento dos outros como mero capricho. Nosso corpo é como um computador, às vezes ele pifa. E ter problemas psíquicos é como ter cárie, se você não se cuida, pode esperar que um dia o molar vai doer.

Estive falando nisso porque coincidiu de eu receber um convite para uma comunidade relacionada no orkut, e infelizmente possuo parentes que sofrem da doença. Pra ser bem sincero, às vezes eu tenho verdadeiro pânico disso, por estar na "lista de risco" da patologia. Essa coisa de querer viajar pra Marte, ter medo do Cão, ter dificuldade em manter rotina, ter certas atitudes de fuga, algumas dificuldades de associação e expressão de idéias... Espero que seja só um estado depressivo standart de adulto jovem. Mas uma coisa é certa: À toa, nenhuma doença me pega. E espero que também não faça o mesmo com ninguém.

Se ligue, não se perca num ralo qualquer.

sábado, maio 10, 2008

Queijo Gruyère

Consumam este queijo.
Ponto final.
(Nunca vi um queijo ficar tão bem com TUDO, fala sério!)