sábado, abril 28, 2007

Mais uma vez

E então vou fazer vinte e um anos daqui há menos de um mês.

Não sei porque estou me incomodando tanto com esta data, meus dezoito anos foram carregados de um exagero em preocupações, --- como os de muita gente --- entretanto estes vinte e um estão me tirando do sério.

Parece que, na minha cabeça, só agora mesmo é que eu posso me considerar de maior, (em vários países aí por fora, a maioridade só acontece aos vinte e um), e então a segunda maioridade deve estar me pondo nos extremos.

São todas aquelas questões que nos fazem ver e rever os mapas astrais, jogar e insistir no tarot, rezar à mil deuses para encontrar um bom caminho, porém tudo são dúvidas. Milhares delas.

Preferiria não me perder nas velhas e cansadas projeções, mas me lembro do trecho de um poema que escrevi em torno de 2002 (um ano de cão - não do cão), onde dizia mais ou menos isto:

"E então deixo um final feliz
para aqueles que não se cansam
e talvez não se casam
nem moram numa casa de cerquinha branca
até que a morte os leve para o lugar mais lindo de todos:
A Verdade."
Parece uma sensação de desespero, uma insistente crise existêncial como gostam de pintar os entusiastas do mundo cool¹. Mas não é isto. É uma daquelas questões que exigem reflexão.
A situação é que sinto como se eu não tivesse vinte e um anos². Era como se algo tivesse impedido o tempo de passar, e minha cabeça estivesse tremendamente ocupada pensando em como o mundo, (não simplesmente o meu), deveria ser.
Vivo muito preocupado com a vida alheia. Com a sensação de que as coisas poderiam estar melhores, poderiam ser ideais. Todo esse lance de 'depressão - o mal do século', 'solidão na multidão'.
Sinto como se eu tivesse uma receita milagrosa pros problemas de todo mundo, mas não sei como diluí-la nos sprinklers do mundo.
É uma sensação obcecada de que as coisas precisam ficar bem, e que as pessoas precisam ser felizes violentamente. A coisa é tão séria que morri de chorar hoje enquanto assistia um programa na TV sobre empregadas domésticas e seu estilo de vida³.
Era como se cada uma delas fosse a minha própria mãe, ao mesmo tempo que são todas as pessoas que eu gosto, e eu também. Uma coisa muito desesperadora. Algo como se afogar na dor do universo inteiro.
Pediria-se e muito um pensamento prático e analítico sobre isso, mas sinceramente eu não quero deixar que isto se apague. De alguma forma eu sinto que meu vigésimo primeiro aniversário não vai ser o que a minha cabeça doida queria que fosse, mas uma força ou simplesmente uma paranóia ridícula me força a isto.
Me força à sensação de empatia, de humanização pela minha espécie. Por aqueles que eu amo, e por aqueles que eu desprezo. E se há algo que eu quero aprender é como tocar o coração de cada ser humano, e fazê-los entender como é inexplicável perceber que alguém existe, e que só há aquela pessoa. Única.
Eis o meu delírio: Seja quem você for, esteja onde estiver, goste de quem gostar, odeie quem odiar - mas ame, viva, tenha esperança em si mesmo. Não precise de Deus, não precise de nada nem ninguém, apenas siga, compreenda e ame, ame muito aquilo que lhe for dado. E acima de tudo seja feliz, e viva.
Viva com a sensação visceral que só há um de você em tantos universos ou realidades que puder imaginar. E que você faz parte do impossível - você existe!
--- ---
¹: A tendência desses mesquinhos dos movimentos 'Smiligüido, em prol de um mundo em retrocesso', ou dos 'Fodões, fodões' é de não se questionar e reclamar sobre nada. Tudo está irremediavelmente bom, e onde deveria estar - por mais que te incomode ou dôa. O mundo não é cool, eu não tô na moda, nem assisto malhação e bebo refrigerante! (E morra, não jogo tênis!)
²: Não tenho vinte um anos completos ainda. Mas como é hábito de brasileiro, a gente arredonda pra mais.
³: Sobrevida é o mais correto. Como é injusto a vida destas mulheres. Dão o sangue e a vida por patrões que mal lhe assinam as carteiras de trabalho, e cobram a devoção de cães de guerra. Pelo amor de Deus gente, cuidem melhor de seus contratados domésticos. Estas pessoas também são humanas. Não são escravos natos, tem sonhos, tem limites!

quarta-feira, abril 25, 2007

A ditadura vocal

Mais um sobre música.

E então o sujeito compôe um tremendo conjunto de canções, e canções (Lieder, chansôns, canzones, seja em que língua for) são como poemas recitados - entende-se que hajam liberdades artísticas, e quem o recita necessariamente não encarna o personagem como em uma montagem cênica, (árias e afins fazendo parte de um contexto operístico onde o caráter das vozes é imperativo na construção da caracterização - as vozes precisam ser diferentes entre si. Deve haver um exagero de definição).

Porém, muitas vezes estabelece-se uma ligação entre o caráter de um compositor/período específico com tipos/caráteres de voz, e normalmente o que é especulação se torna lei por maioria de votos (ou de 'concordos').

Aconteceu uma coisa engraçada esses dias - Der Erlkönig (O Rei dos Elfos) de F. Schubert, é uma canção conhecida pela sua complexibilidade artística.

O cantor representa quatro papéis em uma única canção (o de narrador, pai, filho e o mitológico referido) enquanto descreve a perseguição do Rei dos Elfos, uma entidade misteriosa, pelo filho de um viajante a cavalo que cruza uma floresta à noite.

É um trabalho fantástico, que coincidentemente foi cantado de forma fabulosa por Jessye Norman, o gogó de ouro dos EUA. A senhora descreveu com primor os quatro envolvidos na canção, e a gravação da mesma ficou emblemática.

Até então eu entendia esta canção como ''uma canção para vozes de soprano pesadas", e muitas pessoas discutiam no tema com certeza disso.¹

Porém, algo estranho aconteceu: Eu consegui uma outra gravação, mais antiga, e ainda mais característica - Um tenor!

Um tenor cantava a mesma narrativa sobre o Rei dos Elfos! Ninguém menos que Fritz Wunderlich!

Agora a pulga havia se instalado atrás da minha orelha - Fritz não foi exatamente um subversivo na música, apesar de ter explorado sem pudor muitos repertórios.

Mas ele não foi um cantor renomado por peças densas e épicos. Era o típico tenor lírico - giocoso e elegante.

Então eu me reencontrei com a lógica, e me lembrei de um velho hábito dos cantores: O preconceito.

Retornando à simplicidade?
Ao invés da pesquisa fundamentada, ou mesmo do uso de um pouco de ousadia, a grande maioria das pessoas prefere simplesmente ouvir e aceitar de quem (parece que) entende das coisas.

Assim o foi com os Lieder de R. Strauss, as chansôns de Debussy... Ambos entendidos por um sem-número de pessoas como 'adequados para vozes pesadas'.

Ora - se em nenhuma edição das referidas canções você encontra dedicatórias a intérpretes das referidas vozes, ou indicações expressas, fica difícil entender o porquê.

Muitas vezes conseguimos extrair o caráter de uma peça pelo seu texto, pela sua estrutura musical, mas quando a coisa entra em contradição é difícil não questionar.

Barbara Booney, uma soprano americana, de voz levinha, cantou um conjunto enorme de canções de R. Strauss lindamente, inclusive as quatro últimas (troféus para sopranos que adoram cantar com grandes orquestras) - mas caiam - tudo a voz e piano. E ficou lindo.

Chego a uma conclusão: Repertório tem-se definido assim - nos últimos 50 anos uma grande soprano cantou muito bem tal conjunto de peças, então entende-se grosseiramente que "é para aquele tipo de voz", simplesmente porque naquela voz específica, sob um trabalho e uma ótica individual, soou bem. E fica por isso mesmo.

O engraçado é que sopranos pesados cantam praticamente qualquer coisa², e sopranos leves normalmente se limitam na vida de metralhadorinha, no eterno barroco, ou qualquer coisa que seja excessivamente ornamentada.

Tem alguma coisa muito estranha acontecendo aqui... Convido cantores e cantoras a pensar duas vezes antes de aceitar qualquer imposição da conquista do próprio repertório.

Transponha! Estude! E com certeza de cem pelo menos uma deve soar bem! Antes de aceitar qualquer impressão que não seja a sua, experimente.

É sabido que a mediocredade é uma das pedras no sapato de qualquer um que queira destaque na vida. É não ter senso crítico é um grande sintoma disso.

(E antes de tudo lembrem-se do que inspirou o compositor - o poeta! É isso que importa no final das contas! É isso que o público quer! Comunicação! Preciosismo só serve pra crítico musical. E pra que serve um crítico musical?)
--- ---
¹:
Apesar da própria Jessye Norman, para muitos, não ser exatamente soprano, mas não emito opiniões sobre a voz dela, não me interessa se ela é baixo profundo, adoro ouvi-la.

²: Porque existe o 'dramático coloratura', mas não existe o ligeiro 'wagneriano', entende?


O porquê do soprano: Quando fala-se em 'soprano', existe um seríssimo frisson no assunto, pois era como se o tímbre fosse uma espécie de 'caixinha das divas'. Existe uma super estima exagerada em sopranos e tenores. Mas muito especificamente em sopranos. Vide ópera verista, bel canto, e a loucura européia pelos castrati há alguns séculos e então me questione.

"Ps.:"

24/04/2007
Parabéns Yuri! Birite bastante no seu aniversário!!!

25/04/2007
Parabéns Karen!
Não no Villa - mas ainda nos veremos!!!

A poça de lama

Não gosto de pensar em coisas como 'inferno astral', ou 'azar'. Mas estou numa onda de lundú, (ou 'banzo' como se diz em carioquês), dos diabos.

Tudo começou com uma persistente sensação de que o céu pesa cem quilos e que "é inútil resistir". Ah, lá vai mais um dos meus 'sei lá'. De repente eu sou mais romântico do que imaginava.

Não daqueles românticos triunfais, que escrevem peças belíssimas sobre as mais virtuosas pessoas e lugares (o romântico do mundo ideal) --- mas sim o famoso
loser, aquele Zé-Mané que se perde mil anos em um problema de dois segundos.

Ou não! Quem sabe tudo isto tem um ponto - meter meu pezinho¹ nesta poça de lama enquanto ouço os ecos de mil conselhos e preces pela minha felicidade, onde na realidade eu
devia estar sentindo o que sinto, e estar onde estou. (Onde estou?)

Haverão certos camaradas que soltarão fogos de artifícios sabendo do meu banzinho. Afinal é falta de Deus², né? Mas até da minha desgraça eu faço a porra de um texto.

Na realidade eu gosto de sentir as coisas, preciso saber até onde elas são reais. Não que eu seja masoquista - mas preciso sofrer para saber o que é felicidade.

Se sofro, simplesmente sofro. Não finjo que estou sentindo outra coisa para que, de forma vã, passe de fato a sentir outra coisa. Apesar dos pareceres, quero uma vida bem real.

E esta poça, quão fundo ela vai?

Será que só estou frustrado com a aproximação intimidante do meu vigésimo primeiro aniversário? Será que sou o pior taurino já lançado em viva carne na terra, que não sabe o significado da palavra
esperar? É uma pena terrível a sensação de total inutilidade.

Na dúvida é melhor eu procurar um terapeuta antes que a faca fique convidativa. (E para os que andam não tendo notícias, CALMA, não quero terminar no
Profiles de Gente Morta do Orkut. Isso é brega - vou morrer bem velho. A questão é - frustrado ou de bem?)

Penso demais, é verdade. Mas o que me separa das lesmas é esta odiável e incansável retórica. E mais! O que ainda me dá entusiasmo é a curiosidade de saber o que eu vou achar depois que o próximo evento aconteça.

Não gosto de dar closes visíveis, mas adoro saber quando acontecem. E isto é bom³. Não que minha vida se resuma a isto, apesar de que eu não saberia responder em que minha vida se fundamenta. E como isso dói.

É a dor de um tirano que perde o controle de si mesmo. Mais irritante que pisar em poça de lama.
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¹: Calço 44. Bem discreto.
²: Como eu sou baixo! E vou provar por A+B que se pode viver, morrer, e viver depois de morrer sem me sujar neste sangue.
³: Quase um 'estilo de vida fofoqueiro'.

sábado, abril 21, 2007

Eis um lindíssimo bicho

Olha que notícia "televisão brasileira": Peixe com bico e patas é capturado por pescadores de São Gonçalo. Veja que beleza a opulência do referido:

Que beleza de coisinha, hein? Gente, o sujeito não tá segurando na cara do bicho não (na realidade a fuça do animal é que é o grande barato da coisa, já explico) mas sim na elegante cauda do peixe. Vendo assim mais parece um frango depenado.

Este espécime vindo das profundezas de um episódio das Tartarugas Ninja, ou mesmo com jeito de monstrinho genérico de D&D¹, na realidade se trata do simpático peixe-morcego, um animal nativo de águas que rodeiam o continente americano.

O negócio é que a belezura parece nunca ter dado as caras aqui pelo Rio, e a moçada em São Gonçalo já começou a pensar doidera (dizer que o peixe é um mutante, por causa do excesso de poluição da baía da Guanabara), e até mesmo insinuar que o bichinho, tão lindo, é venenoso, (este dado eu não comprovo.)

O que eu sei (além do bicho ser mais feio que briga de foice) é que a dieta do animal é composta por pequenos crustáceos e outros peixes, e que ele caminha pelo fundo do mar. Ele tem uma espécie de "penacho" na frente do rosto que usa como isca para atrair as presas enquanto fica quietinho, escondido sob a areia do fundo do mar.

Dá um beijinho!
Olha que coisinha mais carente e fofa do fundo-do-mar da mamãe! E reparem na beiçola - Não é montagem, é impressionante. COMO O BICHO É FEIO!

Sem neura, o peixe é feinho, mas é natural. Provavelmente da família das arraias, uma coisa assim. E sempre esteve aqui no mar, o problema é que, pelo bicho ter uma boa camuflagem e viver no fundo do mar, ninguém nunca viu.

Reparem na boquinha e nos olhinhos, que glamour.
--- ---
¹: Daqueles de N.D 1/8

quarta-feira, abril 18, 2007

          "When fortune smiles on something as
violent and ugly as revenge, at the
time it seems proof like no other,
that not only does God exist,
you're doing his will."
  "Quando a sorte sorri para algo
violento e horroroso como a vingança,
imediatamente se parece prova como nenhuma outra,
de que não somente Deus existe,
mas que você está fazendo a vontade Dele."

- The Bride/A Noiva em "Kill Bill"

Deus

Recebi um comentário no blog hoje, onde havia, além de elogios saudosos ao meu modo de escrever e aos assuntos, --- txn ^^ --- uma observação sobre "falta de Deus", e me senti na obrigação de me colocar a este respeito o quanto antes.

Antes de mais nada quero deixar claro que não concordo em tudo com a idéia do Nihilismo, muito menos me considero seguidor de Platão. Porém, definitivamente não concordo com a idéia cristã/judaica/islâmica de Deus (entidade consciente, manifesta, antropomórfica).

Deus - Criador ou Criatura?
Ok, muitas pessoas virão discutir esse assunto dizendo que Deus é tudo, e Deus é aquilo... Porém a própria linguagem já entrega a contradição: Deus, quem é Deus? "Então Ele disse a Adão" - Ele - Terceira pessoa do singular. Pronto. A concepção básica é esta - Indivíduo de gênero masculino.

Ora mais, quando cito que Deus é criatura, e não criador, estou apenas colocando meu ponto de vista, baseado em fatos do comportamento humano de tornar o mundo ao seu redor compatível com suas expectativas interiores, assim como seus valores e preferências.

Logo o homem deu a este Algo um caráter, uma face e um nome; de fato criando-o a partir de si mesmo. O homem cria o Responsável e se convence inexoravelmente de que as coisas tem um propósito. E este propósito é humano. É compreensível a ele.

Deus enquanto reflexo da humanidade, para mim, é uma deturpação grosseira do funcionamento verdadeiro¹ das coisas. É como tentar reduzir um número complexo a um número real, e ver que a equação não fecha. Então convence-se de algo, cria-se a resposta certa, e dá-se por satisfeito na própria ignorância.

Porém, apesar deste Deus, não ser para mim o Criador - eu sei que Ele existe. Através dos mecanismos e conhecimentos do esoterismo, e mesmo da psicologia, sabemos o poder das egrégoras e da auto-sugestão. Então se alguém acredita piamente em algo, este algo existe. Afinal quem disse que algo precisa ser real para existir²?

Este Deus é uma linguagem - um símbolo de poder, conforto, certeza, e acima de tudo controle. A maior ferramenta humana já criada para controlar a si mesma. Através da certeza de que Deus existe, e é uma entidade com caráter e preferências, haverão aqueles que ferirão e transgredirão a vontade do Todo-Poderoso.

Logo haverá punição. Ora - ponha o medo de uma punição sobrenatural e eterna sobre molestadores, assassinos e maníacos e você verá a eficácia da justiça humana se tornar minguada na frente do medo do desconhecido. Que é pior que qualquer coisa.

(Porém, a receita do medo não vem dando mais certo de uns tempos para cá. Também há aqueles que criam suas versões de anti-Deus e se sentem bem no papel de transgressor divino, mas este não é o assunto.)

Divindade e Gnose
Então com toda esta retórica eu assumo que não acredito em Papai do Céu, e nem que o capeta inspira minhas más ações? Não, não é assim não. Eu acredito em muitas coisas, só acho que "o buraco é mais embaixo".

Antes de tudo, com toda vivência no meio religioso e espiritualista --- espiritualista mesmo! É pra parecer xulo --- posso afirmar que nós, humanos, somos extremamente pretensiosos. Queremos nos insinuar como as formas mais perfeitas de consciência, e queremos dizer que temos contato direto com o Mundo Superior.

A verdade é que ser humano é um estado de solidão impressionante: Somos mamíferos que só se comunicam com a própria espécie. Cães e gatos se comunicam, pássaros das mais diversas espécies se compreendem...

Mas nós, humanos, só falamos humanês; e a nossa dor é tanta, que começamos a dar nossas características ao mundo que nos cerca. Numa tentativa desesperada de nos comunicar com ele. Aí nascem os Deuses, Demônios, Anjos, e toda série de seres mitológicos, mágicos e engraçados.

O ponto é - eu não discordo, nem desacredito em nada disso. Eu sei que o ser humano tem um poder criador incrível. Nossa mente, e toda energia acumulada em uma forma tão complexa, (mas nunca perfeita), como a nossa tem uma capacidade incrível de fazer com que as coisas passem a existir a partir de nada. (E isto conheço como criatividade).

Mas não quero dizer que realidades espirituais, entidades, e tudo mais não existem. Existe sim, porém, de acordo com as nossas impressões. Tudo isto é criação nossa. Uma comunicação foi estabelecida, um código se criou. E as realidades superiores responderam ao chamado.

Depois de tudo isso eu quero que, se houve um impulso criador, se houve um Big Bang e se há uma criança brincando com o formigueiro, isto não nos diz respeito - está fora de nosso controle. Estamos tão perdidos em nossa retórica, em nossos Deuses, diabos e códigos, que não conseguimos mas entender que o universo não é nosso. E sim, que somos mera parte, um mero degrau em seu caminho incansável e inexplicável.

É doloroso pensar assim. Mas um pensamento, (e como tenho fé neste), me conforta: Hoje e nos próximos, talvez, 70 anos³, eu sou humano. Depois disso eu não sei, mas seja o que vier depois deve ser lindo.
---

¹: Repare que friso a diferença entre 'verdade' e 'fato'.

²: A primeira vez que ouvi isto, foi do pai de um amigo meu, Marco Aurélio (este é o nome de ambos - pai e filho). O homem é extremamente safo, sábio! Estávamos falando sobre ácido, alucinações, depressão, loucura, e ele soltou esta pérola que me pôs a pensar até hoje. Vou fazer um post só sobre isso quando der.

³: Porque sou otimista.

segunda-feira, abril 16, 2007

Marília Vargas

Fico muitíssimo feliz em saber que o Brasil tem entre seus musicistas esta pessoa aí. Uma voz linda, e um repertório que mais parece caixinha de bonbons - você sempre quer mais. É lindo ela cantando Konstanze, é divino ela cantando a Musa em Orfeu de Monteverdi, é belíssimo ela cantando Pamina, e é uma gracinha ela cantando o 'lundú da Marquesa de Santos' - é a primeira vez que alguém me convence cantando isto.

Marília, você é muuuito! Luxo! Plac, plac!

Aê, ô, porra!

Metaleiro não é cantor lírico não; é metaleiro! Metaleiro não canta em registro de tenor ligeiro, canta em registro de contratenor¹! Metaleiro não canta com voz plena não; é com voz de cabeça, laringe alta e/ou falsette! E o mais importante: Estudem belting! Desistam de canto lírico! NÃO TEM NADA A VER!!!

Úi.

Precisava desabafar e bancar o sabichão metido a besta. Porque estavam me dando nos nervos com essa papagaiada! Gente - sejamos práticos e sinceros: Quando você trabalha com música eletroacústica², você não precisa se preocupar com projeção vocal, muito menos em cantar com uma voz extremamente quente e impostada - o microfone e o pedal resolvem o problema para você.


Público de Metal raramente tem gente com mais de trinta anos, logo o perfil é mais teen, então pra que se preocupar horrores com afinação, (ou dizer que o faz)? Tônica, Dominante, Subdominante... É só isso gente, assumam. Isso é moleza com um teclado da Yamaha.

Aprendam a se maquiar e pentear! Música popular exige um bom visual, e como a maioria dos metaleiros se mistura no universo "gótico" e emo, assim como outros³, é interessante descobrir o poder da base, sombra e batom suave (porque também é pra menino, tá?)

Comecem a se assumir! Já conheci mais de trinta pessoas envolvidas profissionalmente com metal (e graças à Pequena Sereia* posso dizer que mais da metade são pessoas maravilhosas), e dessas trinta nenhuma freqüentava abertamente ambientes gays, ou muito menos mantinha algum relacionamento afetivo com uma pessoa do mesmo sexo.

O problema é que mentira tem perninha cuuurta... Então o que diabo é isso? Se o Rob Halford é gay assumido, fez uma carreira brilhante, e nem por isso terminou como o George Michael, porque você aí, metaleiro escondido no seu heavy armário não pode fazer o mesmo e dizer ''I want out''?

Minha crítica é sobre a relação que se faz entre música e a necessidade social de ser viril - pegador da mulherada. Como se metal fosse "coisa de macho".

Aqui mais uma vez vemos o caráter extremamente dialético da coisa, é um misto de esporte colegial cult com estilo underground, (e o efeito é incrível, as meninas no segundo grau adoooram apresentar para as amigas o namorado guitarrista - mas sempre assim: Uma menina e um menino. Raras vezes duas meninas, nunca dois meninos). Ah, vão foder do jeito que vocês querem, pelo amor da Pequena Sereia*!

É muito bonito ver que os músicos deste ramo expandem seus horizontes e buscam inspirações e refinamento artístico em outras vertentes da música, como a folclórica e a erudita. Mas precisamos situar as coisas muito bem - Em termos de prioridades, são estilos MUITÍSSIMO diferentes.

Apesar da riqueza e elaboração em um sem-número de peças metaleiras, Metal é Metal e música erudita (o conjunto de épocas e estilos que definem este conceito) é música erudita! São
práticas artísticas diferentes.

O que me irrita é ver gente tentando se apropriar em um mês de uma coisa que se leva uma vida pra (tentar) se conquistar, como por exemplo, se vestir de maestro ou canto erudito sem saber ler nada além de tablatura de revistinha.

Tenho muito respeito pelos roqueiros, metaleiros, cantores pop, bandas de pagode, e todos os outros que também gostaria de me matar por eu os estar colocando em "comparação" --- é como judeu e muçulmano, periogoso meter na mesma fila --- mas quero situar que todo este conjunto de estilos ainda é considerado popular.

Alguns grupos, como o fabuloso Therion por exemplo, transcendem explicações e definições pela pura soberba da qualidade artística (que em poucos momentos se preocupou com as modas ou a estilística padrão de um estilo ou outro) e nos mostram que há muito mais na música que repetição e moda.

Mas até o ponto em que os alunos de guitarra dos conservatórios do mundo amadureçam e cresçam suas perspectivas, a música vai ser isto: Segregativa.

Que pena, né? Afinal o que importa é fazer o Metal e viver no estilo de vida metaleiro. E a música que se foda, o que interessa é o Metal. Como diria meu amigo Leozão, metaleiro convicto: "Êta porra!"

(Sim! Eu acho que é isso aí!)

¹: Estou me referindo especificamente ao Heavy Metal (e suas zilhões de vertentes), onde o cantor é normalmente um homem --- mas hoje em dia muitas góticas de cabelo hennado - normalmente namoradas dos membros da banda ou simplesmente suas glam bitches promovidas a outro nível - fazem o papel vocal, e o fazem muito, muito mal algumas vezes; mas a xavasca tem poder --- canta com a laringe bem alta, a voz bem metálica, em uma coisa que poderiamos chamar de falsette belter ou mesmo berrerão espremendo o saco.

O que eu, como ouvinte posso concluir em termos técnicos é algo entre Mi 2 e Sol 4 (escala brasileira), sendo que a região mais comumente usada é a Si2 Mi4. Não me parece um registro de tenor.

²: De ligar na tomada.

³: Heavy Metal, Speed Metal, Gothic Metal, Glam Metal, Dark Metal, Trash Metal, Black Metal...

*: Pra não dizer graças a Deus. Deus não tem nada a ver com isso!

sábado, abril 14, 2007

Transamerica

Semana passada eu tive a oportunidade de assistir um filme muito curioso, de título Transamerica.
O filme foi uma iniciativa engraçada: A personagem central (uma transsexual em processo) foi interpretada por uma mulher!

Supreendentemente não decepcionou no trabalho, e fez uma personagem e tanto (principalmente quando Felicity Huffman treinava sua "voz feminina" dizendo: "That's the voice...") Porém, apesar de ter sido uma senhora iniciativa e um filme surpreendente em vários aspectos (ou de repente eu estou só meio acostumado com Blockbusters americanos comuns e não conheci o infâme mercado dos filmes "alternativos"¹), eu ainda fiquei meio decepcionado com a insistência no tema familiar. (Que inclusive insistiu um pouco em outro interessantíssimo filme, porém de produção meio displicente, o Café da Manhã em Plutão e a maravilhosa Saint Kitty).

Existem vários aspectos da vida de Sabrina Clair Osbourne que nós gostaríamos de ver. Ela foi feliz com aquele cara que a deu carona? Quantos amigos ela tem? Me roí de curiosidade e plac-plac o filme funcionou!
¹: Como assim alternativo? Ainda não consigo entender o que eles querem dizer com isto!

Ê!

Blog cheio de deliciosas novidades! Repare nas citações à direita e sugira as suas!

quinta-feira, abril 12, 2007

Recebi hoje:

Já tá sabendo do decreto-lei do Governo????

Os bairros e algumas localidades da cidade do Rio de Janeiro vão mudar de nome, a começar pelo da própria (ex) cidade maravilhosa que passará a se chamar "Tiro de Janeiro"...

Os bairros serão:

.Jardim do Pânico;
.Lebronx;
.Coca-bacana;
.Barra Pesada da Tijuca;
.Passafogo;
.Recreio dos Traficantes;
.Ilha do Seqüestrador;
.Assalto da Boa vista;
.Piedade! Não me Mate!;
.Largo do Metralha;
.Corre, Velho!;
.Maria Desgraça;
.Del Gatilho;
.Tirojuca;
.Atiraí;
.Tiro comprido;
.Bem-não-fica;
.Estácio-nou, perdeu;
.Cacetete;
.Modureza;
.Senador morrerá;
.Honório Cruel;
.Ilha de Bagdá;
.Cidade Cova;
.Jerusaleme;
.Irajaque;
.Gaza-tiba;
.São Encurralado;
.Roubalengo;
.Engenho de dentro da bala
.Praça cheia de tiro e
.Jacareparapapapapatibum!!!!.......

Absurdo...

(Que absurdo o que, só sinceridade!)
Por que é tão difícil encontrar um emprego? Por que custa tanto se sentir útil?

(???)

Uma porção de bichinhos pequeninhos e redondos...

sábado, abril 07, 2007

Faça com que o mundo volte a ser mundo,
faça com que as rosas tenham perfume,
e o calor do sol seja gentil,
e a face da terra se desfaça em um sorriso sem fim,
faça com que a música seja a cura do silêncio macabro,
não o açoite rijo de uma perseguição cega.

E um dia então poderemos caminhar para lá e para onde quisermos,
como se nada realmente precisasse estar onde se supõe ou se deseja,
então que isto seja bom e nada mais.

O mundo está cheio de boas pessoas

Hoje foi mais um dia em que as boas pessoas foram em protesto contra a violência. Novamente Copacabana, a praia mais famosa e uma das mais chiques do mundo, viu um grupo de boas e voluntárias pessoas contra a violência carioca, que mata seus pobres e inocentes filhos, como o famoso João Hélio. (Tô sendo sarcástico, tá?)

A última vez que houve este protesto, nós vimos setecentas cruzes pretas em frente ao chiquérrimo e pomposo
Copacabana Palace, cruzes estas usadas para representar as setecentas vítimas de assassinato no Rio de Janeiro durante o começo do ano de 2007.

O lugar é extremamente apropriado para se falar de violência - afinal é ali onde tudo acontece, né? É onde se interessa, não é mesmo? Setecentas belas cruzes alinhadas na areia em frente ao
Copacabana Palace. Chega a ser vertiginoso. Dá um quadro e tanto.

O texto deles é mais ou menos este "queremos mais participação da sociedade civil, junto a polícia para ajudar a conter este índice imoral¹ de violência." Ou seja, a preocupação é
completamente unilateral² (como eu já havia falado aqui). E então eles se deitam no calçadão de Copacabana - todos vestidos com suas camisas pretas, enfileirados como lingüiças numa brasa, enquanto turistas e repórteres passam e se impressionam com o gesto anti-violência de um povo sofrido, que não agüenta mais tanto tormento.

Agora me diz - em que momento se falou em
inclusão social, ou em proteção da infância e juventude em situações de risco ou no ponto que deveria ser CULMINANTE nesta discussão - condições de estudo, moradia, ingresso no mercado de trabalho formal e distribuição de renda. É muito fácil e confortável falar de violência e se excluir do grupo responsável. O culpado é o traficante, o culpado é o trombadinha - prendam-nos! A polícia está em falta!

Não, queridos hipócritas em Copacabana, o problema não são os seus vassalos ou os escravos rebeldes, ou mesmo os parasitas do 'barato' que mancham o sonho carioca com tiros de fuzil e facadas nas costas. Nada disso. O problema são vocês. São os irresponsáveis que constroem o patrimônio de suas famílias em euro enquanto muitos brasileirinhos do morro³ não tem a menor estrutura para viver. São os escravos que se rebelam contra seus senhores. É a vingança daqueles que foram excluídos da grande ceia do luxo e da boa vida, e mostram poder sobre seus dominantes.

Ao invés de protestar sobre isso, protestem sobre os seus próprios salários inflados, sobre o valor mínimo que um trabalhador ganha neste país, sobre a falta de respeito com os trabalhadores informais, com o pouco caso que se faz com o que é
público e não o caríssimo e exclusivo particular. Todo ser humano, por mais resistente que seja, em algum momento cede. Seus valores sem valor não o retém mais e este simplesmente se permite. Se permite matar os que o torturam, se permite intimidar os que o controlam. Simplesmente uma reação a um velho costume, algo que começou na Colônia.

Toda sociedade, desde seus primórdios, se baseia nisto - em pessoas que muito dão para pouco receber. O problema é que hoje estas pessoas muito dão e NADA recebem. E são os feios, são os pretos, paraíbas e pobres que você - burguesão (carioca ou não) detesta ou teme ver pelas ruas.

Mas o mundo está cheio de boas pessoas, não é mesmo?

Foto por Tasso Marcelo/AE, retirada do site do 'Estadão'.
¹: E existe índice moral de violência? De repente se a violência acontecer apenas no Morro e com o Preto, é moral, não é mesmo?

²: De fato não existe uma consciência real do problema na cadeia de fatos que culmina em violência. Não existe uma receita mágica para isto. É muito trabalho sem remuneração, muita abnegação e esforço pelos que socialmente valem pouco ou dão pouca mídia. E isto não é exatamente o que a brasileirada gosta. Afinal ninguém vai deixar de 'colocar em casa pra dar pros outros'. E não é de esmola que falo, é coisa pior.

³: Quando falo em 'morro' ou 'preto' não estou usando a linguagem marcadamente racista como forma de apelo social exclusivo a um fenômeno de pobreza ou àpenas um quadro. No Rio de Janeiro, o morro é o verdadeiro símbolo da miséria, e infelizmente o negro sofre juntamente a mesma estigma. Porém, a parcela da população agredida pelo problema citado, não se restringe apenas a este grupo - apesar do mesmo se destacar em carência.

Podemos falar em vários outros grupos, como os nordestinos, os estrangeiros sulamericanos e pessoas de várias outras regiões que vêm às cidades grandes em busca de melhores condições e "dão com a cara na porta". Aí está o verdadeiro problema - marginalização cultural/racial ou adquirida. A própria estrutura da cidade cria o marginal, e o ciclo se arma. ao invés de se investir em incluir investe-se em proteger-se de ou simplesmente expulsar. (Verbos problemáticos).

Ecos Akashicos...

Mote do dia: "Não faça, apenas seja"

sexta-feira, abril 06, 2007

Universalmente desconhecido

Assim como costumo discursar muito sobre terríveis momentos furiosos e vingativos, hoje em dia andei me lembrando que a vida não é feita só de sons de .UZI com granadas e coisas barulhentas do mesmo naipe, voltei a uma reflexão antiga que me acompanha desde o primeiro momento de crise social fora de casa.

Eu sempre tive vontade de ser o melhor amigo de todo mundo no mundo todo, de conseguir mostrar aos outros o que há de melhor neles mesmos. Tenho essa sensação baseado na engraçada idéia de que se uma pessoa existe neste planeta, e tem um(a) melhor amigo(a) ou faz muita falta a alguém, alguma coisa de muito especial esta pessoa deve ter. A questão é se aproximar das pessoas 'na hora certa' ou sob circunstâncias específicas.

Parece uma coisa maluca, mas eu sinto as coisas assim. Por mais que hoje eu possa dizer "raios e trovões!" (hehe) ou praguejar bonito, antes de chegar a estas terríveis conclusões eu já me reservei a tentar encontrar uma luz no fim desse túnel de humanidade. Não que hoje em dia eu esteja um poço de vingança e reacionismo (até poderia) mas não consigo ser tão ameno como quando era criança.

Claro, quando vejo os grandes volumes de pessoas andando de cá pra lá, cada uma com seus problemas, suas neuroses e todas outras síndromes, penso como cada uma delas é odiável, e como cada uma delas deseja acima de tudo estar satisfeita consigo mesma. E então reencontro a conclusão de que cada um daqueles estranhos sisudos que correm pelos valores do dinheiro e do poder, muito provavelmente pensam exatamente sobre isto que escrevo, mas jamais se permitiriam expor desta maneira. Afinal, muitas vezes buscar o que cada um tem de melhor consiste em dar de cara com o mais podre de todo mundo. E isso dói. E é deste ponto que surge a agressividade.

Não que eu seja cristão, mas boa parte dos brasileiros e ocidentais costumam se identificar com isto, e caso um cristão leia isto, aproveite o momento da Páscoa e pense nisso: Até que ponto a sua individualidade te protege? E quando ela começa a te isolar do que realmente TE importa? Você ainda conhece este valor? Discute-se a importância de termos amor e amor por tudo e todos. E isto não é um ideal inatingível ou para as celebridades espirituais. Eu acredito que isto seja meramente uma idéia, uma coisa que precisa ficar constantemente pendurada no nosso consciente.

Nunca se esqueça de que, no final das contas, todos somos de carne, ossos e lágrimas.

quinta-feira, abril 05, 2007

terça-feira, abril 03, 2007

Dia feliz

Apesar da maçante preguiça de ir ao Rio ter aula hoje, estou feliz. É uma felicidade macabra - já que tive tristes novidades sobre pessoas que eu odeio (lembram como eu sou vingativo?) É sempre bom ver os adversários sumirem do mapa com o rabinho entre as pernas. Ó dia :-)

segunda-feira, abril 02, 2007

domingo, abril 01, 2007

Ramir em 'A erva do diabo nos tempos digitais'

Nunca fumei, nunca bebi¹, nunca matei², nunca roubei³. Mas esses dias experimentei uma coisa engraçada pra caralho.

Não que eu seja um caçador de sensações como os papais de várias pessoas foram durante o movimento dos anos 70, e muitos inspirados pelo querido Castañeda, e outros grossos calibres do movimento pela libertação do pensamento e esotéricos (pode-se incluir os charlatães e embusteiros à vontade). Mas esses dias conheci uma bagaça torta, um tal de I-Doser.

Bem, a proposta do pretensioso programa é simular o efeito de diversos narcóticos e drogas afins. Bem, se simula exatamente como deve ser eu não sei, mas que dá um barato engraçado, dá sim. Eu experimentei a seqüencia sonora nomeada de ectasy. Passei uma hora ouvindo aquele troço. Quando terminei, fui na sala meio desiludido deste barato digital - foi quando percebi que eu tenho um gato lindo! E ele era muito, muito manhoso. O resto vocês já sabem... Eu fiquei noiado com a parada.

Não recomendo, mas também não vou dizer que não é interessante. Pesquisei opiniões de neurologistas na web e outros levantamentos importantes, e aparentemente o efeito "narcótico" é tão forte quanto uma ária de Wagner ou uma seqüência de dez músicas do Black Diamond. É pesado pra caralho. Mas dá barato. Se vicia? Você se sente viciado em música?

Pois é.
¹: Cachaça.
²: Gente.
³: Dinheiro dos outros (em cash, porque em batom garoto... Ahhh...)

quinta-feira, março 29, 2007

Aye-aye... que vida!

Este animalzinho sexy e extremamente charmoso, é um tipo altamente ameaçado de extinção. Um raro e bizarro lêmure que ainda aparece aqui e acolá no continente africano (sul do saara e outros) e Madagascar (não exatamente no filme).

O que acontece é que o animalzinho faz parte de um filo de mamíferos extremamente distinto em termos evolucionários, e apesar de toda a importância científica, o pobre coitado não tem a mínima importância nos tablóides sobre vida selvagem ou seja o que for. Por quê? Porque ele é feio pra caralho!

Esse bicho é um troço noturno, grande, com um dedão médio enorme, que mais lembra o dedo de um esqueleto pintado de preto e, além disso, come insetos. Nem preciso dizer o que a moçada da área onde este belíssimo tribufú acha dele. O animal é considerado maligno e portador de mau-presságio. Estraçalham o bichinho na porrada.

O que quero dizer é que hoje eu li uma matéria sobre este bicho, e o que acontece é que os órgãos interessados na proteção de animais geneticamente importantes como este, encontram dificuldades pois o dinheiro que arrecadam para projetos de pesquisa e afins é dependente de mídia. E é complicado fazer propaganda de um bicho preto, com cara de monstro e esse dedão bizonho de catar mosquito. Dá medo só de ver. O problema é: E se ele, por exemplo, fosse um hamster gigante com dedinhos arredondados? Ou mesmo um ursinho cor de rosa com carinha de bebê?

Até no mundo animal só quem é bonito tem vez. E aí, a gente só deve se preocupar com os bonitinhos?
Foto por Phillip Coffey do 'Jerfey's Zoo Collection'.

"Curta" reflexão sobre 'perdão' II

A verdade é esta - eu planejo cuidadosa e lentamente como derrubar meus adversários, e costumo trabalhar de forma que eles pensem que caíram por conta própria. Acho legal detonar as bombas de longe.

O negócio é que eu não sei o que é perdoar, (sinceramente nunca me perdoaram por nada. Nadinha. Tudo o que eu fiz, de bom ou ruim teve sua respectiva e severa conseqüência), e isso me deixou com uma visão prática de 'perdão'.

O perdão é útil quando queremos ter certeza de que não vamos morrer de câncer ou ter muita azia em dias que convivemos nos campos de batalha. É maravilhoso poder olhar pra alguém que te fudeu e não dar a mínima pra seja lá quem for. E é melhor ainda poder dizer pra si mesmo que você, apesar de todo o mau que te foi feito, deseja todo bem do mundo pro/a sacana. Faz um bem danado pro ego, e com a propaganda certa, dá uma ótima promoção social. As pessoas tendem a valorizar muito os "maduros" e "fortes".

Até aí é tudo muito bonito, falando sério, este perdão de "dar a outra face" não beneficia ninguém além do "perdoante". É mais um jogo de ego do que nobreza - você se satisfaz, evita futuros conflitos, e ganha muito em estima de pessoas moralistas. Agora eu me pergunto: E a diversão?

Onde está a diversão de ver aquela informação que você recebeu, ir parar no ouvido errado na hora errada logo a respeito da pessoa errada? Ou até mesmo a mais pura verdade fazer com que uma pessoa que leva um certo grupo muito a sério entre pelo cano ("queime o filme") e ainda saia de vilão? Ou a melhor de todas - precisar de um favor seu, que só você possa garantir, e ficar na mão de forma bem dramática? Ah... Isto sim é perdoar os nossos egos feridos, as nossas noites insônes de auto-análise inútil enquanto tudo que o resto do mundo quer de nós é apenas angústia.

"A bondade não consiste em ser da rosa o perfume e da cura o bálsamo. Mas em tempos de falsa calmaria, ser o açoite que desperta o vil e o preguiçoso de seu conforto infâme!"

¹: De "Odete Roitman" (é assim que eles costumam escrever).
²: Por mais que se force parecer, não é indireta pra ninguém. (^^)

"Curta" reflexão sobre 'perdão' I

Fiquei viajando esses dias quando li em algum lugar a seguinte frase: "Quando encontrares um homem bom, imita-o; e quando encontrares um homem mau, analise-se." Não era exatamente o texto, e não me recordo do autor. Mas esta pequena máxima foi disparada no meu "banco de dados de coisas legais".

Eu sempre tive um problema sério com pessoas que me descrevem na segunda frase da citação (o homem mau) e não se dão o trabalho de olharem pro próprio umbigo. Já recebi as mais interessantes e criativas críticas que se possa imaginar. Por muito tempo, de fato, acreditei piamente que era uma pessoa má. E já cheguei até a praticar o personagem.

Felizmente eu caí na real e percebi que não precisava perder tanto tempo me inspirando na Roitinha¹ e levando esta boa vida de malvado (como diz meu irmão, fazendo careta e projetando o discreto queixo, que só ele tem, pra frente "como é bom ser mau"). Logo meu clima mudou, e percebi que a vítima havia se convertido em algoz! Afinal eu não era o malvado da história! Mas o assunto não é este.

Não que eu faça macumba, não que eu deseje a morte - mas afastem de mim tapetes em pisos escorregadios, tachinhas, discretos objetos cortantes e envenenantes... É - eu sou vingativo pra caralho.

É triste mas é verdade! Não no sentido convencional do vingativo nobre e romantizado (adoro essa palavra, mas só hoje) que se vinga de forma dramática pra mostrar algo valoroso ao inimigo humilhado na própria desgraça. Não. Nada disso - eu me vingo por rancor, pelo puro e simples desejo de ver alguém que me sacaneou ou humilhou na merda! NA MERDA!

Raramente eu movo muitos pauzinhos pra isso, normalmente é fácil deixar pessoas que se expõem muito em situação de risco social (ou físico). Meu problema costuma insistir em um perfil de pessoa:

Menina aparentemente legal, entre os seus 13 a 45 anos, de signo masculino e uma série de problemas de auto-afirmação que se identifica demais com o gênero masculino e é obcecada por amigos gays. (Portanto se você tem este perfil - cuidado quando tiver raiva de mim²).

Hehe, engraçado! Meus dois problemas sérios com cocotas correspondiam muito a isto, e normalmente orbitaram nos mesmos temas (moral/falta de, ética/falta de, respeito/falta de, sinceridade/ falta de, estilo/falta de). Vai entender o mundo feminino, (ou talvez nestes casos específicos. Raramente eu sequer levanto a sobrancelha quando as queridas fêmeas descrevem seus desconfortos neste mundo fálico em que vivemos).

O problema é que sempre aparece uma que acha que eu sou somente aquilo que se pode ver. Não, não... Eu sou Satanás. Sou bonzinho. Mas puxo seu tapete sorrindo, sem que você note que fui eu, caso pise em meus calos (a regra não é exclusiva ao perfil citado acima. Já tive minhas vitórias nefastas e sombrias contra menininhos sacanas também).
E mais este mês vai-se acabando e dando lugar ao próximo... Que saudade da época em que o tempo custava a passar! Não que fosse sempre bom, mas tudo anda muito acelerado, e tenho a impressão de não estar enxergando muito bem as pessoas com quem convivo (de repente é o grau dos meus óculos que mudou. Vivo com dor de cabeça).

Ainda assim é bom sentir este bem-estar de saber que os investimentos de tempo e suor (numa linguagem romantizada o seria sangue). Todo esse universo de solfejo, interpretação em canto... De repente eu não tinha pensado direito antes de entrar de cabeça nisso. Mas tudo é uma linguagem muito nova, e muito custosa. Porém ainda consigo me descrever como satisfeito. Satisfeito comigo.

Não - não vou falar de ninguém. Estou cercado de pessoas maravilhosas, verdadeiros anjos. O que me enerva é a forma como as coisas precisam acontecer no campo dos estudos e vida profissional pra que dêem certo. Realmente se abdica de muita coisa, e finda-se alienando muito a perspectiva de mundo e até mesmo a auto-imagem fica tendenciada. Estou triste sim, com o mundo que é muito pequeno quando é inconveniente (como encontrar pessoas cretinas em um conjunto de pessoas que deveria ser agradável --- ahem! ---) e muito grande quando é penoso (e registro a minha insatisfação com os custos para as viagens à Europa e a fajuta "promoção de 50 reais da Gol" - não achei sequer UM trecho daqui a Fortaleza pelo preço referido.)

Muitas vezes eu senti uma vontade visceral de ter o poder de dobrar o espaço de acordo com a minha necessidade - fico pensando, por exemplo, se na casa da minha mãe, em Fortaleza, houvesse uma porta que desse na sala aqui de casa. Ia ser incrível poder estar em Niterói e Fortaleza ao mesmo tempo. Perto de todos que amo, lá e cá. Como me dói ter que fazer esse tipo de escolhas.

A pior parte é quando as pessoas começam a nos descrever como "clueless", sem referências, sem passado. Como se tivéssemos nascido dentro de um avião a caminho da "cidade grande" (engraçado que Fortaleza não deixa de ser a quinta maior capital do Brasil, e mesmo assim aqui no Rio, provavelmente o conjunto que representa a segunda maior, eu tenho a constante sensação de não estar exatamente acordado - era como se as coisas aqui não fossem exatamente tão reais como lá. Adaptação difícil! Mas ninguém consegue me convencer de que Fortaleza mal tem duzentos anos, e o Rio de Janeiro já foi capital do Império. Sei lá, era como se aqui fosse uma dungeon para personagens de nível alto se degladiarem com bestas que rendem "trocentos" pontos de experiência).

Era como se, mesmo em uma tremenda densidade de dúvidas e dificuldades, o conjunto "Rio de Janeiro" (compreendido pela capital e cidades agregadas) fosse uma construção diáfana, uma coisa que existe porque várias pessoas acreditam nela. Como se o lugar não fosse real, fosse subjetivo - dependendo da crença e opinião de um grupo de pessoas. É muito estranho. Ando sentindo muita falta de RPG também!

Uma leitura possível, seria de que o Rio de Janeiro é uma espécie de egrégora onde sonhos e pesadelos se misturam num caldeirão de sangue e êxtase (nunca estase) enquanto coisas sugerem acontecer - mas não acontecem. Poderiam, mas de fato não se concretizam, só em um plano especulativo, filosófico, uma coisa meio Sigil em Planescape - sendo que ao invés de uma, várias Ladies of Pain. E muitos Lower Wards. Chega, chega...

quinta-feira, março 22, 2007

Técnica de Alexander

e qualquer coisa que me torne menos tenso serve! Há dias que eu pareço um robô, de tão rijo que fico. Ô vidinha descabeladaaa...

domingo, março 18, 2007

Talvez os céus estejam escrevendo com letrinhas arredondadas. Raramente eu tenho a sensação de que as coisas vão inexoravelmente dar certo, e hoje eu estou sentindo isso. Como se tudo estivesse destinado a um grande e belíssimo amanhecer com tons de harpa e um estrondoso acorde maior com cordas e sopros, dizendo que um movimento importante concluiu e decidiu-se.

Uma certa pessoa muito querida e mãe de outra igualmente cara, certa vez me disse que "quando a gente amadurece aprende a ver que as coisas são mais simples que a gente pensa". Talvez eu tenha parado com a mania de "abraçar o mundo pelas pelas" --- eu e minha mania de epígrafes anônimas. Mas não resisto! --- e finalmente entendido que as coisas precisam de um certo ritmo para acontecerem de forma satisfatória. E claro - entender o que é bom.

Não que eu esteja mais feliz, ora bolas, eu sou feliz. Tenho uma pessoa que me ama, estou tomando rumo em minha vida, tenho bons amigos onde quer que eu vá. As coisas não poderiam ser melhores (apesar dos óbvios contratempos). O que mudou foi a minha perspectiva sobre o próprio ritmo das coisas.

A vida é como a Roda da Fortuna (seja do tarot ou do Silvio Santos, você que escolhe a temática): Por mais que a gente tente segurar tudo junto a si o tempo todo, ela sempre gira e nos surpreende. A questão maior não está nem em ser otimista o tempo todo, nem em evitar o que eu sentia, o maldito desespero e a cegueira depressiva, mas a grande jogada está em saber ter hit recovery. Haha, isso mesmo! Se recuperar dos baques, encontrar o chão.

Seja você pessimista ("realista" - copo meio vazio) como eu, ou otimista como muita gente costuma dizer que é (essa vai com sarcasmo) precisamos começar a praticar o cinismo com nossos dramas, e saber que mesmo o que a gente tem por mais caro, pode sacudir e sumir. E o que resta?

Você mesmo, e nada mais.

sábado, março 17, 2007

Segundo dia de chuva

Eu e meus posts climáticos...

Hoje foi um dia feliz. Eu sei disso apesar de não ter saído de casa (nossa, me conte mais!) Não sei o porquê, mas senti um cheiro de plantas que era muito característico da casa da minha avó. Desci há um tempo pra dar uma olhada no quintal, daí senti este cheiro no caminho. Engraçado... Não tem rapadura, alfinim nem tabaco por aqui, mas o cheiro era exatamente o mesmo.

O bom desse tipo de sensação é que de alguma forma mostra que o mundo é bem menor que a gente imagina. Se você está bem longe de onde veio, como eu. Pense nisso: Se um cheiro se repete, por que não outras coisas?
Si bemól.
Preciso dizer mais alguma coisa?

sexta-feira, março 16, 2007

E lá se foi dona Clara m-o-r-t-a de chique pra Buenos Aires.
(Dedos cruzados pra que ela não pegue calçadas de pedras pequenininhas.)
Rosa del ciel, vita del mondo
E degna prole di lui che l'universo affrena
Sol, che'l tutto circondi e'l tutto miri,
Dagli stellanti giri, dimmi,
Vedesti mai di me più lieto e fortunato amante?

Fu ben felice il giorno, mio ben, che pria ti vidi
E piú felice l'hora che per te sospirai,
poich'al mio sospirar tù sospirasti
Felicissimo il punto che la candida mano
Pegno di pura fede à me porgesti.

Se tanti cori avessi quanti occhi ha il ciel eterno
E quante chiome han questi colli amenni il verde maggio,
Tutti colmi sarieno e traboccanti
Di quel piacer ch'oggi mi fà contento.

In questo prato adorno
Ogni selvaggio nume Sovente hà per costume
Di far lieto soggiorno.

(de La Favola d'Orfeo, Claudio Monteverdi. Libretto por Alessandro Striggio.)

Dia 15.03.1985

Meu melhor amigo nasceu nessa data, e fez aniversário ontem.
Só pra constar como o cara é especial. A piaba mais coicenta do Cocó!
PARABÉNS JOÃO!!!

quarta-feira, março 14, 2007

Reflexões sobre o Ideal

Ideal.

Cinco letrinhas e um ponto bonitinho, cretino também. Quando vejo grandes números de pessoas gosto de ficar pensando sobre o que elas pensam, e divagando sobre porque elas fazem o que fazem. E eu incluso no pacote, claro.

Não que me considere Freud, (apesar de também ser taurino - sofro desta mácula), mas acredito na capacidade da observação e da síntese. E tenho observado uma coisa interessantíssima sobre 'ideal'.

Lê-se e consome-se muito a idéia de uma estrutura perfeita, seja o que for: Afetiva (a primeira, quase sempre), financeira, espiritual, social, física... Tudo na mídia e nas artes gira em torno do refinamento, do perfeccionismo da situação humana - tendo esta como sempre incompleta e desejosa de algo irrealizável, lááá em cima.

O ideal é ter sempre dinheiro, é se relacionar com pessoas simultâneamente estáveis e criativas, é ter noções e oponiões que não existem em contradição; é ser você mesmo, mas ser sempre diplomático e saber respeitar a boa vizinhança, é ter orgulho mas não ser soberbo; é ter fé, mas ser racional.

Enquanto vejo as pessoas buscando se lapidar para o Alto, presto atenção também no que acontece entre este processo e a realidade que encaramos. O fato é que a perfeição, este ideal de mundo e humanidade impecáveis, é um conceito quase matemático, de tão hermeticamente impraticável que é.

Em algum ponto, para fazer o que se tem consensualmente como um bem, nós precisamos ser cretinos, falsos, violentos, usar de hipocrisia, manipulação de influência, sentimentos alheios, e todo um conjunto de coisas que são consideradas erradas. E por favor, não me diga que você não vê a relação entre um bem (maior, menor, XG, PPP, tanto faz) e, por exemplo, as famosas "mentirinhas de nada" ou mesmo o famoso "sacode-leão" (essa coisa de você ser bem violento verbal ou fisicamente com alguém que você realmente deseja que ouça o que você está dizendo e acredita ser o certo). Isso é ser bem ignorante e aquém a nossa própria existência.

A condição humana em si já começa como uma caixa de contradições infinitas, malucas. E eu acredito piamente que a busca desesperada por um ideal de perfeição totalmente simétrico e linear descreve a decadência total da harmonia do homem com a própria existência.

Não que se deva render à entropia todo o tempo, e deixar que as coisas aconteçam aleatoriamente, com os humores do sangue ou da lua; mas buscar ser o que não se é, e ter o que não se pode ter, às vezes, é mostrar com muita evidência a nossa triste incapacidade de aceitar como é bom ser quem se é e estar onde (e com quem) estamos.

O problema é quando a gente sái da moda, né?

Deus está no Céu, e o Diabo está nos detalhes...

Querido diário,

hoje eu estou meio puto da vida porque não está chovendo no Rio de Janeiro. E entende-se que, quando a gente sái do semi-árido, a gente quer ver chuva. Não que não seja bom ter uns dias de sol na cidade-do-cartão-postal, mas está ficando muito quente. E eu volto a me sentir no semi-árido.

Também fiquei puto da vida quando um camarada quis me vender um refrigerante¹ de 600mL a 3 reais. Porra, três reais por aquele refrigerante? Meu cú! Não aceito isso mesmo.

Outro momento de fúria foi o relato de uma querida amiga sobre a relação da velha-nojenta (vizinha genérica e sem importância) com o saudável hábito de todo cantor e cantora de fazer seus vocalizes em casa. O negócio é que a garota é uma soprano lírico de proporções wagnerianas, como diria outro camarada wagneriano. O diabo da velha deve ter feito é macumba de inveja da voz desta referida moça. Odeio vizinho que odeia cantor.

¹:
Não revelarei a marca da bebida. Querem que eu poste sua marca aqui no meu importantíssimo blog? Me paguem!

O Jeito Cearense de Ser Único!

Cearense não briga... ele risca a faca!
Cearense não vai em festa... ele cai na gandaia!
Cearense não vai com sede ao pote... ele vai dicumforça! /diku'fô:wsa/
Cearense não vai embora... ele vai pegá o beco!
Cearense não conserta... ele dá uma guaribada!
Cearense não bate... ele senta o sarrafo!
Cearense não sai pra confusão... ele sai pro balai de gato!
Cearense não bebe um drink... ele toma uma!
Cearense não joga fora... ele rebola no mato!
Cearense não discute... ele bota boneco!
Cearense não é sortudo... ele é cagado!
Cearense não corre... ele faz carrera!
Cearense não ri... ele se abre!
Cearense não brinca... ele fresca!
Cearense não compra garrafinha de cachaça... ele compra um celular!
Cearense não toma água com açúcar... ele toma garapa!
Cearense não calça as sandália.... ele calça as opercata!
Cearense não morre... ele bate a biela! (???)
Cearense não exagera... ele alopra!
Cearense não percebe... ele dá fé!



Acabei de receber esta pequena pérola de cearês da minha mãe. Existem expressões aí que eu nem conhecia (gente, bater a biela, hahaha) e eu sou cearence da cabeça chata! Este, e outros textos me mostram como o povo da minha terra gosta de inventar moda na língua portuguesa. E eu adoro isso. É muito bom a gente ver que a mundiça é da putaria mermo!

Nada contra o praticante formal da belíssima língua portuguesa. Mas entendam, sem frescura nem viadage: Português está para cearês como espanhol para o catalão.
E tenho dito. (Num sabi?)

segunda-feira, março 12, 2007

Coisas que eu não suporto no mundo da música

Existe uma lista infinita de coisas que podem deixar uma pessoa sã puta da vida com este universo de artistas, vou citar o que eu considero o TOP, o que mais me enche o saco (e o de um monte de outras pessoas também). Obviamente tudo aqui é tendenciado às vivências de um estudante de canto lírico:

* Gente com síndrome de estrela: Nada contra um tenor que dá um Mi4 de peito, ou mesmo um contratenor que alcance Dó7 com potência ou a comum sopranowagnerianospintosfogattocoloraturasoubrettedugazzonesposademaestroestrangeiroqueregeaorquestradabarsóvia, o meu problema é com aquele pessoal que se fecha na redominha do 'eu tenho talento' e passa a viver no mundo dos 'músicos talentosos especiais'. Graças a Deus que poucas pessoas sabem o que (e se) eu faço bem musicalmente, senão, já iam querer me incluir nesse troço. Não tem coisa pior do que uma Diva. Sério.

* Gente com síndrome de Mozart: Pior que a Diva, é a reencarnação de um gênio. Acho que já conheci uns vinte Mozarts que compoem melhor que Beethoven somado com Ravel e toques de Stravinski. Aquele tipinho que acha que tem ouvido absoluto, toca piano com uma venda nos olhos desde de os 6 anos e compôe desde os 3. Meu Deus. Isso é o fim da picada. É muita falta de sexo mesmo.

* Gente com síndrome de professor de canto: Esse realmente enche o saco. Não importa quão bem você esteja, quão relaxado, quão disposto... Esse tipo realmente acaba com a sua paciência. Vem aquele tipinho de falando "a sua voz precisa girar mais" ou "seu fá está meio mi". Meu cú. Se fosse professor de canto estaria cobrando pra falar, não concorda?

* Gente com síndrome de surdo: Não falo latim, meu alemão é podre, e meu francês é da roça. Mas sempre tive o cuidado de pronunciar as coisas direitinho. Transcrição fonética (e eu tive aula de fonética no segundo grau) serve pra isso, né? Agora cantar em um coro com uns camaradas pronunciando alemão como se fala 'porta' e 'carne' no interior de São Paulo dá nos nervos.

* "É meu concorrente!": Faz macumba, trata mal... Tem gente que pira o cabeção quando parece que você tem chance de concorrer com ela seja no que for. Pomba-Gira e Preto-Velho que se cuidem, a macumba na vela preta vai rolar com esse pessoal que vende a alma pra aparecer no palco!

* Contratenor com inveja da amiga soprano: Nem preciso descrever, né? Sujeito malha a filha-alheia até a morte porque não nasceu com a gargantinha acochada do jeito que queria.

* Instrumentista frustrado: Não soube cantar... Olha no que deu - Foi tocar tuba. Alguém já ouviu "concerto para tuba e orquestra"? Não? Nem eu! Nada contra quem toca qualquer instrumento que seja... Mas não me venham dizer que cantor não é músico. Isso é muita inveja de usar roupinha e aparecer no palco!

É isso, podem malhar.

sábado, março 10, 2007

Facts and myth

Fact:
Rio de Janeiro is hellishly hot
and dangerous
and expensive
but's still Rio de Janeiro!

Myth:
Christ the Redeemer is one of the new 7 world wonders

(Let's remember of Timbuktu, fellows!)
Ah como é bom isso...

Há dias não chove e há dias não saio de casa no mais sentido sair de casa (tradução: Ir a algum lugar e aproveitar o trajeto.) Sempre cheio dos prazos e ainda por cima estou com uma motivação pós moderna.

Talvez seja essa coisa do aquecimento global, ou quem sabe o ciclo de reprodução das algas, ou mesmo o fato de que não dá pra chegar na lua com uma escadinha de madeira. Como isso pode ser bom? Ando muito emo...

Falando em emo, tem poucos dias que eu descobri o que significa essa palavra. Falo do sentido popular mesmo - rockeiro genérico de franjinha que quer se matar. Não sabia que o lance da franja era tão importante. Imaginava que tinha alguma coisa a ver com anime. Mas parece que não é só isso.

A novidade é que, provavelmente, um sem-número de rapazinhos vão começar a comprar chapinhas pra fazer as franjinhas. Que merda hein? Tem uma chapinha nova aí com turmalina. Sério - colocaram turmalina na chapinha. Já passam até esperma de búfalo no cabelo, agora é turmalina. Também tem chocolate, proteína de pérola... Fico imaginando se isso tudo tem algum efeito radioativo mutante que só vai mostrar as mazelas daqui uns oitenta anos.

E o que isso tem a ver com a produção da soja no RS e na minha vida? A vida é emo o hidrogênio é emo, lápis preto pra simular olheira é emo (e além disso é golpe baixo) e deixar de comer feijão pra ficar pálido também é emo (ou desculpa esfarrapada.)

Mudando drasticamente de assunto, faltam cinco dias pro meu melhor amigo fazer 22 anos. Eu espero que o cara goste da data, e, apesar de eu não estar por lá pra dar prejú nos salgadinhos ou no rodízio de pizza, eu espero que ele se lembre de mim como o santo de macumba que pede a primera mordida e o primeiro gole. Não, não, tô brincando.
"Weep not for the demon"

segunda-feira, março 05, 2007

Frustrações...

Hoje é um dia em que desejei muito mesmo ter uma lâmpada mágica com aquela parada de gênio que realiza desejos. Só três mesmo:

* Ser imune a todas aflições do corpo e da mente (traduzindo: Invunerabilidade a doenças, venenos, drogas, fome, sede, necessidade de respirar. E também a capacidade de nunca sentir depressão nem essas coisas).

*Capacidade de deslocamento livre entre espaço e tempo (teleporte, voar, voltar e avançar no tempo).

*Poder pra curar (o corpo e a mente das pessoas).

E dou-me por satisfeito.

Overprotected Antichrist


Ops, lá foi ela de novo...
Britney Spears, um exemplo de cantora, um exemplo de pessoa mostrou mais uma vez que realmente abala tudo. Até o ridículo.

Acabei de ler em um site de fofocas que a queridinha "afirmou ser o anticristo (né coisa pouca não) enquanto esteve em uma clínica de reabilitação" e este incidente ocorreu no mesmo dia em que a diva quis dar adeus ao mundo cruél.

Muito chique tentou se enforcar com um lençol (provavelmente de seda, porque o anticristo não ia passar um simples cotton no seu pescocinho diabólico), mas pelo menos ela foi sincera enquanto surtava na clínica. Além da declaração (óbvia?) de ser o anticristo (né coisa pouca não), ela disse várias vezes "sou uma farsa!" Finalmente se assume.

É tão bom ver esse tipo de gente se ferrando... Ái é muito bom. E fãs alucinadas: Não pensem que se trata de inveja - gente, eu não vou tentar o fama, minha vibe é outra. E nem quero ser o novo ídolo do Brasil. Só o melhor tenor do mundo. Coisa pouca também. Mas o cargo de overprotected antichrist eu deixo pra nossa divinha pop que está louca tentando voltar pra mídia.

Evanescence que se cuide! Podem escrever: Ela vai abandonar as madeixas loiras, o look beach resort girl e partir pruma morenice mais emo e violenta, quem sabe um glam gothic e deixar as gatinhas do new metal tremendo. Afinal ela é o anticristo! Com 666 e tudo na testa! Não é coisa pouca não!!!

domingo, março 04, 2007

Endi dê óska gôws tu...

Eita diacho, a gente nem precisa assistir dez capítulos da p* de uma novela pra saber como a coisa é acéfala. Páginas da Vida, daquele escritor no mais estilo amor dos reis, o tal do Mane(l) Carlos novamente mostrou como a Globo e sua central criativa apostam na inteligência do brasileiro.

Pra começar, um papel principal, de destaque absurdo na mídia foi dado pra loirinha-para-hipertensos Grazi Massafera (quem não sabe quem ela é, pare de mentir e lembre-se do BBB que teve um gay vencedor. Lembrem, lembrem!) Ela não ganhou o referido BBB, mas caiu no gosto do brasileiro - que tanto zela por talento redondo, carnudo e loiro. Nada contra a menina e quero não estar errado, mas acredito que ELA não merecia uma chance tão magnífica de despontar na mídia assim. Não sou um ativista pelo direito do ator amador carioca (na realidade eu não sou ativista por nada carioca) mas acho que numa cidade como esta, com a maior produção de atores e atrizes de qualidade no Brasil, seria possível encontrar pelo menos umas dez que fariam uma Thelminha vinte vezes melhor que a ex-BBB ex-Miss.

Mas é isso: As feias que se fodam! As sapatonas que se fodam! Infelizmente é isso... Na "arte que interessa", você aí, gordinha, que terminou com a sua segunda namorada e acaba de adquirir o seu certificado de atriz nem na malhação tem vez como coadjuvante, a não ser que alguém da sua família os convença que você é cult.

Quem ainda tem o sonho Global é bom desistir da Globo, a não ser que você tenha o curriculum que realmente interessa: Heterossexual (ou bissexual mais heterossexual e cult), ex-Miss ou Mister alguma coisa e um poderoso pistolão por ali. O mercado da arte no Brasil é bem isso. É tendencioso, é burro, é ação-social de ricos para quase-ricos; é esmola jogada na sacola pro povão e muita, muita zona sul do Rio de Janeiro e suas "realidades".

Digo e repito: SOU BRASILEIRO E JÁ DESISTI. Não acredito no mercado artístico brasileiro, não acredito na política brasileira e não acredito em cultura brasileira (e nesse ponto eu me sinto menos ridículo dizendo que acredito em extra-terrestres daqueles grays que viajam pelo espaço em navezinhas que parecem dois duralex colados e pintados com spray de bicicleta cor prata.)

E a você, artista que deu o azar de nascer por aqui, lanço uma reflexão:
É melhor sair daqui de avião ou no lombo de um jumento?
(Hehehehe!)

(Agora eu digo que vale: MERDA! JOGUE MERDA NO VENTILADOOOR!!!)

quinta-feira, março 01, 2007

Para meu Irmão.

"O rubor sanguinis
qui de excelso illo fluxisti,
quod Divinitas tetigit,
tu flos es,
quens hiems de flatu serpentis
nunquam laesit.
"

Poema de Hildegarde von Bingen

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Por que as frases de efeito são tão legais?
"Perco o amigo, mas não perco a piada"
Qual será o grande motivador por trás do frasista compulsivo? Eu venho do mundo dos lentos, sou o moleque na última carteira da última fila e aquele que nunca jogou futebol no centro-avante (na realidade sim, é que eu odeio o referido esporte.) Então, como representante dos nerds, goonies e todos os caçulas penteadinhos e filhinhos da mamãe, vos digo: Não sei contar piada e não perco os amigos.
Gente! Minha própria frase de efeito, me corrijam se estiver errado!

domingo, fevereiro 25, 2007

(Delira, delira e ensaboa)

Oh Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz? My friend - they don't got Porsches. But I want my own! Oh Lord, won't you buy me a plasma TV? Or even a big and hype disco house, oh oh oh...

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Cáca + ventilador

Lembrando das neuras ao som de heavy metal e das camisas de box pretas com transfer do motörhead e afins, tenho uma luz engraçada sobre a busca da liberdade quando a gente é adolescente.

A moda é subverter: Se todo mundo é espírita, vamos ser satanistas. Se o barato é maconha, vou cheirar pó. Se todos concordam - eu jogo bosta no ventilador.

Tudo bem que quase todo mundo precise passar por essa vivência pra encontrar, de fato, personalidade, individualidade e noção de como se impor e defender socialmente. Nunca fui um grande entusiasta, no entanto.

Até aqui mesmo! Eu gosto de colocar um pouco de sulfato em cima dos meus textos, mas mesmo assim a coisa toda é muito sóbria apesar do teor de toxicidade. Afinal eu busco lucidês, não capacidade para impressionar. Toda brasa um dia apaga, mas você já viu uma pedra bem grande se apagando com uma brisa? (Me sentindo Pai-Mei.)

Campanha nacional: Deixemos o ventilador em paz. Ele já vive tão sujo...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Carnaval carioca

Falam tanto do carnaval por aqui, meu Deus, há de ser muito bom, né? Será que eu vou gostar? Tudo bem que meu clima não tá em nada pra samba e essas paradas - mas não custa dar uma chance.

Deve ser legal, deve, deve...

sábado, fevereiro 10, 2007

Garoto de seis anos arrastado por sete quilômetros num assalto

A criança ficou presa no cinto de segurança, os assaltantes não se deram ao trabalho de remôve-la, e o garotinho foi sendo levado em alta velocidade por sete quilômetros na zona norte do RJ. Quatorze ruas e quatro bairros. Foi uma das mortes mais horríveis que alguém poderia ter.

O agravante é que houve omissão da polícia, e, os moradores e outras pessoas que viram tudo, imploraram, fizeram de tudo pro carro parar. Deve ter sido a visão do inferno. Sinceramente...

Agora, não que eu não ache absurdo o assassinato de um garoto de seis anos de idade segundo filho de uma mãe que, com certeza, deu duro na vida. De uma mãe jovem, provavelmente sonhadora, cheia de projetos pro seu filho...

Mas eu convido a uma reflexão: Por quê? Por que as pessoas fazem isso?

Os responsáveis eram sujeitos jovens, mal tinham saído da adolescência ou ainda estavam passando por ela. Todos magros, esquálidos, desempregados, provavelmente sem o nível básico de estudo completo, e com o agravante muito possível de adicção em drogas. E provavelmente nos sobe-e-desce do morro onde vivem devem ter visto coisas tão ou mais horrorosas do que este inferno que foi noticiado, e não vai sair da mente das pessoas tão cedo. Quiçá nunca - Talvez isso marque mais uma vez o rosto do Rio de Janeiro com sangue e ódio.

Porém continuo me perguntando porque essa notícia assusta mais que a vida péssima que as pessoas da classe pobre vivem. O que me parece é que a compaixão do carioca - do BRASILEIRO, é muito, mas muito tendenciosa. O pretinho, magrelo, marginal é mal por natureza - aspira à penitenciária como um dom profano que lhe assiste desde a hora do nascimento.

Era como se todos fossem maus por opção, por educação (ou falta dela.)

Sinceramente, falando de coração mesmo: Se eu fosse um pé-rapado, discriminado por deus e o diabo pela cor da minha pele, não tivesse dinheiro pra comer, estudar ou ter uma fonte de alegria ou prazer, fosse feio pra caralho e tivesse uma família desiquilibrada, não tivesse conforto, paz nem nada disso, muito facilmente iria procurar um placebo, um anestésico. E logo logo estaria nas drogas, com a facilidade que isto acontece nas favelas, (sejam do Rio ou de qualquer lugar.)

Obviamente eu precisaria de dinheiro pra sustentar meu anestésico - e já que ninguém "lá de baixo" (os brancos ricos, bem-vestidos e sádicos) me dá um emprego, me ajuda a estudar; e além de não se importar comigo ou com os meus, me humilha, me despreza, e o faz com todas as pessoas do meu convívio. Então eu passaria a odiá-los. Eles tem tudo, e fazem muito pouco para tê-lo. Muitos tem todo aquele luxo e toda aquela vida abençoada de nascença. E eu? Então eu iria tomar deles.

É claro que não é só pedir que eles dão. Eles fazem jiu-jitsu, eles tem tazers, seguranças, escutas, carros com blindagem, sprays de pimenta... Eu iria ter que convencê-los a me dar aquele dinheiro. Tanto pra minha erva ou pedra, como para o meu sustento.


Esta é a estrutura: O Brasil, e principalmente representado pela sua mais confusa capital, é um país de desigualdades impressionantes. É um país titânico, de difícil administração. E como o brasileiro ainda permanece com o pensamento da colônia, e não herdou dos gringos nada bom sobre pensamento nacionalista e 'o meu país' (aqui é 'antes que chorem os meus, chorem os seus'.)

Um toma do outro, seja pelos impostos, seja pelo controle do capital intelectual, pela concentração de renda ou pelos AR-15, pistolas, facas, crack, cocaína ou seja qual for o método IGUALMENTE subversivo utilizado pelos moradores de baixo ou de cima.

Lembrando que não estou culpando a capital do Rio de Janeiro por nada disso. De onde venho, Fortaleza, existem crimes tão ou mais diabólicos como este citado. O que me chama a atenção no Rio de Janeiro, como uma megápole, é o modus operandi da coisa. Não falo do crime dos neo-escravos isoladamente. Mas toda a estrutura.

Era como se 'Rio de Janeiro' fossem realmente mais de uma cidade, mais de um mundo. Tudo muito bem estruturado e definido. Barões de um lado, escravos de outro. Escravos vivendo seu inferno e os filhos bem-nascidos dos barões sofrendo suas baixas como um sacrifício de sangue e vísceras para aplacar uma fera sedenta.

E tudo se expôe, porque a cidade foi repartida em vários meios sem campos neutros. Tudo é mídia virulenta, tudo é ultra-violento.

Mas a preocupação não é dar estruturas de vida para as pessoas carentes, não é direcioná-las a um mercado de trabalho ou um papel social, não é dar dignidade ou conforto a estas pessoas. É torturá-las, vingar-se delas. Afinal são apenas negros e paraíbas que me roubam e matam meu filho caçula.

A preocupação, a primeira delas, é BAIXAR A PORRA DA MAIORIDADE PENAL. É isto que vai RESOLVER, é isto que vai CONSERTAR a BIROSCA desta e de outras cidades. Porque não PENA DE MORTE ou EXECUÇÕES EM MASSA também? Chacinas como a da Candelária podiam ser praticadas diáriamente nos morros - afinal pra que eles, os pretos favelados servem, né?

É o velho pensamento do venha a nós e ao vosso reino nada. Resolva MEU problema AGORA, e ponto final.

E lhes digo onde está o problema:
Está no seu apartamento de 2.000.000 de reais, nos seus 4 carros importados, nos seus 3 filhos estudando na Royal University de Londres, está na sua esposa que compra Thyffany e H. Stern e vai ao Werner uma vez por semana e acha pouco, está neste luxo, desta disparidade descontrolada, nessa sonegação ÉTICA que acontece com os favorecidos. Está na super importância dada aos empregos formais, nas imunidades e vantagens dos políticos, na estrutura das grandes empresas - na mente de um povo inteiro.

A mídia gosta muito de pintar esta cena:
Cinco crianças, uma de cada lugar do Brasil, de mãos dadas, como se realmente se respeitassem e compreendessem, dando a idéia de um Brasil unido e funcional.

Sabemos que não é assim, os pretos são sempre perigosos, e os paraíbas são 'víboras' como li uma frustrada declaração pixada em uma parede paulistana.

As 'crianças' brasileiras, este símbolo de pureza, na realidade estão fechadas em seus colégios exclusivos para filhos de pessoas ultra ricas que não pagam impostos proporcionais enquanto as 'pestinhas' estão nas ruas com bicho de pé e lombrigas.

É disso que falo: É DESIGUAL, ISTO É DESUMANO!

Não é a morte de uma criança sendo arrastada que deve nos alarmar, e sim a morte, tanto física e social de várias por NEGLIGÊNCIA, APATIA E INTOLERÂNCIA.

Não vou sugerir um chega - afinal revolução é brega, e sempre é mais interessante assistir a novela das oito do que querer dar jeito no mundo. O brasileiro é um povo apático e indiferente por natureza.

Mas aqui vai meu desabafo: Calem a boca, e cuidem das suas vidas. Morreu, e a verdade é que ninguém dá a mínima se não aparece na TV. Tá na moda ter 'responsabilidade social.' Volte pra igreja, compre seu novo carro, e continue sonhando com o impossível. E vocês odiaram o nazismo.... *Hmpf*

Um sábado aí...

Minha professora ainda está sendo bonita na Índia e eu me aventurando na gogózeira esses dias. Percebi como sou porra-louca com minha voz. A impaciência com aqueles exercícios cretinos, e o célebre pavor de vizinhos me torna um shower singer por falta de cara-de-pau pra ficar no 'ma-ma-ma mi-mi-mi' o dia todo. Mas venho fazendo progressos.

Gente, cantar é muito chato!

Vou tocar pandeiro!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Sarajane Fotonovelas

Humorzinho sádico, safado mas muito bom. Você ri que chora.
Bons tempos...
Confira a história de Bimba, um leãozinho muito glam na batalha pelo trono real contra Scarlet, sua tia maricona. Que Rei Leão o que!

O negócio é GAY!

O GAY LEÃO

Tente não se divertir demais!
(Conteúdo impróprio para pessoas que acham a palavra 'porra' feia.)

...eu não dormi

Do dia seis pro dia sete eu não dormi. Pra chegar no Galeão às 7 da manhã do dia 7 é complicado sabe? É complicado...

sábado, fevereiro 03, 2007

Warum?

Por que eu demorei tanto a postar novamente aqui?
Sou um cara rígido, sistemático, materialista e normalmente frio (engraçado. Nem acredito que escrevi 'frio', mas preciso assumir, por mais que não ache que o seja) logo a minha estadia no mundo real por tempo excessivo me consumiu o tédio necessário para a composição blogária.

Precisava de um ócio calmo pra descer as linhas - mas não sou um hamster (cuja função social é ser bonitinho) e sim um cara (não só o rosto), e os caras tem que fazer coisas.

Desculpe(m) caro(s) leitor(es).
(Sonha, Alice!)

Homenagem

Aos momentos de inspiração despretensiosa e das caminhadas sem calçados até a esquina de casa só p'ra ver o tempo passar.

O vício do preciosismo

Nunca fui muito adepto de simplificar as coisas. Gosto de retórica, gramática, conhecimento e criatividade. Como é de se perceber sou um grande adepto de textos longos e extremamente descritivos. O problema é que às vezes a explicação faz o próprio texto se perder. Daí eu começo a falar de música e o porquê de eu ter parado de comentar em fóruns sobre o assunto.

Eu já sei pouco, e normalmente me volto a essas discussões pra ver se aprendo alguma coisa. Mas sinceramente, a cada linha que leio fico mais confuso, e mais convicto de que a opinião de um leigo vale ouro.

Certa vez, ele, que apesar de não participar da minha jornada musical ativamente, normalmente dá a suas valiosas pinceladas sobre o assunto. E nesta 'vez' eu estava falando justamente sobre os excessos de classificações e tipificações que existem no universo vocal.

Pra quem não sabe do que estou falando, aí vai uma breve síntese do que seria o 'básico':
"Na música, os instrumentos se dividem basicamente em três categorias no tocante a 'altura' (freqüencia relativa dos sons e região sonora) - Aguda, média e grave. Igualmente acontece com as vozes humanas, criando hipoteticamente seis tipos básicos de voz, que seriam, do mais agudo (alto) ao mais grave (baixo) - Soprano, meio-soprano, (contr)alto, tenor, barítono e baixo."

Até aqui já está bem complicado: Então temos seis tipos de voz humanas. Duas mais agudas, duas médias e duas graves.

Mas não pára por aí. Cada voz, individualmente, reserva mais nuânces. Existem vozes agudas 'graves' e vozes graves 'leves, aveludadas'. Ok, isso é justo. Cada qual é único, com seus próprios talentos e super-poderes da Marvel.

O negócio é que tem gente que complica isso TANTO, TANTO que termina por impossibilitar a comunicação musical. Cada um 'acredita' nas classificações que 'quer' e todos se dão por satisfeitos. Ou ficam se degladiando por aí sobre 'coloratura' e 'wagneriano ou não'.

Então um leigo me diz: 'Eu acho que essas classificações são reais, mas uma voz não se resume a simplesmente um caráter. Acredito que se situam em um 'espaço' entre uma coisa e outra, podem exprimir tanto isso como aquilo, o que estiver 'próximo' do seu 'centro'.' Em resumo - uma única voz pode, em sua capacidade mórfica natural e criatividade do intérprete, encarnar mais de um caráter timbrístico com segurança. Como o diabo Maria Callas disse aí num desses master-classes chiques: 'Hoje em dia classificam as vozes de acordo com o que elas NÃO podem fazer. No meu tempo 'soprano' era 'soprano' e ponto final'. Ok, ela se estrepou muito por causa desse pensamento. Mas a grande pulga coloratura-wagneriana continua atrás da minha orelha.

ATÉ QUE PONTO A CLASSIFICAÇÃO VOCAL NA MÚSICA ERUDITA É VÁLIDA? ONDE ISSO SE TORNA MERO PRECIOSISMO RETÓRICO?


Impressão pessoal: Eu sou um tenor. Tenho 20 anos, logo minha voz esta ali, bem moleca. Apesar disso, minha laringe já mostra suas façanhas, e posso dizer que ligeirinho é a mãe. Mas ainda existe um 'q' de -inho na minha voz. Que se perde totalmente quando abro o gogó em canções de Schubert ou árias de operettas. Nunca senti nada errado.

E aí gente? Chega de Royal University e as teorias malucas dos gringos?